Deu certo

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Um veículo, muitas transformações
“Desde seu surgimento e consolidação, a Beta Redação passou por incontáveis mudanças”
Pedro Hameister


Faz cerca de 10 anos desde que a primeira ideia desse veículo surgiu entre os professores. De lá para cá, a Beta passou por inúmeras transformações e ajustes para se adaptar tanto ao processo de aprendizagem dos alunos quanto às mudanças no mercado de trabalho. Uma virada importante nesta trajetória foi a inauguração de sua própria sala de redação, em 2014. Um ano depois, os alunos começavam a cursar as atividades da Beta, ofertadas oficialmente no currículo.

Anteriormente, contamos aos leitores do Mescla sobre o aniversário da Beta Redação , seu surgimento até a inauguração da sala de redação. Mas quais foram as maiores transformações que ela sofreu desde então? E como os alunos, pioneiros desta experiência, encararam esta novidade no curso, naquele momento? Vamos descobrir?

Cada editoria com seu funcionamento

A professora Cybeli Moraes,  que desde o surgimento da da Beta Redação tem sido responsável pela editoria de Geral, comenta que uma mudança ao longo deste período foi o fato das atividades terem mais autonomia de processo. No início, todas as editorias eram organizadas da mesma forma, até que os professores foram percebendo as especificidades de cada área.

“No começo, a Geral tinha o mesmo funcionamento da Economia, do Esporte, e das demais editorias. Tínhamos um processo compartilhado, feito do mesmo jeito. Com o passar do tempo, a gente viu que cada editoria tinha o seu próprio ritmo, suas próprias lógicas e práticas. Afinal, eram professores e alunos diferentes em cada uma das noites”, lembra a professora. “Então, fomos definindo critérios comuns de avaliação e de entrega para todas as atividades, que ao mesmo tempo pudessem ser flexíveis. Agora, cada professor tem liberdade de inserir sua lógica e trabalhar da sua maneira”.

Cybeli comenta, por exemplo, que os professores tinham a incumbência de trazer profissionais das áreas das editorias para conversar com os alunos. Economistas conversavam com os estudantes da editoria de Economia, agentes políticos conversavam com os estudantes da editoria de Política, e assim por diante. Na editoria de Geral, localizar este profissional tão ligado a área era uma tarefa mais complexa. Assim, a discussão conceitual sobre a editoria, necessária para a formação dos alunos, foi repensada.

“Uma coisa que achamos interessante de fazer na Geral são as reportagens especiais, que são matérias extensas feitas em equipe no final do semestre. Também fazemos revisões de temas e assuntos importantes que estejam acontecendo e que podem ser abordados na editoria, a partir de manuais especializados em jornalismo humanizado, ou documentários relevantes para o contexto atual, por exemplo. Vimos que isso era bem mais proveitoso do que receber um convidado para falar sobre a editoria de Geral praticada em grandes veículos de imprensa”, diz Cybeli.

O professor Sérgio Endler, que está na editoria de Esporte desde o surgimento da Beta Redação, acrescenta que a cada semestre os professores buscam oferecer um conjunto de atividades que dialoguem com a realidade. Em sua disciplina, Endler destaca a Arena Beta e-Sports como uma das principais mudanças que vieram desde o surgimento do veículo.

“Tivemos essa ideia em 2018, quando nos demos conta da relevância que os games possuem hoje em dia no meio esportivo. A Arena Beta e-Sports é uma prática que envolve transmissão esportiva ao vivo, mesclando jornalismo de TV e de rádio. É uma outra forma de linguagem e de narrativa para os alunos experimentarem”, explica o professor. “Essa eterna adaptação com o mercado é uma das principais características da Beta Redação. Fica difícil comentar de forma linear tudo o que a Beta já teve de mudança ao longo de sua existência, já que a transformação sempre fez parte dela”.

O professor também destaca que, agora, a editoria de Esporte trabalha muito com pautas que não possuem visibilidade na grande mídia, como o futebol de cidades do interior. Para Endler, essa é uma das riquezas de o campus São Leopoldo receber estudantes de diversas cidades ao redor.

Após a inauguração de sua sala de redação, em 2014, a Beta Redação passou por incontáveis transformações

Alguns dos primeiros repórteres

Paloma Griesang, que se formou em Jornalismo na Unisinos em 2017/2, esteve entre as primeiras turmas que cursaram a Beta Redação após a inauguração da sala de redação. Ela lembra que não sabia muito bem o que esperar quando iniciou, nas editorias de Esporte e Economia em 2015, visto que o funcionamento do veículo ainda era uma novidade no curso.

“Cheguei na Beta esperando uma experiência nova e diferente das atividades práticas que a gente tinha até então. Porque as práticas até ali eram sempre muito focadas em algum tipo de meio e linguagem: focado no impresso, focado no rádio, na TV. E a Beta era meio que a mistura disso tudo, e de novas linguagem como o digital, site, mídias sociais”, comenta Paloma, que hoje é repórter e editora adjunta do jornal Folha Popular, do Grupo Popular de Comunicação em Teutônia, na região central do Rio Grande do Sul. “Tive bastante medo e receio. Eu já era repórter do jornal que trabalho hoje. Mas era uma experiência completamente diferente. Um nível de exigência bem grande dos professores. Tínhamos que entregar coisas de qualidade mesmo. Eu tive medo várias vezes de não conseguir entregar material de qualidade”.

Paloma comenta que ao escrever uma de suas primeiras matérias para a Beta, na editoria de Economia, estava com bastante receio por não ter entendimento no assunto. Mas, no fim, essa acabou se tornando uma das melhores matérias que ela fez na disciplina.

“A partir daí, eu sempre busquei trazer um olhar sobre a minha região nas minhas matérias. Afinal, eu era a única do Vale do Taquari, então buscava pautas por aqui, pois acabavam sendo diferenciadas”, relembra Paloma. “Embora eu também tenha feito matérias a nível estadual e até de fora do Estado, as principais sempre eram as mais regionalizadas. Até porque eu já tinha mais fontes daqui”.

Ao ser uma das primeiras alunas a trabalharem na sala de redação da Beta, Paloma sentiu muita insegurança

Apesar de todo o medo e receio de enfrentar a Beta Redação pela primeira vez, a repórter diz que ela acabou sendo uma experiência bastante positiva, mesmo tendo se estressado em diversos momentos. “Apesar de eu já atuar na área e ter certa experiência de redação, a da Beta era algo diferente. Eu trabalhava com jornal digital, rádio e site. Na Beta pude experimentar outros formatos. Também conheci muita gente diferente, que eu não teria a oportunidade de conhecer no veículo que eu trabalhava”, afirma.

Já Dijair Brilhantes, formado em 2017/1 e, hoje, assessor de comunicação da Associação dos Transportadores de Passageiros de Porto Alegre (ATP/TRI), diz que não sentiu medo quando encarou a Beta Redação pela primeira vez, em 2015, pela editoria Geral. Assim como Paloma, ele também esteve entre as primeiras turmas a trabalharem na sala de redação da Beta. “Como eu já estava encaminhando para o fim do curso, as disciplinas já não me assustavam mais, digamos assim. O receio era com os prazos, e como eu estava terminando meu TCC, que era minha prioridade, acabou sendo um entrave, mas no final deu tudo certo”, lembra.

Brilhantes fez uma das primeiras matérias da editoria Geral após inaugurar a sala da Beta, e optou por uma pauta de cunho social

Na produção de uma de suas primeiras matérias para a Beta, Brilhantes optou por um assunto que tivesse um teor mais social, o que ele considera uma das principais funções do jornalismo. “Escrevi sobre uma campanha contra a violência as mulheres. Eram mensagens soltas ditas por mulheres agredidas que ganharam as redes através de famosos. As frases ocuparam as redes e “viralizou” na época por despertar a curiosidade dos internautas”, conta.

Para Brilhantes, toda e qualquer experiência acadêmica ou profissional acaba sendo positiva, mesmo que durante o período da prática ela não te mostre isso. “Se o acadêmico ou profissional souber avaliar o que foi bom e usar os exemplos ruins para que isso não aconteça, já é muito positivo. Foi isso que eu fiz. Eu lembro que tive dificuldades com uma assessoria de uma prefeitura na época, e não conduzi tão bem o assunto, o que me gerou um problema. Tirei isso como experiência”, defende.

A mudança de site

Dentre tantas transformações e adaptações, possivelmente uma das maiores que aconteceram na Beta Redação foi a troca de site. A primeira versão do site da Beta era hospedada na plataforma WordPress, mas isso mudou no segundo semestre de 2017, quando ela migrou para o Medium, onde se encontra até hoje.

O professor Sílvio Alves, um dos principais responsáveis por essa troca de plataforma, diz que essa mudança aconteceu por conta de uma necessidade de modernizar a plataforma, visto que o WordPress estava deixando a desejar para as necessidades da Beta, enquanto o Medium já era abraçado por diversas publicações profissionais.

“No entorno do Medium, não existe o enorme mercado de plugins e opções de temas customizados, mas isso – de alguma forma – a deixa mais segura de erros e incompatibilidades entre temas, plugins, navegadores, sistemas operacionais, etc. Era uma interface de publicação simples e que se designava como um lugar melhor para ler e escrever coisas que importam”, explica Alves.

O professor diz que o feedback para essa mudança de site foi bastante positivo tanto pelos alunos quanto pelos professores e leitores. Além disso, ele também acredita que houve uma enorme melhora no conteúdo da Beta depois que essa troca de plataforma foi feita.

O estudante Khael dos Santos, que está cursando o último semestre de Jornalismo, esteve entre as primeiras turmas da Beta Redação a trabalharem com a nova plataforma, por meio da editoria de Cultura. Embora ele não tenha produzido para o site antigo da Beta, entende que houve melhoria na troca de plataforma, incluindo a estética da apresentação  do veículo. Ao publicar uma de suas primeiras matérias, ele decidiu aproveitar os recursos multimídia para anexar um áudio de sua entrevistada.

“A leitura contínua pode ser cansativa. E é interessante utilizar outros recursos dentro da plataforma quando ela te dá essa possibilidade. Então, quis aproveitar os áudios que eu tinha para dar uma quebrada na leitura e fornecer uma alternativa mais leve de transmitir as informações”, explica. “Eu via naquela época que os alunos eram muito focados em trabalhar apenas com texto. Ter esses formatos diferentes é muito bom para fugir um pouco disso.”

O site da Beta mudou de plataforma para ficar mais moderna e facilitar o uso de recursos multimídia
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