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O local preferido da Agex
“Na salinha de convivência, muitas histórias se passaram, entre aventuras culinárias e decisões para toda a vida. Mas o que será que a Vanessa Cardoso tem a ver com tudo isso?”
Bruna Lago


Muitos locais de trabalho têm um “cantinho preferido”, um espaço físico que é mais do que o originalmente foi projetado para ser, como uma sala de descanso, de reuniões ou aqueles ambientes mistos, que é um pouco de tudo. Na Agexcom, esse lugar também existe: uma pequena sala de convivência, lanche e espaço sagrado da cafeteira – sim, estagiários têm um eletrodoméstico favorito. E ela se chama Vanessa.


É lá, na Vanessa, que muitas histórias acontecem. Ou aconteciam, antes da pandemia chegar. Entre uma xícara de café, um pote de pipoca feita na Pipokleide, a pipoqueira à base de ar quente, e um prato de massa bem quente, estagiários, professores e funcionários se espremiam – na época em que ainda dava para se aglomerar – para pequenos momentos de relax. Tá, mas, porque Sala Vanessa?


Vanessa existe de verdade, e se chama Vanessa Cardoso. Ela foi professora da Unisinos dos cursos de Design e de Publicidade e Propaganda. Chegou à Agexcom aos poucos, primeiro como professora orientadora substituta por apenas uma tarde. A experiência deu tão certo que Vanessa, tempos depois, assumiu o Núcleo de Publicidade e Propaganda da Agex.


Rapidinho, Vanessa conquistou a equipe. Gabriele Ferrari, estagiária do Núcleo de Relações Públicas na época, lembra da professora com carinho. “A Vanessa era alto astral, tranquila e divertida. Na hora de questionar, ela sabia ser firme, sempre com o intuito de nos fazer aprender e aberta para aprender com a gente”, conta a estudante. “Era uma relação de amizade mesmo. Não havia tensão ou medo de falar com ela. Pelo contrário, nos sentíamos muito à vontade.”


Segundo recorda a relações-públicas da Agexcom, Cristiane Rodrigues, muitas vezes, Vanessa se mostrava presente em outros momentos da vida dos alunos. “Ela ia nas festas de aniversário. Era parceira dentro e fora da Agex”, destaca. Aliás, em se tratando de trabalho, Vanessa tinha uma habilidade especial. “Para mim, ela ficou marcada como a pessoa que desenhou um dos melhores fluxos de trabalho da Agex”, comenta Cris, entre risos.


Mas a vida passa e novos desafios chegam. Na época que Vanessa anunciou sua saída da Universidade, a agência estava passando por alterações no layout do seu espaço físico. Então, em homenagem à querida professora, batizaram a nova sala de convivência como Sala Vanessa. “Começou como uma brincadeira, mas, no fim, realmente pegou”, conta Gabriele.

Repertório variado


Para quem não conhece essa sala, além da cafeteira (sempre bom lembrar dela), existe um sofá perfeito para se recuperar de crises de enxaqueca ou bater um papo antes de começar o trabalho. Foi por causa de uma dessas fortes dores de cabeça que Bianca Nunes, estagiária do Núcleo de Relações Públicas, achou que eu (eu mesma, a repórter) tinha desmaiado no sofá. “Avisei a Lisandra e ela correu até lá. Mas tu só estava tirando uma soneca”, ri ela até hoje. 


A Lisandra, aliás, é estagiária do Núcleo de Jornalismo. Ela lembra que foi na Sala Vanessa que aprendeu – ou tentava aprender – a fazer um bom chimarrão. “Tínhamos a tradição das listas de responsáveis pelo café e chimarrão”, explica. “Fazer o café era de boas, mas o meu dia do chimarrão era sempre um pesadelo. Eram muitas possibilidades de dar errado. Ferver demais a água, entupir a bomba, o chima desmoronar em segundos e, é claro, o fato que eu não saber nem começar a fazer o chimarrão…”, enumera a futura jornalista. “Nós trabalhamos muito bem juntas”, acredita Lisandra, depois de rir por mais de cinco minutos sem parar e sem nenhum motivo aparente.


O ar que circula na Vanessa, aparentemente, faz as coisas ficarem mais engraçadas. “Era só virar a cuia de lado, colocar a  erva e esperar a água ferver”, analisa, muito seriamente. “Agora, no home office, eu faço tudo igual e não é a mesma coisa. Talvez eu precise fazer uma vídeo aula.”


Fora as discussões sobre aulas e quantidade de café a ser produzido, grandes decisões foram tomadas ali. Foi o aconteceu com a Eduarda Bitencourt, que, certa vez, estava atrás de açúcar, e a professora Cybeli Moraes, coordenadora da agência, disse: “Café com açúcar é muito bagaceiro”. A então estagiária da Área de Jornalismo, que esteve na Agex até 2019, agora comemora três anos tomando café preto e bem amargo.O açúcar é um ingrediente muito presente nas receitas criadas pelos aspirantes a chefs na Sala Vanessa. Em 2018, os estagiários decidiram fazer brigadeiro no microondas, o que quase deu muito errado, porque ninguém sabia a receita. Mas, no fim, deu certo, e o brigadeiro foi apreciado pela galera. As canecas personalizadas usadas na experiência ainda existem e estão guardadinhas no armário de itens culinários da agência.

As lendárias canecas que foram o suporte para um delicioso brigadeiro. Hoje, seguem guardadas na agência. (Foto: Anna Letícia De Cesero)

Existe uma história de terror que envolve um rato que morava no sofá da Sala Vanessa e a morte dele por explosão, mas o ex-estagiário do Núcleo Web Bernardo Alvarez Braga garante que viu o corpo do falecido. Um mito derrubado com sucesso. No entanto, a competição de bolacha de água e sal é verdade, e quase rendeu estudantes engasgados. No meio disso tudo, conversas importantes foram realizadas naquele pequeno espaço, como orientações de TCC e até uma entrevista com um membro da ONU, feita pela Eduarda, via WhatsApp, já que ele estava em Paris.


Enquanto o distanciamento social continua, e toda a galera da Agexcom permanece trabalhando em home office, estagiários, professores e funcionários esperam poder voltar logo a manusear as canecas, a cafeteira, o microondas e sentar naquele sofá, testemunha de conversas absurdas, mas, sobretudo, de momentos de felicidade.

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