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“Esse é o papel da charge: de mudança em favor da democracia”
"Uma conversa com o paulista Fausto Bergocce, um dos chargistas mais experientes do país, sobre o traço opinativo na imprensa"
Equipe Mescla


Por Bruna Schlisting Machado (*)

Além das charges, Fausto também desenha cartuns, caricaturas, ilustrações e produz outros trabalhos
(Foto: Fausto Bergocce / Arquivo Pessoal)


Por anos, a prancheta do chargista Fausto Bergocce ficou instalada no centro das redações. Ele criava em meio ao som das vozes que passavam ou tentavam iniciar um diálogo. A televisão estava sempre ligada. O barulho do telefone tinha o mesmo volume com breves intervalos de silêncio. Afinal, eram redações, e talvez Fausto tenha se acostumado a essa rotina e com o som ao seu redor.


Atualmente, com 68 anos de idade e quase 50 de carreira, o desenhista gosta de ouvir a 9ª Sinfonia de Beethoven ou o tango do cubano Carlos Gardel enquanto produz no ateliê que fica na sua residência, em Guarulhos/SP. Espaço por ele denominado como “Estúdio Chinelão” – o único cômodo da casa em que está autorizado a dar ordens.


No ambiente, há desenhos autorais que embelezam e preenchem as paredes do estúdio, ao lado dos trabalhos de amigos. O cavalete de pinturas fica em um canto. As obras impressas do artista, nos jornais trabalhados ou não, assim como a sua biblioteca particular, em outro.


Aliás, é ao pronunciar uma hipérbole que Fausto relata ter “milhões” de livros. As biografias são suas obras preferidas. As de Beethoven, Nelson Rodrigues, Noel Rosa, Garrincha, Karl Marx já estão na lista das lidas. E é no estúdio que outra hipérbole também é registrada. Nele, Fausto diz passar o “dia inteiro” com seus personagens reais e criados.


A entrevista ocorreu por  videochamada. Na oportunidade, Fausto contou que começou a carreira apaixonado por quadrinhos, os gibis. Narrou sobre a sua trajetória, os jornais pelos quais passou no período da Ditadura Militar e acerca da sua demissão que durou aproximadamente duas horas.

Selfie do chargista momentos após a entrevista
(Foto: Fausto Bergocce / Arquivo Pessoal)


Em qual momento você começou a sua carreira como chargista? Você poderia contar um pouco da sua história e sobre alguns dos jornais pelos quais passou ao longo da vida?


FB: Desenho desde criancinha. Uma das minhas primeiras lembranças de vida, eu já estava com o gibi na mão, com as histórias em quadrinho. A minha mãe e o meu irmão mais velho liam para mim. Nasci numa cidade bem no meio do estado de São Paulo. Chama-se Reginópolis e quer dizer “Cidade Rainha”. Atualmente, ela tem uns 5 mil habitantes. Quando nasci, devia ter uns 3 mil. E aí, desenhei a vida inteira, sabe?! Depois, quando fiquei adulto, precisava trabalhar. Meu pai achava que a mecânica era boa para os filhos. Então, ele me botou no Senai e eu fiz Senai. Fiz Ajustagem Mecânica no Senai, Desenho Técnico e tal. Mas não estava feliz, porque não era isso que eu queria. Fiz por causa do meu pai. Meus irmãos também fizeram Senai.


Na hora de procurar emprego, fiz ficha em todas as indústrias metalúrgicas por aqui, e não consegui uma vaga. Eu falei: “Caramba, eu desenho, né?!”. Botei meu caderninho debaixo do braço e fui procurar emprego. Tinha 22 anos. Na primeira porta que bati, em 1972, ainda não era profissional, e consegui emprego em um jornal chamado Diário de Guarulhos – a cidade que moro atualmente. Era tipo um jornal oficial, que publicava proclamas da Prefeitura local. Fiquei nesse jornal durante dois anos. Poucos anos depois, eu já estava na imprensa de São Paulo, no Última Hora, um jornal clássico e histórico. Passei a ser profissional em 1974 trabalhando em grandes jornais da imprensa paulista.

Fausto passou a ser profissional em 1974 trabalhando em grandes jornais da imprensa paulista
(Foto: Fausto Bergocce / Arquivo Pessoal)


Em 1977, o presidente do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo criou uma possibilidade para os jornalistas antigos. Quem não era formado em Jornalismo, e trabalhasse três anos em redação, poderia entrar com um pedido de profissionalização. Como eu já tinha esse período, entrei com o pedido e me tornei jornalista. Sou um jornalista profissional na carteira, no Ministério do Trabalho, sindicalizado, mas não fiz faculdade. Tive a sorte de trabalhar, em 74, com uma redação cheia de jornalistas já formados. Eles me ajudaram muito e me passaram muita coisa. Foi importante para a minha formação e o meu conhecimento. Daí, minha carreira decolou total.


Depois, em 79, eu já estava na Folha de São Paulo. Então, esse é exatamente o começo, né?! Aquele menino que fez Senai, mas não conseguiu emprego como metalúrgico. Até brinco: “Oh, o Lula era metalúrgico e foi presidente. Eu também sou metalúrgico igual ao Lula. Nunca vou chegar a ser presidente. Mas eu virei um desenhista. Pronto. É o que basta”.


Como foi trabalhar com charges durante a Ditadura Militar? Seu trabalho chegou a passar pela censura?


FB: Eu era chargista do jornal Última Hora, onde trabalhei de 1976 a 1979 – quando o jornal fechou. E de 1979 a 1985, eu era chargista na Folha de São Paulo na época da ditadura. Profissionalmente, comecei em 1974, que era a época de chumbo da ditadura. O Médici era o presidente [Emílio Garrastazu Médice, de 1969 a 1974]. Depois, veio o Geisel [Ernesto Beckmann Geisel, de 1974 a 1979]. A ditadura acabou em 85. Então, peguei um período bem grande da ditadura, né?!


Sempre quando fazia meu trabalho, eu não usava autocensura. Eu fazia e o entregava na mão do editor. Aí, o editor falava: “Não! Isso aqui não pode publicar. Faça outra!”. E eu fazia outra. Não tinha problema. De repente, alguma mudançazinha numa palavra, um detalhezinho no desenho. Depois, quando era publicada, a responsabilidade era do editor. Essa foi a minha linha de conduta.


Mas eu tive alguns problemas. Tem até um fato engraçado. Fui demitido por uma ilustração. Eu trabalhava no jornal Diário Popular e veio em minhas mãos uma matéria de economia para eu ilustrar. Era sobre aumento de preços. Antigamente, tinha aquela maquininha para botar preço – as etiquetas nos produtos. O editor passou a matéria para mim, eu li e fiz a ilustração. No outro dia, quando cheguei no jornal para trabalhar, o editor de arte me chamou. Disse que, infelizmente, ia me dar uma notícia ruim. Ele falou: “Você tá demitido do jornal!”. Eu falei: “Pô! Mas como? O que aconteceu?”. Ele disse: “Aquela ilustração que você fez para a matéria, o editor abominou aquilo e mandou te demitir”. Comecei a limpar minhas gavetas. O diretor de redação me chamou na sala dele e falou: “É o seguinte, você está demitido, porque essa ilustração que você fez é encomenda do governador do estado”. Esse governador era o dono do jornal. Um político chamado Orestes Quércia, que foi governador de São Paulo. Só que eu não sabia disso. Fiz um desenho pesado – um gangster com chapéu, aquela gravata preta e, em vez da maquininha das etiquetas, era uma metranca [metralhadora]. Mas aí o editor de redação falou: “Fausto, fica tranquilo. Eu já falei com o diretor do jornal, botei panos quentes e você não está demitido”. A minha demissão demorou duas horas.


Na Folha de São Paulo, trabalhei de 79 – um período ruim da ditadura, até 85. Eu fazia charge política, revezava com o Angeli [Arnaldo Angeli Filho] ou com o Fortuna [Reginaldo José Azevedo Fortuna], que eram grandes cartunistas. Eu ilustrava, também, a página três da FolhaTendências e Debates, os artigos. Uma vez, ilustrei um artigo sobre o petróleo na União Soviética, comunista. Fiz uma torre de petróleo com a foice e o martelo lá em cima. Mas era um medo, né?! Se você falasse de comunista, era um horror para as pessoas. Os editores tinham muito cuidado por conta da ditadura. Eu nunca fui preso.


Como você descreveria as charges, o significado e a importância delas enquanto gênero opinativo do Jornalismo?


FB: A charge é um trabalho jornalístico, porque ela retrata fatos. O chargista tem um leque de opções. Ele pode fazer uma charge esportiva, política, social, de todos os assuntos. A essência da charge é o humor. Ela tem que ter o humor no desenho para poder passar a informação para o leitor. Essa é a característica principal da charge: um trabalho jornalístico, que passe informação, entretenimento, humor e um desenho. A charge tem vários componentes. Você pode usar caricaturas das personalidades. E quando você faz um assunto internacional, ela vira uma linguagem universal. Quando você faz um assunto local, ela é muito nossa. As pessoas, aqui, vão entender.

Trabalho de charge produzida como uma crítica sobre os apoiadores do atual governo brasileiro
(Foto: Fausto Bergocce / Arquivo Pessoal)

“Agora, nesse momento que temos um governo péssimo, os chargistas estão fazendo um ótimo trabalho e combatendo a postura ruim do presidente”


A importância da charge é que ela também leva informação como artigos de opinião. Porque ela é opinativa. É a opinião do chargista que está lá, em jogo. Assim como os artigos. Então, ela é importante. Ajudou muito a combater a ditadura. Agora, nesse momento em que temos um governo péssimo, os chargistas estão fazendo um ótimo trabalho e combatendo a postura ruim do presidente. Eu tenho feito algumas. Esse é o papel da charge: de mudança em favor da democracia. E ir informando as pessoas.


O poeta e dramaturgo alemão Bertolt Brecht precisou se exilar, em diversos países, quando Hitler foi eleito em 1933. Brecht chegou a fazer da sua situação de exílio uma “posição”. E, desta “posição”, houve o desenvolvimento do trabalho e do pensamento dele. Fazendo uma analogia da história vivida por Brecht, com o atual governo brasileiro e a situação a nós imposta o distanciamento social necessário por conta da Covid-19 você acha que, de certa forma, tudo isso também tem servido de inspiração para os seus trabalhos?


FB: Há um paradoxo. Estamos parados por causa da pandemia, mas estamos muito ativos também por conta da pandemia. Eu, por exemplo, não tenho saído de casa. Saio raramente para pagar contas e fazer algumas coisas básicas. Tenho desenhado intensamente. Feito charge, ilustração, pintura. Faço um pouquinho de cada coisa. Sou um multimídia do desenho, digamos assim, dos estilos. A gente acaba produzindo mais. Todos os chargistas estão produzindo intensamente. Isso é bom para o combate em favor da democracia, porque leva a informação para o leitor. Bota-se nas redes sociais esse trabalho: Facebook, Instagram. E pelo fato de os leitores também estarem em casa, eles estão mais atentos às redes sociais. O trabalho está fluindo bem por conta disso. A minha contribuição, atualmente, é essa.


Como é a sua rotina de produção?


FB: Trabalhei durante 30 anos direto na redação, todos os dias fazendo charge. Eu tinha um horário. Chegava na redação às duas da tarde e saía 10 da noite. Depois que vim para casa, no meu estúdio, mudou minha rotina. De manhã, sou meio complicado para desenhar e produzir. Fico pensando, lendo, vendo o trabalho dos amigos. E aí as coisas vão fluindo. Durante o dia todo, fico desenhando, vendo internet, as redes sociais, as notícias, falando com pessoas. Mas eu desenho todo dia. Estamos vivendo um momento muito duro para todo mundo. Triste. Você olha o noticiário é só vê notícias ruins: pandemia, violências, um monte de coisas ruins mesmo.

Cartum de uma tartaruga em férias pegando sol
(Foto: Fausto Bergocce / Arquivo Pessoal)


Então, o que estou fazendo? Estou fazendo muito cartum. Os cartuns não são políticos, são engraçados. Ele é para todos os públicos, crianças e adultos. Eu quero arrancar um sorriso das pessoas através do meu cartum ou de um desenho bonito. Quero motivar as pessoas para elas não ficarem tão carregadas, tão tristes. Quanto às charges, a maioria delas eu tenho feito em cima da pandemia, sobre o vírus, para as pessoas terem cuidado. Algumas, também, sobre o presidente.


Existe diferença entre a charge, o cartum, a ilustração, a caricatura e o quadrinho?


FB: É legal essa pergunta. Em várias palestras que eu dou e tenho dado, a primeira coisa que as pessoas perguntam é sobre isso. Então, eu faço uma explanação muito grande. Mas, resumindo, a charge é um trabalho jornalístico, porque retrata o fato, os acontecimentos políticos, esportivos, sociais. Tudo com a essência de humor.


O cartum é diferente, porque o cartum é a piada desenhada. Ao invés de você contar a piada, você desenha a piada. O cartum não necessariamente é ideológico. O ser humano é igual em todo o lugar. Eu faço um cartum que pode ser entendido e ser engraçado na Índia, na China, em qualquer lugar do mundo. No cartum, você bota a essência das coisas, a essência do ser humano. Você pode fazer o cartum de vários assuntos. Eu gosto de fazer cartuns sobre animais, pela admiração e o respeito que eu tenho aos animais. E também faço sobre todos os temas: natureza, ecologia e tal. Ele tem que ser engraçado. Tem que ter muito humor para arrancar um sorriso das pessoas, pelo menos.

Ilustração do céu desenhada por Fausto
(Foto: Fausto Bergocce / Arquivo Pessoal)


Depois, você tem a ilustração, que é um trabalho gráfico também. Geralmente, ela é usada para ilustrar um assunto. Sobre ecologia, sobre política e assim por diante. A ilustração é o desenho de qualquer coisa real ou não. O ilustrador pode criar um desenho abstrato também.

Caricatura do pianista norte-americano Ray Charles
(Foto: Fausto Bergocce / Arquivo Pessoal)


A caricatura é o retrato exagerado das pessoas. Na verdade, a caricatura nasceu para isso. Ela nasceu para poder criticar o rei da época no século XVII. Annibale Carracci foi o primeiro caricaturista. Ele fez para criticar os soberanos da época, os ditadores. E os políticos não gostam de caricatura, né?! A caricatura deforma, aumenta o nariz, e ela é engraçada.

“Geralmente, os ditadores não gostam de humor, porque o humor denuncia de uma forma sutil a sacanagem deles”


Geralmente, os ditadores não gostam de humor, porque o humor denuncia de uma forma sutil a sacanagem deles. Mas, também, você pode fazer uma caricatura bonita homenageando uma figura fantástica. Esses dias morreu o Nelson Sargento, um grande compositor da Mangueira. E aí eu fiz uma caricatura bonita, homenageando o Nelson Sargento, que é uma figura fantástica. Agora, quando você faz do Bolsonaro, você exagera, porque é uma crítica dura a ele. Você nunca vai elogiar o cara (risos). É difícil. É impossível. Aí retrata os dois lados da caricatura. Você vai homenagear o Nelson Sargento, fantástico. E vai criticar um déspota, um ditador. Todo mundo adora caricatura. Ou odeia. Os políticos odeiam, porque elas denunciam eles.

Os quadrinhos ou gibis apresentam várias perspectivas de uma história
(Foto: Fausto Bergocce / Arquivo Pessoal)


E, ah, tem o quadrinho [gibi]. O quadrinho é uma arte fantástica, porque é uma arte completa. No quadrinho, você tem uma história, várias perspectivas do desenho, cor, o traço bonito. Você pode fazer desenho de cidade, de arquitetura, de paisagens, das expressões. Você pode tratar de todos os assuntos nas histórias. O cinema, por exemplo, usa e usou muito o quadrinho. Porque o quadrinho também tem os personagens. Tem o super-homem, tem a Mafalda. A maioria dos cartunistas começaram a se encantar pelo desenho através do quadrinho, que foi o meu caso.


Que tipos de materiais você utiliza para desenhar?


FB: Eu gosto do papel. Tenho amigos que desenham no tablet com uma caneta especial. O desenho sai direto na tela. Eles fazem um tratamento gráfico com vários programas de internet. Fica lindo demais. Até ganhei um tablet do meu filho, e não consegui. Então, eu desenho no papel com lápis. Depois, com nanquim faço acabamento, escaneio no computador e uso algum programa gráfico, como o photoshop para poder dar cor, efeitos. Também gosto de fazer o desenho e pintar com as minhas tintas. Sujar a mão mesmo. É uma delícia. Com lápis de cor, com acrílica, com guache. Uso todas as técnicas. Gosto de guardar meus originais no papel.


Atualmente, percebi que há postagens frequentes em sua rede social Instagram. Você considera que as charges têm um alcance maior por essas redes sociais se comparadas ao jornalismo impresso?


FB: As redes sociais são importantíssimas. Através delas, muitos artistas novos apareceram. É mais rápido. Quando eu comecei, você tinha que juntar os desenhos, botar numa pasta e marcar uma entrevista com o editor para ele olhar e te contratar, ou não contratar. Era difícil conseguir um emprego e conseguir um espaço assim. Tinha todo esse ritual. Eu passei muito por isso. Agora, com as redes sociais, a pessoa faz o trabalho em casa e joga na rede. O teu trabalho vai ser visto e, de repente, ele pode ser chamado para ser contratado. Facilitou imensamente. Tenho muitos amigos cartunistas, até famosos agora, que começaram assim pela rede social. Tem gente que nunca publicou na imprensa, mas publica centenas de trabalhos nas redes sociais, todos os dias. O espaço é livre.


Quais outros colegas chargistas você poderia citar e que também são considerados de excelência na profissão? Refiro-me, inclusive, a mulheres chargistas.


FB: São muitos. Eu tenho muitos amigos chargistas. No Rio Grande do Sul, sou muito amigo do Santiago [Neltair Rebés Abreu], do Edgar Vasques, do Iotti [Carlos Henrique Iotti], que mora em Caxias do Sul. São grandes cartunistas. O Brasil é um país continental. Se você vai ao Rio Grande do Sul, tem uma turma muito boa, fantástica. Em São Paulo, tem uma turma fantástica também. Em Pernambuco, tem o Samuca Andrade. Em Minas Gerais, Belo Horizonte, o Lor [Luiz Oswaldo Carneiro Rodrigues]. Eu sou amigo de todos. Pessoalmente, dos encontros, das viagens, dos Salões de Humor.


Infelizmente, há poucas mulheres fazendo cartuns. Pelo menos no Brasil. Fora do Brasil têm muitas chargistas. A Maitena Burundarena, na Argentina. Eu tive a felicidade de trabalhar presencialmente e ser grande amigo de uma cartunista chamada Mariza Dias Costa. Ela faleceu recentemente, mas era uma ótima pessoa e uma desenhista fantástica. Atualmente, no Brasil, tem as queridas Natalia Forcat, que é ilustradora; tem a Pryscila Vieira, de Curitiba, uma ótima cartunista; tem a Ciça, que é esposa do cartunista Zélio Alves Pinto e cunhada do Ziraldo. Mas, assim, são poucas. Eu gostaria que tivesse mais. As mulheres são fantásticas, especiais e sempre bem-vindas.

Em 2014, Fausto lançou o seu livro infantil “Carlotinha e a galerinha da Vila do Sorriso” pela editora Laços
(Foto: Samanta Ciuffa / Divulgação)


Além de chargista, você também escreve sobre esse tema? Quais são os seus principais livros já publicados?


FB: Eu tenho 14 livros publicados, de vários estilos. Tenho livros de charge, de quadrinhos, de historinha infantil, coletânea que envolve charge, todo o tipo de arte. Este ano, publiquei um livro. Tenho um neto de oito anos. Ele se chama Théo. O Théo gosta muito de desenhar passarinhos e personagens. A mãe dele, minha filha, incentiva muito ele. E eu também gosto de desenhar passarinhos. Juntei os meus desenhos de passarinhos com os do Théo e fizemos uma edição “Nós Passarinhos”. Homenageei um ilustre gaúcho, que sou fascinado por ele, chamado Mário Quintana. No comecinho do livro botei uma frase do Mário Quintana. Saiu um livrinho gostoso de ver. Juntou desenhos do Théo, de criança, com os do vovô cartunista. O vovô de 68 anos e o Théo oito. Eu fui ilustrador do Mário Quintana na Folha de São Paulo. Ele fazia a coluna dele e eu tinha a ilustração lá.


(*) Aluna de Jornalismo (Unisinos / Porto Alegre). A conversa com Fausto foi motivada por um seminário sobre ilustração para atividade de “Jornalismo Opinativo”.

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