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Em suas casas, alunos criam produções audiovisuais durante a pandemia
“Estudantes superam obstáculos, como a captação de imagens sem câmeras profissionais, para finalizarem o telejornal 'Prisma' e o documentário 'Notas sobre o isolamento'”
Tynan Barcelos


O curso de Jornalismo da Unisinos (Campus São Leopoldo) tem superado todas as dificuldades quando o assunto é fazer jornalismo à distância. Como você já viu aqui no Mescla, podcasts e até publicações impressas foram produzidos pelos alunos durante o primeiro semestre de 2020.

Porém, quando o assunto é jornalismo audiovisual, os desafios podem ser maiores, principalmente no quesito captação de imagens, seja de entrevistados (ou fontes, como se diz no jargão jornalístico) ou de locais externos. Mesmo assim, as disciplinas ligadas ao audiovisual superaram às adversidades e produziram dois projetos: o telejornal “Prisma”, realizado pelos alunos de Jornalismo Audiovisual e Reportagem, e o documentário “Notas sobre o isolamento”, criado pelos estudantes de Projeto Experimental em Audiovisual. A principal dificuldade foi superada com êxito: todas as captações de imagens foram feitas pelos celulares dos alunos e das fontes.

Tendo como assunto principal a pandemia causada pelo novo coronavírus, os projetos procuraram abordar o tema sob diferentes perspectivas. Com um olhar mais jornalístico, o “Prisma” mostra como o coronavírus afetou a vida das pessoas, desde a violência doméstica até os comércio locais, em diferentes cidades do Estado – no caso, as cidades onde os alunos residem. Já o “Notas sobre o isolamento” parte da ideia de um “diário de confinamento”, em que os próprios estudantes gravam a si mesmos contando como tem sido a rotina durante o distanciamento social.

Escada virou tripé

“Uma preocupação com o telejornal ‘Prisma’ foi adotar uma estética. A estética da pandemia”, revela a professora da disciplina, Luciana Kraemer, ao falar sobre os desafios de organizar o método de trabalho. Divididos em grupos, os estudantes adotaram uma organização dividida em etapas. Usaram como referência o formato que os telejornais locais vem seguindo, nos últimos meses, para cobrir matérias e reportagens sobre o assunto. Um aspecto importante para o desenvolvimento do projeto foi a adesão e a participação dos futuros jornalistas: “A turma foi muito generosa e participativa. Houve muita vontade de se superar”, reforça Luciana.

Fazer contato com as fontes por WhatsApp e Skype e até usar uma escada como tripé. Os alunos tiveram uma experiência única na criação do telejornal. “Bem diferente do que a gente imaginou”, define o estudante Douglas Glier Schütz. A colega Tainara Pietrobelli transformou a sala de casa em um miniestúdio improvisado. “Fui pegando o que tinha mais próximo e tentei encontrar um enquadramento que ficasse correto”, conta a aluna, que atuou como âncora (apresentador-editor) do “Prisma”. “Eu acabei pegando uma escada para usar como tripé”, lembra. Para ela, tudo serviu como aprendizado para a profissão. “Acho que uma coisa muito importante pra todos nós é que isso tudo serviu para percebermos que o nosso desempenho enquanto profissional não depende apenas de um estúdio ou de um equipamento de qualidade”, avalia.

Na casa de Tainara, uma escada virou um tripé improvisado
(Foto: Arquivo Pessoal)

Relatos pessoais

A pandemia afetou a rotina das pessoas em diferentes modos. Pensando nisso, a turma de Projeto Experimental criou um “grande diário coletivo de início de quarentena”, como define o estudante Ângelo Gabriel. “Claro, sem deixar o perfil jornalístico de lado”, reforça.

A ideia inicial era fazer um diário de quarentena dividido por editorias (grandes temas). Porém, conforme o projeto foi se desenvolvendo, os alunos focaram mais no que gostavam e no que realmente estavam fazendo no dia a dia. “A gente entendeu que teria um valor muito importante em nossos relatos pessoais, como cada um está vivenciando isso”, explica o professor do projeto, Daniel Pedroso.

Um fator determinante para a criação do documentário foi o engajamento dos alunos, como comenta Daniel: “Uma coisa legal foi a gente ter conseguido terminar o projeto mais cedo. Assim, tivemos a oportunidade de discutir o programa já pronto. Isso é um procedimento muito importante em um documentário”.

As duas produções estão disponíveis no canal do Mescla no YouTube.

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