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As telas e vozes da pesquisa em Comunicação
“Completamente online, o Intercom de 2020 reuniu pesquisadores de todo o Brasil para refletir sobre o campo científico na Comunicação”
Lisandra Steffen


“Um mundo e muitas vozes: da utopia à distopia?” Esse foi o tema do 43º Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação ou, como também é conhecido, Intercom 2020. Sendo realizado desde 1977, os debates do evento giram em torno de jornalismo, relações públicas, publicidade, rádio, televisão, cinema, políticas públicas de comunicação, entre outros. O Congresso é considerado o maior da área e aconteceu, com apoio da Universidade Federal da Bahia (UFBA), nas duas primeiras semanas de dezembro deste ano, de forma totalmente online pela primeira vez em sua história.


Por ser remoto, a participação no Congresso ficou mais barata e, portanto, mais facilitada. Afinal, ninguém teve que reservar estadia ou ainda gastar com alimentação. E foi assim que esta repórter e seu colega de Iniciação Científica, Rodrigo Brum, tiveram a experiência de participar do Intercom pela primeira vez. A convite do professor do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação (PPGCOM) Gustavo Fischer, “passeamos” pelas salas e auditórios tentando absorver conhecimentos sobre as pesquisas que estão sendo realizadas na área da comunicação.


O que chama a atenção dos congressistas de primeira viagem é o tamanho do evento. Foram dez dias de atividades divididas em reuniões com Grupos de Pesquisa (GPs), palestras em auditórios virtuais, oficinas e minicursos (sem contar os livros que recebemos, “mimos” virtuais do Intercom). Para Rodrigo, estudante do quarto semestre de Jornalismo, a experiência foi significativa para entender um pouco mais o que é o “ecossistema da pesquisa”. “É importante ter uma perspectiva, tanto do que se intersecciona daquilo que se vê na Iniciação Científica, nas linhas de pesquisa do PPGCOM, o que funciona com grupos de pesquisa e pesquisadores de outros estados, quanto o que se diferencia”, conta.


Impressões do Congresso


Assisti as apresentações realizadas nos GPs que mais me interessei. Mesmo online, não é uma boa ideia participar dos encontros de pijama, já que era preciso ligar a câmera para entrar nas salas. No primeiro dia, percebi que o brasileiro gosta tanto de novela que leva isso até para o campo acadêmico. Vinícius Afonso de Barros Araújo, da Universidade Anhembi Morumbi (UAM), conversou sobre o reboot de novelas e como as narrativas monomídias (assistir apenas na televisão aberta, por exemplo) se transformam em transmídia. Já Dowglas Franco Mota, da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), estuda vinhetas e como as aberturas de remakes trazem a sensação de nostalgia para os espectadores.

Vinícius estuda as diferenças entre as novelas Sassaricando e Haja Coração
(Foto: reprodução/Globo)


Saindo das novelas, mas sem mudar de canal (broadcasting), Wagner Machado da Silva, doutorando da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), conversou sobre a representatividade negra no jornalismo e tentou responder a pergunta “por que demorou décadas para ter uma âncora negra no RBS Notícias?”. Talvez por eu ser também bolsista de Iniciação Científica do PPGCOM, foi ainda mais interessante ouvir sobre diferentes temas de pesquisas e metodologias. Seja sobre novelas, telejornalismo ou TVs universitárias, as discussões dentro dos GPs foram importantes para os apresentadores e, também, para os ouvintes.


Outra experiência interessante foi o minicurso “Lives na cobertura jornalística: contexto, boas práticas, pesquisa e horizontes”, ministrada pelo pesquisador Alexandro Mota da Silva, da UFBA. Durante a pandemia, as lives se popularizaram e, pensando nisso, Alexandro, que pesquisa o tema desde 2016, resolveu falar sobre esse fenômeno no jornalismo, trazendo casos ilustrativos e o que os profissionais podem fazer. Alexandro comentou, durante o curso, que as redes sociais podem tirar o jornalista da zona de conforto, mesmo sendo algo utilizado todos os dias fora do ambiente profissional. É interessante visualizar o quanto coisas naturais do nosso dia a dia, como novelas ou redes sociais, podem se tornar fontes de conhecimento e pesquisa.


A Intercom e a graduação


Coordenador do GP Televisão e Televisualidades e integrante da linha de pesquisa Mídias e Processos Audiovisuais, do PPGCOM da Unisinos, Gustavo Fischer acredita que o Intercom deve ser de conhecimento obrigatório para todo aluno de graduação, uma vez que, durante o evento, é possível entrar em contato com diversas pesquisas – iniciantes ou não – e, quem sabe, encontrar pessoas com interesses similares. “O mercado de comunicação deseja cada vez mais profissionais com uma atitude investigativa e, para isso, conhecer mais sobre metodologias e teorias do campo da comunicação é essencial”, explica.


Além de ser uma oportunidade para alunos da graduação, a forma remota desse ano auxiliou, inclusive, na apresentação de trabalhos. No GP Televisão e Televisualidades, por exemplo, todos os autores aprovados compareceram. O aumento no número de participantes pode até trazer um desgaste de tempo usando a tela, mas acaba se tornando uma experiência positiva em relação às trocas e debates proporcionados. “Esse movimento entre impactar a sociedade e produzir pesquisa é cada vez mais forte no campo da comunicação”, sublinha o professor.

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