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Dezoito semanas para lembrar
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Bruna Lago

Quando recebi o trabalho de falar sobre os 18 anos da agência, minhas piadas velhas já estavam na ponta da língua. Afinal, agora somos maiores de idade, é a idade do juízo, a agência já pode ser presa. Sim, eu sei que todos os estagiários pensaram nas mesmas coisas, não se façam de desentendidos. Talvez, por isso, eu devia ter adivinhado que as coisas não iriam sair como o planejado. Que adolescência saiu como planejamos? 


Nossa agência começou a vida adulta lidando com a sua primeira crise global – bem melhor do que espinhas –, e tem se saído bem. Nessa fase, não é tão estranho ficarmos fechados em nossos quartos, passando horas e horas no computador. Pessoal das origens: o que vocês faziam no quarto quando não existia computador? Brincadeira. Essa também é a nossa forma de lidar com tudo que tem acontecido, tentando aliviar o clima que já é pesado por si só. Na Agex, piadas internas são compartilhadas, assim como o cansaço da tecnologia. Nós sabemos porque estamos longe um do outro, mas ansiamos pelas reuniões com xícaras de café e canetas permanentes na mesa. 


Por isso, quando começamos a escavar um pouco a história da agência, desenterramos lembranças e sentimentos. A cada ligação, a cada “pena que a gente não consegue conversar pessoalmente”, fomos desbravando as memórias afetivas das pessoas que ajudaram a criar essa agência, que é adolescente em idade e na alma. Foram ex-estudantes, hoje profissionais nas suas áreas criativas, dando seus passos ousados no mercado de trabalho. Foram professores que passaram por diferentes fases da vida da Agex, lidando com os processos de amadurecimento que nos trouxeram até aqui. Foram os funcionários que sempre se desdobraram para manter a agência de pé, ainda servindo de irmãos mais velhos, pais e mães dos estagiários. Todos sempre começaram com um suspiro e uma pausa, aquela sensação de lembrar de um lugar querido.


Ouvi histórias sobre tantos bebês que daria para escrever um livro sobre as crianças que nasceram na agência. Algumas delas já estão na escola, trilhando seus pequenos passos, que talvez os levem para a comunicação também. Quem sabe? Ouvi tantos relatos sobre animais estranhos que invadiram a agência ou foram trazidos pelos estudantes, que sugiro dar uma checada na sala quando voltarmos ao presencial. Tartarugas só serão admitidas com coleira e identificação. E como esquecer que uma estudante parou de tomar café com açúcar porque a Cybeli, nossa coordenadora, acha “bagaceiro”?! São coisas que só acontecem nesse ambiente, que é sério, porém não desanimado.


Questionar sobre as coisas que foram vividas na Agexcom desperta inenarráveis memórias, que despertam outras, e outras. Assim, as histórias, na verdade, nunca terminam. São 18 anos. É prepotente pensar que 18 semanas dariam conta de relembrar tudo, de homenagear todas as pessoas e todos os acontecimentos que fizeram a Agex ser o que é hoje: um espaço de aprendizagem. Daria mais uma matéria apenas sobre isso: os alunos que tiveram sua primeira experiência profissional ali. 


Evoluir da pessoa que não sabia como começar uma entrevista até a que tem coragem de ligar para um nome conhecido nacionalmente e perguntar “e aí, quando podemos conversar?” foi trabalho da Agexcom. E esse nem é o maior crescimento que já testemunhei, mas como é o meu, posso falar com propriedade. Junto com a Agex, eu também devo ter finalmente chegado na vida adulta.


E, como bons adultos, não vamos lamentar por muito tempo não estarmos próximos nesse momento. A nossa vida, como agência, só está começando. E eu sei que todos estão tristes por não podermos realizar as confraternizações de final de ano, nem distribuir prêmios aleatórios com temáticas controversas — o que é o Grammy perto do Agex Awards? Sim, eu também estava esperando ganhar mais prêmios esse ano, mas teremos que esperar. Para os estagiários que estão chegando, eu garanto: quando estivermos todos juntos na nossa sala barulhenta e criativa, vocês vão gostar ainda mais. E para aqueles que já estão aqui há um tempo, obrigado por ficarem e por ajudarem nossa agência ser esse lugar incrível.


E se eu puder pedir um presente de Natal, que todos fiquem saudáveis e seguros até nosso isolamento acabar. Aprendemos neste ano que a Agex não é apenas física, mas feita por todos nós. Então, não pode faltar nenhum pedacinho. 

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