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Um cenário preocupante e perigoso
"Uma das jornalistas mais renomadas do país, Patrícia Campos Mello fala sobre desinformação, violência contra jornalistas mulheres e o cenário político para 2022"
Tynan Barcelos


Com um quadro ao fundo onde está fixada a frase “lute como uma garota”, escrita em inglês, a jornalista Patrícia Campos Mello abriu o Seminário Discente de Pesquisa em Comunicação PPGCC Unisinos (SDCOM). A frase resume bem a atuação da convidada no jornalismo brasileiro, pelo menos nos últimos anos. Na abertura da 4ª edição SDCOM, a convidada falou sobre desinformação, a atuação de jornalistas mulheres tanto em coberturas nacionais quanto internacionais e sobre o futuro da política brasileira em 2022, ano da próxima eleição presidencial.


A conversa aconteceu na última quinta-feira, 26 de agosto, através de uma videoconferência, com participação de 130 pessoas da Unisinos e do público em geral. Mesmo de forma remota, a conversa foi marcada por muita interação e assuntos importantes para o contexto atual político e informacional

“Os governos anteriores nunca ‘amaram’ a imprensa. Mas, agora é diferente. É muito hostil”
Patrícia Campos Mello

Ao todo, 130 pessoas se inscreveram para participar do evento que contou com a participação da jornalista Patrícia Campos Mello (Foto: Reprodução/Microsoft Teams)

“A máquina do ódio” e também da desinformação


Apesar de ultimamente estar ligada a coberturas políticas relacionadas ao governo federal, Patrícia foi, por muito tempo, repórter de coberturas internacionais. Atualmente, a jornalista é repórter e colunista na Folha de S. Paulo, além de comentarista na TV Cultura. O seu contato com a política nacional e a desinformação começou em 2018, nas eleições presidenciais, quando a jornalista assinou uma série de matérias sobre o financiamento de disparos em massa no WhatsApp e em redes de disseminação de notícias falsas, na maior parte das vezes, em benefício do então candidato Jair Bolsonaro.


Desde então, Patrícia sofre com perseguições e ataques de ódio, tudo relatado em seu mais recente livro “A máquina do ódio: Notas de uma repórter sobre fake news e violência digital”, lançado no ano passado. Para a jornalista, hoje em dia há um excesso de informação. Por isso, mais do que nunca, informação de qualidade é extremamente importante.

“Sim, o jornalismo errou lá em 2018. Até pouco tempo, era um ‘parto’ para a imprensa dizer que fulano mentiu, quando ele de fato estava mentindo”
Patrícia Campos Mello


Cenário nada otimista


Ao analisar o cenário para 2022, a jornalista mostra-se preocupada. Segundo Patrícia, estes ataques ao jornalismo irão se intensificar com a proximidade da disputa política de 2022, principalmente, ataques contra jornalistas mulheres. “Existem diferentes estratégias de governo para deslegitimar o trabalho de jornalistas mulheres”, frisa.


Em 2020, jornalistas mulheres foram as maiores vítimas de ataques na internet, é o que mostra levantamento feito pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji). De 72 registros de ataques contra a liberdade de expressão em meios digitais, 40 tiveram como alvo as mulheres, 56,76% do total.


Porém, parte deste cenário de desinformação e de tensões na política é culpa da própria imprensa, que cometeu diversos erros em 2018, assim como grande parte da imprensa dos Estados Unidos, em 2016, é o que pensa Patrícia. “A imprensa tratou ele (Bolsonaro) mais como uma pessoa folclórica, do que propriamente como um candidato de extrema direita, que poderia causar sérios danos à democracia”, avalia.

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