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Maratona DigiLabour começa a tratar sobre trabalho digital
“Evento realizado pelo PPGCOM da Unisinos começou na segunda-feira e organizou diversas mesas para discutir trabalho digital e plataformização do trabalho”
Lisandra Steffen


Com mais de 600 inscritos para os três dias de evento, a conferência de abertura, que ocorreu nesta segunda, 21, contou com a participação de Niels van Doorn, PhD em Ciências da Comunicação, professor da Universidade de Amsterdã e coordenador de uma pesquisa chamada Plataform Labor, na Europa. O professor abriu o evento, transmitido pelo Teams, abordando as pesquisas realizadas por ele e alguns colegas e tentando responder à pergunta: “o que plataformas querem (e o que precisam)?”. Niels relatou que as plataformas devem ser vistas como meios complexos e que elas fornecem algo para o usuário, mas, também, retiram informações. “Plataformas sempre querem ser – ou anunciam que querem ser –  a solução para qualquer problema, para que, então, possam intervir nas nossas vidas, nas nossas sociedades. Elas querem agradar e depois capturar o usuário”, completa. Para isso, explica o pesquisador, plataformas precisam de períodos de instabilidade econômica para serem úteis. Além disso, precisam, também, de políticas que se abram para inovação e experimentação. Dessa forma, Niels conclui que, após a pandemia, diversas plataformas podem surgir. “Elas precisam que nós precisemos delas. E elas virão com uma solução”, finaliza.


Na sequência, Ludmila Costhek Abilio, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Roseli Figaro e Tulio Custódio, da Universidade de São Paulo (USP) conversaram sobre as velhas e novas práticas do trabalho digital. A pesquisadora, cujo tema de interesse é, entre outros, a Uberização do trabalho, iniciou falando sobre a precarização do trabalho em plataforma e as novas formas de certificação laboral. “Não é mais o Estado regulando, é a regulação da multidão”, relata ao explicar que, atualmente, são os consumidores que conferem a regulação do trabalho. Já Tulio, doutorando em Sociologia, com foco de estudo na subalternidade (voltado para grupos minorizados e a relação do trabalho) abordou o sofrimento e o tempo no trabalho digital. “É com o sofrimento internalizado na gestão do trabalho que os capitalistas conseguem ampliar as formas de acumulação”, explica. Por último, Roseli Figaro, coordenadora do PPGCOM da USP, tentou, assim como os colegas, responder o que há de novo e velho no trabalho digital. “O que é novo, então, se esse discurso é velho? O novo é como o capitalismo aprofundou a exploração do trabalho”, completa.


A Maratona DigiLabour – evento realizado pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação (PPGCOM) da Unisinos, que tem uma programação focada no trabalho digital, vai até amanhã. 


A programação completa pode ser encontrada aqui. Caso não tenha se inscrito, o DigiLabour está disponibilizando os links através do Twitter e do Instagram. E, se você perdeu, ou gostaria de rever alguma das mesas do evento, em outubro, todas as palestras serão publicadas no canal do Youtube do DigiLabour.

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