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Um semestre recheado de alunos premiados
“Estudantes de Jornalismo são destaques em dois concursos estaduais e um nacional”
Josi Skieresinski


A graduação é o início da trajetória profissional de muitas pessoas. E é nessa fase que os estudantes descobrem suas habilidades, seja na área que desejam seguir ou na forma como irão executar seu trabalho mais adiante. É durante a faculdade que podem ousar, testar seus limites e até sentir o gostinho do mercado de trabalho. Inscrever produções realizadas em sala de aula em premiações e mostras competitivas também é uma das possibilidades que os estudantes têm para medir suas capacidades. Neste semestre, três trabalhos de futuros jornalistas, estudantes da Unisinos, foram premiados. 

Adoção

Um deles teve o resultado publicado no dia 26 de outubro. As alunas Vanessa Fontoura e Tainah Gil Camargo, da disciplina de Beta Redação / Investigativo, do campus São Leopoldo, produziram a reportagem  “Cerca de 70 % dos menores abrigados não podem ser adotados”. Elas foram as vencedoras da categoria Universitário do Prêmio Livre.jor de Jornalismo-Mosca. A dupla concorreu com outros 13 trabalhos. A avaliação ficou por conta de João Frey e José Lázaro Jr., que levaram em consideração “a malícia de ver nos dados uma pauta que não era óbvia de antemão”, como publicaram no site da premiação. Esta foi primeira edição do concurso, que não contou com solenidade de entrega dos prêmios. Os contemplados irão receber os certificados por correio. 

Vanessa e Tainah foram as vencedoras do Prêmio Livre.jor de Jornalismo-Mosca 2019, na categoria Universitário
(Foto: arquivo pessoal)

Segundo Vanessa, 24 anos, ao longo do semestre, a ideia para a reportagem foi mudando. A aluna conta que primeiro pensaram em abordar o fenômeno das pessoas desaparecidas, mas a falta de dados foi um empecilho na hora de recolher as informações. Então, optaram em falar sobre adoção e como a vidas das crianças são impactadas após a destituição do poder familiar. A estudante comenta que foi uma surpresa ter ganho o prêmio. “Quando inscrevi o trabalho, não imaginava que ganharíamos. Foi o meu primeiro prêmio. Fiquei feliz com o reconhecimento. Foi uma matéria sensível e muito boa de trabalhar, com um tema muito relevante para a sociedade”, disse Vanessa, que vai se formar no inverno de 2020.

A formanda Tainah, 25 anos, conta que já tinha inscrito outros trabalhos, mas apenas em premiações da própria Unisinos. “Foi ótimo conquistar um prêmio externo! Ficamos muito contentes, porque nos doamos de verdade para essa matéria, e foi trabalhoso produzi-la. Além da satisfação de ter criado uma reportagem extremamente relevante, este foi o reconhecimento de que valeu a pena investir no tema”, conta, orgulhosa. 

Prêmio recebido por Vanessa e Tainah
(Foto: arquivo pessoal)

Vidas Negras

Na última terça-feira (10), na sede da OAB/RS, em Porto Alegre, os alunos da disciplina de Jornalismo Impresso e Reportagem, do campus da capital, foram premiados com o terceiro lugar na categoria Acadêmico do 36º Prêmio Direitos Humanos de Jornalismo. A turma, composta por Allonso Santos, Carlos Barcellos, Denilson dos Santos Flores, Fernanda Ferreira, Fernanda Romão, Guilherme Machado, Josi Skieresinski, Juliana Coin e Thiago de Loreto, com orientação da professora Taís Seibt, conquistou o prêmio com a edição 13 do jornal experimental Lupa. A publicação concorreu com 44 trabalhos. 

Denilson, 30 anos, conta que o tema do jornal surgiu a partir de uma discussão em sala de aula. Quando a pauta “Vidas Negras” foi apontada, a turma aprovou, apesar do receio em falar sobre representatividade por alunos de uma turma majoritariamente branca. “Encaramos o desafio e aqui está o resultado de um belo trabalho realizado por todos”, avalia o estudante. Denilson, que está no quarto semestre, diz que sempre que há oportunidade inscreve seus trabalhos no Prêmio Únicos. “Em 2015, ganhei com uma colega o Prêmio Unicos na categoria de de Produção Sonora com a reportagem ‘Jovens Empreendedores’, relembra. “Ganhar o Direitos Humanos foi sensacional, é a coroação de um trabalho coletivo bem realizado. Para quem já pensou em dar uma pausa no curso, serve de estímulo para continuar a caminhada”, aponta o futuro jornalista. 

Da esquerda para a direita: Débora Gadret, coordenadora do curso de Jornalismo (campus Porto Alegre; Taís Seibt, professora da disciplina; e os alunos Denilson Flores, Fernanda Ferreira, Josi Skieresinski, Fernanda Romão, Guilherme Machado e Juliana Coin; ao seu lado, Vera Daisy, homenageada pela turma
(Foto: Sérgio Trentini – OAB/RS)

Taís Seibt, professora da disciplina, conta que o Lupa é uma construção coletiva. A partir da escolha do tema central, cada aluno apresentou uma sugestão de pauta para a sua reportagem. “As sugestões também foram discutidas no grupo, numa grande reunião de pauta, para que fosse sempre considerado o conjunto da edição. Conseguimos abordar diversas dimensões desse grande tema, contando histórias de personagens que lutam por sua representatividade em várias esferas da sociedade”, comentou. Taís acredita que a produção do jornal extrapolou a disciplina, gerou discussões em todas as fases da produção e também após a publicação. “Levamos para a sala de aula fontes entrevistadas nas matérias para aprofundar discussões. Exemplares foram distribuídos em uma série de eventos externos ao campus, em entidades que atuam na defesa de direitos”, lembra a professora, emocionada com a repercussão. 

Estudantes e convidados discutiram em sala de aula o tema do jornal
(Foto: Fernanda Ferreira)

Crimes virtuais

Nesta quinta-feira (12), as alunas Caroline Tentardini e Luana Rosales, ambas do oitavo semestre, receberam do Ministério Público do Rio Grande do Sul o prêmio de segundo lugar na categoria Universitário do 21º Prêmio Jornalismo do MPRS. O material premiado foi a reportagem “80% dos crimes virtuais investigados no RS estão ligados à pedofilia”. A matéria já foi destaque aqui no Mescla: confira os detalhes sobre a reportagem e o prêmio.

Luana e Caroline receberam o prêmio diretamente do vice-presidente da Associação do Ministério Público, João Ricardo Santos Tavares
(Foto: arquivo pessoal)

O Mescla entrevistou a professora Taís Seibt sobre a importância dos alunos participarem de premiações dentro e fora da universidade. Confira:

Mescla: Por que é importante os alunos inscreverem seus trabalhos em premiações?

Taís: Um prêmio é mais uma dessas maneiras de dar visibilidade ao que está sendo produzido em sala de aula. Isso é importantíssimo para os alunos, porque enriquece o portfólio e dá fôlego para a continuidade da carreira profissional. É muito importante também para o curso, pois valoriza a qualidade da formação que buscamos oferecer para nossos alunos. No caso específico do prêmio recebido pelo jornal Lupa, reforça também a importância de valores humanistas nessa formação.

Mescla: Todo trabalho pode ser inscrito? Como saber se vale a pena concorrer?

Taís: Nem todo trabalho vale prêmio e nem todo o prêmio vale o trabalho. É preciso considerar a relevância de cada premiação. Há prêmios que tem como principal valor o reconhecimento no meio, é o caso deste que ganhamos (Lupa). Trata-se de um prêmio tradicional, de reconhecimento nacional, gerido por entidades respeitadas e sem valores em dinheiro (nem para profissionais). O que está em jogo é a relevância social dos trabalhos. Não quer dizer que prêmios com valores envolvidos não sejam relevantes. Há concursos importantíssimos que pagam os vencedores e isso também acaba sendo importante para jornalistas que, no geral, têm baixa remuneração ou trabalham de forma independente. Mas é como no dia a dia do repórter, vale sempre analisar os interesses envolvidos. Nem sempre um currículo recheado de prêmios é um atestado de competência. Mas, muitas vezes, é uma oportunidade de aumentar a visibilidade de um trabalho. Isso ajuda a pensar se devemos ou não inscrever: um trabalho que nos orgulha, a gente quer que todo mundo veja. O Lupa 13 era um desses trabalhos.

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