Deu certo

#comunicação #E-commerce #entrevista #publicidade e propaganda
Brilho no olho e foco no comprometimento
"Com uma carreira que começou cedo, a publicitária Jessica Fragoso conta como se mantém perseguindo e vivendo o ideal de dar tudo de si por amor à profissão "
Bruna Lago


Quando pensamos em uma carreira bem-sucedida, geralmente jogamos para o futuro essa perspectiva, mas nem sempre é o que acontece. Às vezes, algumas pessoas começam bem cedo a descobrir o que faz “o olho brilhar”, e seguem essa intuição. Uma delas é a publicitária Jessica Fragoso, que, aos 27 anos, é head de marketing na Web Art Group, uma plataforma de e-commerce com sede em São Paulo. A empresa se apresenta como uma organização voltada para resultados, sempre baseada em estratégias, e a Jessica faz parte desse trabalho rigoroso, porém livre para ser criativo. 

Trabalhar desde cedo ajudou a decidir que estava no caminho certo (Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal)


Em entrevista ao Mescla, a egressa do curso de Publicidade e Propaganda da Unisinos contou um pouco sobre sua trajetória desde o comecinho, lá em 2012. Confere ai! 


Mescla: O que mais te marcou na faculdade?

Jessica: O momento que eu lembro com mais carinho foi a construção do meu Trabalho de Conclusão de Curso. A professora Anais Bertoni foi minha orientadora. Lembro que cheguei e falei para ela: eu quero sair com distinção. Eu queria me doar. E essa vontade de fazer uma coisa que me marcasse, somada à ajuda dela, foi um esforço que deu certo. Eu abordei no TCC o impacto do consumo nas crianças, por causa do fenômeno dos youtubers mirins. Comecei a pensar nesse tema em 2017. Hoje, é mais fácil conseguir essas informações, mas há dois ou três anos não tinha tanta informação disponível. Nós fomos descobrindo e montando juntas. No final, o trabalho rendeu uma distinção. Essa é uma coisa que eu levo com muito carinho porque me dediquei. Fora toda a faculdade.


Mescla: Foram anos bem aproveitados?

Jessica: Sempre tinha como colocar em prática tudo que eu aprendia. Principalmente porque, na publicidade, é possível ir por vários caminhos diferentes e, mesmo assim, todos os dias eu ainda utilizo algo que aprendi.


Mescla: De onde surgiu a ideia para o teu TCC?

Jessica: A minha irmã hoje tem 6 anos. Na época, tinha 3. Ela adorava ver esses vídeos e eu percebia como isso mexia com ela. Por mais que a gente realizasse um tipo de controle, o pouco que ela via, às vezes, já batia diferente. Foi uma forma de entendê-la e trazer para o meu mundo. Por isso que foi tão especial também, teve uma ligação pessoal. Essa ligação é uma coisa que eu utilizo em todos os parâmetros da minha vida. Eu tenho que estar feliz, ter emoção envolvida. Eu acho que fica aí o sucesso da coisa.

Sempre buscando ir além, participar de eventos foi um ponto importante no começo da carreira (Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal)


Mescla: Quando a tua carreira na área começou?

Jessica: Eu trabalho desde antes da faculdade e isso, para mim, foi um divisor de águas. Por questões financeiras, me formei em seis anos. Então, quando me formei, já tinha seis anos de experiência, não saí tão iniciante. Eu comecei fazendo bico em uma agência de publicidade, quando tinha 17 anos, para ver se era isso mesmo que eu queria. Fiquei ali alguns meses, vivendo o dia a dia, e entendi que era aquilo que eu queria fazer. Entrei na Unisinos na metade daquele ano e comecei a estagiar já no primeiro semestre. Fiz os dois anos de estágio e depois me tornei assistente de marketing. Durante toda a duração do meu curso, estive trabalhando. Minha faculdade toda foi trabalhando. De noite, nas aulas, eu via alguma coisa nova. No outro dia, conseguia aplicar na prática. Quando saí da universidade, já estava trabalhando como analista de marketing, e isso foi importante para mim, porque um bom diploma faz a diferença em muitos lugares. Felizmente eu estava bem respaldada. Em 2018, iniciei meu MBA em Marketing Digital. Fiquei um ano nesse processo, e hoje eu sou head de marketing e comunicação da Web Art Group, um grupo de 12 produtos. A sede é em São Paulo, mas, por enquanto, estou alocada em São Leopoldo e, em breve, estaremos abrindo uma sede em Canoas. Nós atendemos grandes marcas com foco em vendas online, o e-commerce. Hoje, tenho duas pessoas dentro do meu time, faço toda a gestão de marketing e de comunicação da empresa. Foi um grande salto nesses dois últimos anos da minha carreira. Terminei a faculdade como analista e hoje eu sou head de área, coordenando toda a parte de comunicação e estratégia de comunicação da empresa. Eu estou bem feliz. Deu certo! (risos)


Mescla: Sente que encontrou o caminho que precisava?

Jessica: Eu aprendi, nessa minha trajetória, que queria trabalhar para uma empresa, para um nome. Por mais que a gente tenha nossos próprios clientes, o que me dá prazer realmente é trabalhar para um nome, levar o nome de alguma empresa a crescer. Trabalhei em agências especificamente com clientes e faltava esse vínculo de encantar e dar força para uma marca. Hoje, meu foco é esse, me encontrei aí, que é de onde também pretendo expandir.


Mescla: Já pensou em ter teu próprio negócio?

Jessica: Meu gestor fala muito isso, aprendi com ele: dos 20 aos 30 anos, a gente constrói nossa carreira, trabalha para grandes líderes, faz toda essa experimentação. Dos 35 aos 40, quer trabalhar para si mesmo. Então, eu penso que até os 35 eu quero fazer nome, ajudar grandes empresas para, quem sabe, realmente abrir um negócio próprio. Por mais que eu faça alguns trabalhos freelancer em paralelo, nos quais ajudo na construção de marcas de pessoas que estão querendo abrir seu próprio negócio, hoje meu foco é a Web Art. É uma empresa onde eu estou muito feliz. Eles permitem que eu tenha autonomia para fazer isso e, talvez, daqui a pouco, com 35 ou 40 anos, vai ser hora de entender se esse bichinho do empreendedorismo faz sentido para mim ou não. 


Mescla: Já pensava nisso antes de encontrar um rumo profissional?

Jessica: Acho que a primeira vez que comecei a pensar em empreendedorismo foi na Unisinos. Em várias aulas, vieram pessoas jovens, da nossa faixa etária, conversar sobre o mercado de trabalho. Era legal ver pessoas de 26, 27 anos. “Sou eu daqui a pouco!”, pensava. E eles já tinham uma empresa, estavam começando. É na faculdade que a gente tem esse incentivo, mas tu tem que ter esse desejo. Tem pessoas que realmente não gostam, que gostam de trabalhar para marcas, grandes empresas. Mas, na faculdade, eu via aquelas histórias que chegavam e batia em mim diferente. Isso é algo que já está vindo desde a faculdade. 


Mescla: Acredita que tua experiência prévia ajudou nesse processo até hoje?

Jessica: Eu comento muito isso, é uma visão até um pouco cruel, mas a gente coloca adolescentes de 15, 16 anos para escolher a profissão que praticará o resto da vida. “Faça faculdade!”, dizem. É surreal. Com essa idade, nós estamos nos montando, nos reconhecendo como pessoas. Foi a minha experimentação, principalmente no primeiro semestre, a rotina pesada de trabalhar o dia todo e estudar à noite, que me fez tomar uma decisão mais segura. Porque eu gostei, mas se minha decisão fosse entender que aquilo não era certo, pelo menos tinha embasamento. Querer conhecer fez toda a diferença de chegar aqui hoje e saber aceitar um desafio como liderar uma área com a certeza de que é isso mesmo que eu quero e posso fazer.


Mescla: Que conselho daria para a Jessica do começo da faculdade?

Jessica: Eu diria para ter menos ansiedade, deixar de querer fazer tudo ao mesmo tempo. Houve vezes em que eu fazia um estágio de manhã, um estágio de tarde, aula à noite, e quando chegava em casa ia fazer alguma coisa. Essa ânsia me prejudicou em vários momentos. Tinha um rotina maluca em que não conseguia nem me organizar direito. Foi bom para mim, mas eu iria com mais calma, mais tranquilidade, porque teve vezes que eu senti que deixei de aproveitar momentos até da faculdade por estar nessa ânsia. 


Mescla: Mesmo tão jovem, já pode dizer que se sente realizada?

Jessica: Eu me sinto grata porque a posição que eu tenho tão no início da carreira foi graças ao networking que construí. Sempre convivi com pessoas muito legais, desde professores até colegas de trabalho e de aula, e isso foi montando quem eu sou hoje. Tem muita coisa que eu ainda quero construir, tanto na empresa quanto na vida pessoal. Sou muito jovem, tem muita coisa pra fazer ainda. Mas eu brinco que uma das coisas que mais gosto, em qualquer coisa que eu faça, é ver a reação das pessoas. Eu acho que esse é o legal da comunicação e da publicidade: é encantar, fazer por algum motivo. Não dá para ser hipócrita e falar que não tem o lado financeiro, as métricas, mas sempre tem alguma coisa por trás, tem o benefício para alguém. Meu setor trabalha muito com endomarketing, que é a comunicação voltada para o colaborador. Ver ele gostando, feliz, é realmente uma motivação. Hoje, a comunicação tem um papel, uma responsabilidade muito grande, porque influencia as decisões das pessoas. Ela precisa ser feita com cuidado, com carinho e com propósito. A palavra certa é propósito. Porque ela pode ir para um caminho totalmente errado e influenciar negativamente. Somos muito responsáveis pela forma como colocamos isso na rede, principalmente agora, com a pandemia, porque quem não estava online, agora está. A responsabilidade ficou ainda maior.


Mescla: Que conselho pode dar para quem está começando?

Jessica: A principal coisa é aproveitar o círculo de amizades, de colegas, de professores, porque esse vínculo é muito forte, não acaba na faculdade. Tenho colegas que entrevistei semana retrasada. E a gente indica, o mercado não para. Tem que aproveitar, sugar isso. Também é preciso aproveitar bastante esse momento. Depois que passa, voa, e a gente sente bastante falta.


Mescla: Aproveitar cada oportunidade é o que guia tua vida pessoal e profissional?

Jessica: Eu sou empolgada com a minha profissão. Eu realmente me encontrei, esse foi meu grande motor. Sou movida pelo meu interesse, esse brilho no olho. Todas as vezes que eu tive que mudar de trabalho, ou mudei alguma coisa, meu gatilho foi por ter perdido o brilho. No último emprego que eu pedi desligamento, minha justificativa foi: perdi o brilho. E é isso que eu fico buscando, encontrar esse brilho. 

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