Deu certo

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Um novo ritmo para dançar
“No terceiro texto da série #nossostalentos, vamos conhecer a estudante de RP que integra um grupo de dança folclórica em Nova Petrópolis ”
Bruna Lago



“Eu sempre quis dançar.”


Muitos de nós não levam a sério desejos de se envolver com a arte, como o de Camila Caroline Schwaab, aluna da serra gaúcha. Ficamos preocupados com tantas outras coisas — o trabalho, a faculdade, a falta de tempo —  e deixamos de lado a ideia de desenvolver alguma habilidade criativa, sem saber que isso também é uma competência útil para a vida.


Há três anos, a estudante de Relações Públicas passou a integrar o grupo da Linha Imperial, que completa 33 anos neste mês, e já se tornou a família de muitos jovens de Nova Petrópolis. O grupo já se apresentou no Ceará, Espírito Santo, Paraná, São Paulo, e fora do país, no Japão e na República Tcheca. O grupo da Linha Imperial é um dos sete grupos que fazem parte da Associação de Dança Folclórica Alemã de Nova Petrópolis.


“Eu queria dançar, mas tinha receio, aquela vergonha de começar alguma coisa”, contou Camila, agora completamente segura da escolha. “Algumas pessoas me convidaram e eu pensei, agora vai! Então comecei em 2017 e foi uma das melhores decisões que tomei.”

Além da dança, o convívio com a cultura alemã trouxe também uma coroa para a estudante (Foto: Arquivo pessoal)


Se encaminhando para o oitavo semestre do curso, quase formada, a dança é hoje uma parte importante da sua vida. Mas o início, conta Camila, não foi fácil, a dança folclórica é diferente das danças que já conhecia, e aí vieram as dores musculares próprias de exercícios diferentes. “Tem dias que a gente está um pouco mais preguiçoso, igual frequentar academia”, explicou Camila. “Mas a vontade de encontrar os amigos no ensaio e um objetivo em comum ajuda muito.” A decisão de fazer parte de um grupo artístico só ocorreu algum tempo depois de começar a dançar e sentir que tinha bagagem e experiência o bastante para seguir.


Um dos momentos mais importantes para ela é o Festival de Folclore, que ocorre uma vez ao ano em Nova Petrópolis (metade final de julho ao início de agosto), e engaja toda a comunidade, em especial os dançarinos.  “Sempre apresentamos um espetáculo, então as danças são novas e temos muitos ensaios”, expôs Camila. “Ensaios de 3 a 4 horas. Quanto tínhamos aulas normais, às vezes o ensaio era a meia noite nas sextas-feiras.”

Com idades e experiências diferentes, o grupo de dança se tornou uma forma de confraternização (Foto: Reprodução)


Mas todo o esforço valeu a pena e a estudante lembra com muito carinho  do primeiro Festival que participou. “Sempre ficamos de mão dadas ao final da apresentação, para agradecer ao público. A primeira vez foi muito emocionante, não consegui segurar o choro”, confessou ela. “É muito gratificante se dedicar tanto e as pessoas gostarem e aplaudirem de pé. Com certeza foi um dos momentos mais importantes com o grupo, além das amizades com os nossos integrantes, com os outros grupos. É muito importante.”


Desde seu ingresso no grupo da Linha Imperial, Camila já participou de eventos em Blumenau, Veranópolis e cidades da região de Nova Petrópolis. 


“É claro que às vezes temos alguns perrengues”, brincou Camila. “Mas seguimos, como uma família.”

Os espetáculos apresentados pelo grupo vão além de danças de salão, são uma encenação da cultura alemã (Foto: Reprodução)


Esse sentimento é importante, já que antes do isolamento social, além dos ensaios e apresentações, o grupo ainda realizava outras atividades. Desde a promoção de eventos para arrecadação de fundos até a recepção de turistas, em parceria com um restaurante típico da cidade, ou seja, sobrava poucas horas livres. “Agora com o TCC, não tinha tempo para academia, que eu também gosto.”


O TCC se tornou um símbolo da própria superação e da escolha de um curso que se mescla aos outros fatores da vida. “Por ser de comunicação, se encaixa totalmente”, comentou Camila. No próximo ano ela se forma e vê diante de si novos objetivos. “Dançar me fez perder a vergonha e ajudou a me comunicar melhor. Mesmo sem falar, meu corpo se comunica quando se apresenta. E lidar com públicos grandes faz aprender a lidar com a ansiedade e perder a vergonha de falar com o público.”


A pandemia forçou o cancelamento dos ensaios, e o jeito, para matar a saudade, tem sido os encontros virtuais com o grupo. Embora dançar, não se sabe quando vai ser possível. Por enquanto, resta a saudade de se encontrar com os amigos do grupo. E apesar de tantas incertezas, , Camila não tem dúvida de que a dança vai seguir paralelamente  à carreira dela durante muitos anos, e esperamos, não vão faltar oportunidade desta artista  se apresentar de novo.

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