Deu certo

#arte #design #industria criativa #nossos talentos
Acompanhada pela arte
“Continuando nossa busca pelos artistas da Escola da Indústria Criativa da Unisinos, chegamos ao curso de Design, que, além de incentivar várias frentes de inovação, proporcionou espaço para a Manuela Zuccari se expressar amplamente ”
Bruna Lago


A arte existe em todos os lugares, de todas as formas, e a entrevistada da vez da série #NossosTalentos é uma expressão disso. Manuela Zuccari tem 20 anos e está atualmente no 6º semestre do curso de Design, mas começou a pensar na beleza das formas muito antes de pisar em uma universidade. Desenhar e pintar evoluíram para a ilustração digital e colagens, uma habilidade que acabou se tornando um meio de expressão e também um indicativo da carreira a seguir.


“Na minha vida toda, sempre fui muito ligada à arte”, conta ela. “Fiz teatro na escola, participei do coral, aprendi vários tipos de dança, como aérea, balé, jazz. Depois, fiz patinação artística, cursos de desenho, de mangá. Fiz várias atividades que foram me completando como pessoa e até mesmo na minha personalidade. Se hoje eu sou uma pessoa expressiva e comunicativa, se faz parte de mim ser empolgada com a arte, foi por causa das atividades que eu pude realizar.”

Os espaços dentro da escola possibilitaram que Manu expandisse seus horizontes
(Foto: Arquivo Pessoal/Manuela Zuccari)


Essa abertura para novas oportunidades e experiências foi uma característica incentivada desde cedo pelos pais, que ofereciam a possibilidade de ir além do que a escola oferecia. “Eles sempre me influenciaram nesse sentido, tanto para ter um currículo, um histórico bom, como para poder me testar. Descobrir, realmente, o que eu gostava”, explica Manuela. “Isso serviu para melhorar minha desenvoltura. O teatro me ajudou a falar melhor, me expor com consciência. Me expressar. O canto e a dança me ajudaram a entender meu corpo e adquirir força muscular. Meus pais me impulsionaram a descobrir pelo que eu era apaixonada e até onde iam minhas habilidades. ‘Melhore o corpo, veja do que é capaz! Se joga!’”


Esse incentivo possibilitou que desde cedo a estudante pudesse se interessar pela arte, tanto que ela sequer consegue dizer quando. De desenhos à pintura, foi na época da pré-escola que ela começou a se dedicar a esse passatempo que, mais tarde, ajudaria a escolher uma carreira. “A arte realmente colou em mim”, brinca. “No final do Ensino Médio, foi difícil pensar que iria começar uma nova fase, especialmente por perceber que teria que deixar o coral e o teatro para trás. Foram as minhas maiores dores.”


Hoje, ela não faz mais teatro, nem participa de coral, mas até momentos antes da chegada da Covid-19, a dança continuava presente como uma forma de expressão. “Eu ouço muita música. Não vivo sem música. Para tomar banho, cozinhar, até estudando, sempre tem um som me envolvendo. Eu ando cantando pela casa, danço bastante. Ia nas festas antes da pandemia para me expressar com a dança”, divide conosco. “Eu não exerço mais muitas das atividades artísticas de antes, porque na escola temos mais tempo e, às vezes, essas atividades estão ali, disponíveis. Mas essas coisas me marcaram e continuam comigo. Eu aprecio o teatro, o cinema, a música, toda essa construção artística porque participaram da minha vida e tiveram um grande impacto.”

Fotos tiradas e editadas pela Manu, em mais uma das experiências
que hoje fazem parte do sonho de carreira
(Arquivo Pessoal/Manuela Zuccari)


Atualmente, ela está se aprofundando no mundo das ilustrações, tanto as clássicas como as digitais, que, inclusive, são pontos fortes do curso de Design. Como a maioria de nós, ela começou a quarentena mais positiva, esperando que não demoraria muito para as coisas voltarem ao normal, então procurou investir seu tempo a mais nos pontos que gostaria de desenvolver. “Fiz bastante fotos, autorretratos, edições para redes sociais, montagens e colagens. Mas ao longo do ano, tem sido um pouco frustrante estar em casa e não poder exercer o que planejei”, revela. “Todas as ideias de agora precisam ser feitas em casa, com você mesmo. Às vezes, minha família não quer tirar fotos, nem posso pedir para as minhas amigas. Por isso, fui diminuindo o grau de produtividade.”


Mas, acostumada a ir além e descobrir o que pode fazer a mais, a estudante de Design acabou descobrindo um novo amor. “A arte salva, no fim. Sem ela, estaria muito mais perdida. Durante a faculdade, presencialmente, não estava ilustrando, mas ultimamente voltei a tentar. Testei um material novo, uma técnica nova, e isso está me deixando feliz. Talvez esteja travada na fotografia, mas estou desbravando a ilustração. A arte vai me acompanhando.”

Fotografias e cores como forma de expressão artística
(Foto: Arquivo Pessoal/Manuela Zuccari)


O fato de que a arte faz parte da sua vida ajudou a levá-la até o curso que estuda, já que o interesse por todas as formas de expressão sempre estiveram ali. “O Design tem essa discussão relacionada à arte. É design? É arte?”, explica Manuela. “O designer vai produzir alguma coisa pensando no público. Como as pessoas vão interagir, qual a usabilidade, a estética, o preço? São muitas questões pensadas para servir o cliente. O artista, ao contrário, é mais egoísta, mais para dentro de si mesmo. Ele produz aquilo porque ele precisa se expressar. Precisa colocar para fora do jeito dele, sem a discussão que a gente tem, por exemplo, quando pensa no mobiliário. Mas deixa de ser arte?” 


Para a estudante, a percepção de que a arte influencia o design ajuda a entender o prazer em uma peça bem acabada. E esse prazer é uma das paixões que move sua própria participação no mundo artístico. “Eu sou artista em um sentido amplo, um compilado de coisas que eu amo fazer”, conclui Manuela. “Já me considero designer desde agora, mas além dessa terminologia, quero a de artista, porque acho que faz parte de quem eu sou.”

Trabalho audiovisual realizado em sala de aula
(Vídeo: Reprodução YouTube)


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