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A escrita como arte
“No quarto texto da série #nossostalentos, conheça a estudante de Letras que utiliza as palavras para fazer arte”
Lisandra Steffen



Usar sinais ou símbolos para expressar ideias humanas. Esse é, basicamente, o significado da escrita. Escrever, portanto, é transformar pensamentos em algo que toma forma visual. Emily Klering, estudante de Letras, sempre gostou de inventar histórias. Escreveu seu primeiro livro, “História de Chloe Clark”, ainda na oitava série do Ensino Fundamental. “Eu colocava em palavras os pensamentos aleatórios que eu tinha”, conta Emily, admitindo que sempre estava imersa nas próprias ideias. Aquele primeiro livro, que foi escrito durante as aulas, contava a história de um grupo de jovens espiões. Neste meio tempo, Emily continuou escrevendo e chegou a publicar alguns livros na Amazon. Trabalhando com o gênero da fantasia, ela acabou retirando seus trabalhos da plataforma, já que está tentando publicá-los em editoras de fora do país. Hoje, as folhas que contêm a história dos amigos espiões estão guardadas nas gavetas da jovem escritora e servem para mostrar o quanto a escrita  mudou com o tempo.


Emily se reconheceu artista no Ensino Médio. Na mesma época, decidiu que, ao entrar na universidade, cursaria Letras. Essa não foi a primeira opção da estudante, que pensava em estudar Música. Emily tocava piano em uma orquestra e participava de apresentações, mas acabou desistindo do instrumento por causa da tendinite. Ela nunca esteve cercada de pessoas que produziam arte antes da faculdade, mas sempre se percebeu artista. “Quando eu era criança, me sentia estranha por ser criativa”, comenta. Além da música e da escrita, ela também tem inclinação pela pintura: “ajuda a clarear a mente”, diz ela. Os desenhos acabam se relacionando com a escrita e ajudam a escritora. “Eu desenho os mapas dos mundos que crio e algumas outras coisas pra me ajudar a visualizar a história”, explica.

Os desenhos de Emily a ajudam a contar as histórias | Foto: arquivo pessoal


A criatividade não é algo que funciona a qualquer momento, como um botão que tem a função de ligar e desligar. Alguns dias são mais produtivos – e criativos – que outros. Essa é uma situação que acontece com Emily. Ainda assim, a inspiração da escritora chega em momentos e situações diferentes. Ela não produz de forma cronológica e o que escreve tem uma relação importante com o que está sentindo no momento. Durante a quarentena, acaba sendo difícil para a estudante produzir coisas alegres. A busca por inspiração é diferente para cada artista. A escritora gostava de sair e ver o trabalho de outras pessoas, o que não acontece durante o isolamento social. “Eu tento produzir arte através de arte”, comenta.


A arte que move


No quarto de Emily fica a mesa onde todas as produções, acadêmicas e artísticas, acontecem. Entre livros, mapas e pinturas, a escritora encontra um espaço para organizar os pensamentos. Quando não está ali, Emily prefere escrever à  mão, dessa forma, ela visualiza melhor as cenas para chegar nas ideias principais. Fora do quarto, os cadernos da faculdade servem de recurso para não perder as ideias. Ela conta que já encontrou várias páginas com histórias que criou durante as aulas e que tinha esquecido. Por não escrever de forma linear, a jovem artista explica que sempre visualiza o meio da narrativa e onde quer chegar, todos os outros componentes da história só são criados quando escreve. Ainda assim, algumas vezes a história não chega no final que imaginou, já que os personagens “criam vida própria” e as situações se alteram.

O espaço de trabalho da escritora abriga diversos livros e os desenhos produzidos para as histórias | Foto: arquivo pessoal


Os amigos da escritora a incentivam e leem todas as histórias, ajudando com comentários. Mas, no início, não era dessa forma. Emily tinha medo de que descobrissem essa face da personalidade dela. Com o tempo, a artista mostrou seus trabalhos e recebeu diversos retornos positivos de pessoas diferentes. Uma dessas respostas foi o convite para conversar com alunos na antiga escola. Na época, foi convidada a falar sobre um dos livros, que tinha como tema a depressão. Isso a faz querer produzir cada vez mais. “A arte move as pessoas”, completa.


O curso de Letras também ajuda Emily. Ao analisar grandes nomes, nas disciplinas de Literatura, a escritora se inspira. Ela conta que a parte que mais gosta do curso são as áreas de Arte, Literatura e Expressão. Essas a ajudam durante a escrita. O plano de Emily, além de seguir escrevendo, é continuar na academia, com um mestrado em Literatura e Arte. Enquanto isso, a escritora trabalha em uma trilogia de livros. 


O processo de criação e escrita do trabalho atual foi lento. A estudante conta que estava olhando pela janela durante a aula e teve a ideia. Ela anotou aquilo e, em casa, a história acabou se formando na cabeça dela. Alguns personagens, inclusive, se criaram “do nada”. Além disso, a escritora está em busca de editoras para publicar seus trabalhos. “É difícil fazer o livro circular quando se escreve em português, as editoras não incentivam nomes novos”, explica. Por isso, Emily começou a produzir livros em inglês, já que, assim, teria mais suporte. 


Independente das dificuldades, ser escritora faz parte da personalidade de Emily. Anotando ideias durante as aulas, escrevendo os livros no quarto ou desenhando, ela dá vida a universos novos e distintos. “Quando tu escreve, não importa se é pra muitas ou poucas pessoas, mas importa se te toca e te deixa bem”, explica. A artista divide cadernos e espaços com as aulas, a vida em geral e os mundos que cria. Faz tudo isso com papéis, caneta e um computador. A menina que criou jovens espiões no Ensino Fundamental, hoje, tem o poder de criar narrativas e inspirar outras pessoas – tanto leitores, quanto outros jovens escritores.

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