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Beta Cultura realiza parceria com Nonada Jornalismo
"Neste semestre, os alunos da Beta Redação produziram cinco entrevistas no formato ping-pong, com personalidades que vão da orquestra ao rap, do carnaval ao slam e dança-teatro, que foram publicadas com exclusividade no veículo independente e especializado em jornalismo cultural "
Paola de Bettio Torres


O professor Felipe Boff, um dos professores da disciplina, explica como a ideia surgiu: “Nas disciplinas de Beta, geralmente a gente convida um jornalista para participar e conversar com a turma, buscamos quem a gente tem como referência, que estão perto e que tenham um trabalho interessante para compartilhar”. O Rafael Glória é editor e fundador do Nonada, juntamente com a Thaís Seganfredo, já havia participado de alguns encontros com os alunos da disciplina em outros semestres. No entanto, neste, os professores Felipe e Débora Lapa Gadret – que também ministra a atividade, propuseram que a turma produzisse entrevistas no formato pergunta e resposta para serem publicadas no portal cultural.


Rafael contou para o Mescla   como o trabalho com a turma funcionou, “Foram três encontros nas aulas online: o primeiro, para apresentarmos o Nonada, falar do nosso trabalho,  nossa linha editorial, e aí eles iam pensar em fontes para serem entrevistadas; o segundo, foi uma conversa sobre os perfilados já decididos e nós demos algumas orientações, por onde seguir, possíveis questões, etc. E o terceiro encontro já foi a partir de  todas as entrevistas realizadas e mais um feedback nosso”. Entre a segunda e a terceira etapa, aconteceu o processo de edição pelos professores e depois pelo Rafael e pela Thaís, além da montagem de um cronograma de postagem das entrevistas no site do Nonada. Você pode conferir as entrevistas clicando aqui


O ping-pong

O professor explicou que o gênero “grande entrevista”, que são entrevistas com profundidade, já  vêm sendo trabalhado na editoria de cultura, “Entendemos que é um espaço que esse diálogo é mais fluido, acontece de um modo mais interessante, não é tão duro, tão colado na notícia. Ele pode ser mais uma conversa, pela própria natureza da editoria.”, explica. 


Ivan Júnior participou da turma e conta que gostou do desafio, ainda mais pelo fato do formato ser pouco explorado, mas muito interessante, “A gente sempre o observa nos veículos e tem vontade de desenvolver um conteúdo com essa estrutura. Por isso, gostei bastante da experiência proposta na Beta Cultura”. Ivan também relatou os processos que envolvem o gênero,  grande entrevista, começando pela pesquisa sobre o perfilado, sua história e a forma com que foi noticiado em outras mídias. 


A pesquisa é parte da apuração e faz parte da rotina produtiva da reportagem, mas nesse caso, curiosidades e detalhes interessantes da vida do perfilado são importantíssimos para se estabelecer uma boa conversa com os entrevistados, uma vez que, na sequência, há o processo de desenvolver as perguntas, estabelecer quais temas serão abordados e como isso será distribuído ao longo do tempo da entrevista. “A parte de maior dificuldade foi a famosa transcrição da entrevista. Essa parte é muito importante, não podemos deixar passar nada, ou seja, precisamos estar com toda a atenção do mundo”, explica Ivan.


Os alunos das atividades de  Beta Redação  são divididos em repórteres, editores, editores de redes e, até ombudsman – escuta, responde às queixas dos leitores e faz a crítica do material publicado). A aluna Daniela Gonzatto contou que foi a primeira vez que ela ficou com a função de editora. “Eu gostei muito de ser editora porque a gente teve temas muito diferentes: Carnaval, rap, orquestra, isso só no meu grupo”. Ela ajudou na edição das  pautas e na organização das entrevistas de Ivan Júnior, Renan Silva Neves e Leonardo Oberherr. “Tudo isso foi muito significativo para mim. Foi realmente muito interessante participar e ajudar um pouco em cada história, contar um pouquinho de cada personagem”, conclui Daniela. 


Nonada e jornalismo cultural

O Nonada se apresenta como “um veículo de jornalismo cultural independente que entende a cultura para além da produção artística”. O Rafael explica: “A nossa linha editorial segue seis eixos, buscando ecoar com viés decolonial as múltiplas vozes que formam a cultura brasileira, com enfoque em pautas sobre processos artísticos, políticas culturais, comunidades tradicionais, culturas populares, censura e direitos humanos, memória e patrimônio.”


Para o professor Felipe, há um entendimento sobre a cultura que já é discutido logo no início da disciplina, “A cultura também é um campo de reflexão política e social importante, porque a cultura reflete tudo isso e os alunos já estão naturalmente conectados com isso. No entanto, na hora dessa produção, o desafio é ampliado pelo nível de cobrança e alta exigência para lidar com o material que é produzido, uma vez que ele foi publicado neste veículo parceiro. Eles têm um cuidado com o material, que é muito reconhecido, e aplicaram isso com a turma. Claro, foram muito generosos com a turma, tiveram compreensão de que é um processo um pouco diferente do “normal” deles, mas procuraram ao máximo colocar o nosso conteúdo como eles veiculam o deles.”

Thaís e Rafael, fundadores do Nonada (Imagem: reprodução / Arquivo Pessoal)


Rafael conclui que sentiu que a turma lidou bem com o desafio, alinhando bem o conteúdo com o perfil do veículo. “Principalmente no eixo editorial ‘Processo artístico’. E eles trouxeram também a diversidade, tanto de questões raciais, LGBTQI+, e de gênero também”. 


Confere no Nonada o resultado final desta parceria, que deixou todos satisfeitos e orgulhosos com o resultado! 


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