Deu certo

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As duas metades da uva
“Em mais uma reportagem da série #NossosTalentos, conheça uma dupla que une a paixão pela música com as experiências de viver na Serra gaúcha”
Lisandra Steffen


“Nós somos a Uva Light.” É assim, como se estivessem iniciando um show, que Henrique Martiny e Jonas Lazaretti se apresentam. Apesar da dupla de músicos de Gramado, na Serra gaúcha, ter começado sua trajetória artística cedo, elas só se cruzaram há pouco tempo. 


Henrique é estudante de Comunicação Digital na Unisinos e vem de uma família musical. Aos 12 anos, começou a frequentar aulas de música. Passou por algumas bandas, entre elas, a Urso Polar, de estilo autoral indie. Acabou saindo da banda pela vontade que tinha de fazer músicas em português. “Isso começou a se encaminhar no momento que eu encontrei o Jonas. A gente consegue executar esse desejo de fazer um som que inclua as nossas referências, que inclua rock, psicodelia e todas as coisas que a gente gosta, mas com uma abordagem mais brasileira”, explica.


Jonas não queria fazer música, confessa, mas a mãe insistiu para que ele fizesse algo que desse frutos no futuro. Ele, então, aprendeu a tocar um pouco de tudo. “Na primeira banda, eu, particularmente, não gostava do som, mas gostava de tocar”, brinca. Jonas passou por várias bandas, algumas, inclusive, tocavam na TV. “Eu achei que era um objetivo a ser alcançado, até eu perceber que não estava satisfeito”, lembra. A partir daí, a procura passou a ser por uma banda autoral, cuja música ele gostasse de fazer. 


As duas metades da uva, como gostam de brincar, se encontraram no processo de produção musical realizado por Jonas. Henrique o ajudava nas tarefas. Em uma jam session – quando os artistas tocam no improviso, sem ensaio -, uma música agradou os dois. Depois, durante um café, em uma pausa nas gravações, eles tiveram a ideia de nome para uma banda. “A gente não sabia que tipo banda seria a Uva Light, aí pensamos: ‘vamos ser a Uva Light’”, conta Henrique. 


Na banda, a dupla é responsável por toda a parte de criação e produção. São eles que gravam as baterias, os baixos, os vocais e os teclados. “O nosso desafio sempre foi chegar em um produto final. Por isso, a gente decidiu que, para chegar no som que a gente queria, tínhamos que manter essa formação”, explica Henrique.


O processo de se tornar artista foi dividido em três momentos, segundo Henrique: “No primeiro, a gente executava coisas que já foram feitas, aprendíamos a tocar guitarra como os guitarristas que a gente gosta, treinávamos as músicas para fazer show com banda cover. Depois, teve o momento de criar, tendo esse papel ativo. E, por fim, o momento de agora, de lançar, de colocar paras pessoas, não só pra gente”. Jonas completa o amigo ao comentar sobre o processo de aceitação: “Não vai soar como o Fulano porque tu não é o Fulano”, brinca.


O reconhecimento como artista vem como resultado de todo esse caminho. “É no momento que a gente sobe no palco para fazer um show que não tem nenhum cover, que é tudo nosso, que a gente tá colocando a nossa cara para as pessoas”, conta Jonas. “Tem momentos que tu te percebes, mas não assume. Artista é uma palavra forte, é complicado dizer ‘eu sou artista’, porque envolve muita coisa. A gente se percebeu antes, mas tem aquela sensação de fazer algo que respeita artisticamente. Foi nesse momento”, completa Henrique. O sentimento de ser artista está presente na dupla e foi tema da primeira música lançada pela banda, “Serração”.


A quarentena trouxe pontos positivos para a Uva Light. Um deles foi a mudança de moradia de Henrique, que voltou para Gramado no início do isolamento social. A aproximação geográfica da dupla auxiliou no desenvolvimento do álbum “Serasse”, que tem lançamento programado para o dia 24 de setembro. Muitos desafios foram enfrentados nessa empreitada. Entre eles, as gravações, realizadas no quarto de um deles, já que não podiam ir ao estúdio devido à pandemia. “Acho que toda a dificuldade que um artista tem acaba se tornando um motivo, se tornando parte da obra dele”, avalia Henrique.


Uma das inspirações da Uva Light é a Serra gaúcha. “Acho que isso reflete em todo tipo de artista, o meio que tu tá vivendo, o que acontece ao teu redor. A gente joga toda a vivência dentro do liquidificador, tenta tirar um suco daquilo e, no final, vira arte”, explica Jonas. “Serasse” acabou se tornando um trabalho experimental para Jonas e Henrique. Eles se desafiavam e tentavam ver como a banda soaria em diferentes ritmos e situações.


Henrique escolheu estudar Comunicação Digital para encontrar soluções para o mercado cultural. “Eu estudo para isso. Não é que eu faço música e minha carreira é a comunicação digital. Essas coisas estão totalmente ligadas”, avalia o estudante, que cursa atualmente o quarto semestre. A arte é tão presente na vida da dupla que eles não conseguem pensar em nada que não esteja, de alguma forma, envolvido com a música. Da Uva Light às composições solo, até à produção de eventos. Tudo acaba nisso.


As músicas da Uva Light estão disponíveis em todas as plataformas de streaming, e os meninos também as disponibilizam por WhatsApp. “A gente abre qualquer parte das tracks e manda, porque, para nós, isso é muito legal, de como as pessoas se apropriam do que a gente fez”, conta Henrique. As divulgações do álbum também vão ocorrer pelo Apoia.se – plataforma de financiamento coletivo. A produção de vídeos irá para o canal no YouTube da banda. 


Com o álbum quase lançado, a dupla começa a receber alguns retornos, e isso motiva eles. “Quem ouvir o ‘Serasse’ vai ter uma gama de músicas, e acho que o que mais retorna para gente é isso, que as pessoas não esperavam que a gente fizesse aquele som”, revela Jonas. “A gente também quer desafiar nossos ouvintes, porque são nove músicas e cada uma delas em diferentes cores, digamos assim”, completa Henrique. Mesmo sendo uma banda recente, a Uva Light já tem diversos planos para o futuro. Um EP está programado para sair um tempo depois do lançamento do “Serasse”, e eles já estão começando o processo para o segundo álbum – além de terem algumas composições para um terceiro. “A gente tem várias ideias, e uma coisa que a gente aprendeu na Uva é que a gente pega elas na unha, a gente não perde as ideias”, comenta Henrique. 


Mas as duas metades da uva fazem um único pedido aos interessados pelo álbum: escutar, pela primeira vez, do início ao fim. “Ele foi pensado com muito carinho para ser uma sequência de músicas, e foram dois anos trabalhando para fazer ele”, diz Henrique.

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