Deu certo

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Jornalismo e pesquisa em sintonia
"Conheça a trajetória da pesquisadora do PPGCom da Unisinos, Tássia Becker, que defendeu sua tese de doutorado sobre jornalismo móvel"
Tynan Barcelos


Existe a máxima de que todo jornalista gosta de ler e escrever. Se é verdade para todo mundo não dá para saber, mas este é o caso de Tássia Becker. Aos 30 anos, ela  é a mais recente doutora do Programa de Pós-graduação de Comunicação (PPGCOM) da Unisinos. Tássia é formada em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e tem mestrado pelo Programa de Pós-graduação em Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina (PPGJOR/UFSC).


Tássia decidiu cursar jornalismo logo após finalizar o ensino médio. “Fui aprovada na UFSM e de fato me encontrei. Gostei muito do curso”, revela a doutora, que hoje não se enxerga fazendo outra coisa, que não esteja ligada à área da comunicação e do jornalismo.


Após trabalhar durante um período em um jornal e também com assessoria de imprensa, ela foi percebendo que este caminho fugia um pouco do que tinha idealizado ainda jovem. Foi aí, então, que uma amiga, que na época estava fazendo mestrado em jornalismo, começou a incentivar Tássia a seguir o mesmo caminho.


Decidida a entrar na área da pesquisa, em 2012, Tássia idealizou um projeto para ingressar na Unisinos, porém não foi aprovada. Como ainda estava cercada por muitas incertezas, decidiu pesquisar e conhecer mais sobre os PPGs. Após ouvir alguns ‘não’ e justificativas, como, por exemplo, a de que ela era muito nova para realizar um mestrado, foi aprovada na UFSC, em 2014.

Doutorado na Unisinos e a Beta Redação


Após o período de mestrado em Santa Catarina, Tássia voltou para Porto Alegre. Motivada a seguir carreira na área da pesquisa, ela se inscreveu e foi aprovada na seleção para doutorado na Unisinos, em 2016. No início, a ideia da pesquisadora era falar sobre a produção de conteúdos de telejornais em smartphones e tablets. Porém, com o passar do tempo, ela percebeu que o audiovisual poderia ser apenas uma parte de um projeto maior. “Vi que poderia focar a pesquisa no jornalismo móvel, de uma maneira geral. Por isso, minha proposta foi pensar nesta linguagem e em como estabelecer parâmetros que pudessem ajudar tanto profissionais, quanto estudantes”, explica Tássia, que defendeu com sucesso, no dia 26 de março, sua tese intitulada Linguagem jornalística autóctone para dispositivos móveis.


Com a perspectiva de realizar uma pesquisa aplicada, a agora doutora elaborou os parâmetros necessários para realizar uma etapa experimental e usou como base os conteúdos produzidos na Beta Redação, Laboratório de Jornalismo com diferentes editorias, disciplinas finais do curso de Jornalismo na Unisinos: “Fiz como se fosse um site e aplicativo móvel pensado para a Beta Redação, adaptando esses materiais. Isso me ajudou a acelerar o projeto de pesquisa, tanto na parte de interface, como de identidade”, completa.


A ideia de pesquisar conteúdos jornalísticos voltados para dispositivos móveis começou no mestrado. Na época, Tássia estudava sobre o telejornalismo e, aos poucos, foi migrando para a segunda tela, que é quando usamos os smartphones como televisão, com o ganho da interação. “Comecei a me questionar em como podíamos produzir jornalismo para dispositivos móveis. Com isso em mente, fui avançando e pesquisando mais”, esclarece.


No final da tese, Tássia observa alguns apontamentos sobre as especificidades dos smartphones e tablets, em relação até mesmo a outros meios de publicação. Além da elaboração de um guia, como ela mesmo define, a pesquisadora traz alguns hábitos de consumo de estudantes de graduação e pós graduação. “Vejo que é um consumo sob demanda, de acordo com as preferências, também focando muito na objetividade e na agilidade. Eles (os estudantes) querem consumir conteúdos rápidos e que sejam acessíveis de forma gratuita”, conclui.

A ideia de pesquisa da doutora foi abordar conteúdos jornalísticos para smartphones e tablets. (Foto: Arquivo pessoal/Tássia Becker)


Experiência na Espanha e perspectivas para o futuro


Parte da tese de doutorado de Tássia foi realizada na Universidade de Múrcia, localizada na Espanha, após participar de uma seleção para um Doutorado Sanduíche. Durante seis meses, a pesquisadora acompanhou as aulas e se envolveu em atividades ligadas ao Mestrado de Comunicação Móvel da universidade. Além disso, Tássia desenvolveu parte da pesquisa lá, através da realização de uma pesquisa de campo com oito estudantes, sobre o uso de smartphones e o acesso às notícias. No fim, todo o material acabou entrando para o projeto.

Parte da pesquisa de Tássia foi realizada na Universidade de Murcia, localizada na Espanha. (Foto: Arquivo pessoal/Tássia Becker)


Mesmo após passar pela banca avaliadora e até mesmo já entregar a versão final da tese, tudo ainda parece muito recente para Tássia. “Acho que ainda estou nesse processo de entender tudo. Mas, estou muito feliz também porque a banca foi um momento muito interessante de troca de ideias. Achei muito bacana. Mesmo assim, ainda demora um pouco até realmente cair a ficha…para dizer, tipo, ‘ah, agora eu sou doutora’”, brinca a mais nova doutora em comunicação, que foi orientada pela professora do PPGCom e da Indústria Criativa da Unisinos, Maria Clara Aquino Bittencourt. 


Apesar da situação política e econômica não ser muito favorável para a pesquisa, como a própria pesquisadora lembra, Tássia pretende seguir carreira na área. “Se eu tiver a oportunidade, quero seguir na área da docência e da pesquisa. Vou me dedicar para concursos, para ser professor substituto ou até mesmo em seleções para professores, de um modo geral. Ou, se não, tentarei um pós-doutorado na área, algo que me permita continuar aprendendo e continuar pesquisando mais sobre o tema”, finaliza.

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