Deu certo

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Jornalismo dedicado a causas humanitárias
“Recém-formado na Unisinos faz da profissão um caminho para dar voz às populações em situações de precariedade”
Pedro Hameister


A vontade de fazer a diferença no mundo é algo que movimenta diversos jornalistas e estudantes da área. Porém, muitos não sabem por onde começar ou acabam deixando esse objetivo de lado, dando prioridade para outros projetos. Não foi esse o caso de Vítor Brandão, jornalista egresso da Unisinos que saiu da universidade determinado a trabalhar em causas humanitárias e mostrar ao mundo uma realidade desconhecida por muitos.

Em um período em que estava bastante insatisfeito com o Jornalismo e cogitando procurar uma outra graduação, Brandão – que na época ainda era estudante – foi assistir a uma palestra da jornalista Fernanda Baumhardt, que já participou de missões humanitárias internacionais pela ONU e pela Cruz Vermelha. Ele conta que a palestrante fez seus olhos brilharem, e foi quando percebeu que era o que ele queria na profissão. Assim que a palestra terminou, Brandão foi até Fernanda e perguntou “Como eu faço para ser você?”

Fernanda deu ao então estudante uma série de dicas de por onde ele poderia começar para exercer o jornalismo em causas humanitárias. Nisso, Brandão foi apresentado à ONG Fraternidade Sem Fronteiras, ficou encantado com o trabalho da iniciativa e a apadrinhou. Assim que se formou na Unisinos, ele embarcou junto com a ONG para uma missão humanitária em Madagascar, na África. A caravana teve como destino a comunidade de Ambovombe, no sul do país, onde a fome e a miséria extrema se fazem presentes. Mas seu objetivo não era apenas auxiliar a ONG no seu trabalho com a população de lá.

“Eu levei uma filmadora, uma GoPro, um tripé e microfones. Deixei claro desde minha inscrição para a caravana que eu pretendia registrar o que visse por lá para depois divulgar a realidade daquele povo. E o pessoal da ONG foi muito receptivo com essa ideia”, conta Brandão. “Mas minha intenção não era me colocar no centro das filmagens, comentando o que eu estava vendo lá. Quis dar o protagonismo para a própria comunidade, expôr aquela realidade do ponto de vista deles, não meu”.

Uma vida que muitos não veem

O jornalista diz que nunca vai esquecer o que ele viu nesses 15 dias que passou em Ambovombe. Era duro até para os mais experientes da caravana. “Eles não aguentavam as lágrimas por conta do que testemunharam”, conta. Uma comunidade que precisa esperar a chuva para poder tomar um banho, que dificilmente faz mais do que uma refeição por dia, e que padece com as mais diversas doenças, muitas delas mortais. Tudo isso e pouco mais foi registrado pelas lentes que Brandão levou em sua mala.

“Eu estava receoso que o pessoal de lá fosse estranhar as câmeras. Mas logo no primeiro dia, vi que estava errado. Eles ficaram muito entusiasmados e gostavam de pegar as câmeras emprestadas para mexer nelas. Tenho muitas filmagens ótimas feitas pelos próprios moradores da comunidade”, comenta o jornalista bastante motivado.

Para mostrar essas e outras imagens que retratam a realidade de um povo invisível aos olhos do mundo, Brandão criou o canal Cultura Convergente. Lá, a vida da comunidade de Ambovombe está registrada na forma de um documentário dividido em várias partes, que o jornalista vem divulgando aos poucos. Ele também possui uma página no Facebook para divulgar os trabalhos de outras ONGs dedicadas a prestar auxílio para pessoas em situação de vulnerabilidade.

A experiência de Vítor Brandão em Madagascar nunca será esquecida por ele, e pode ser conferida no seu canal no YouTube | Foto: Arquivo pessoal

Mas não vai parar por aí

A missão humanitária em Madagascar pode ter terminado, mas os trabalhos, para Brandão, estão apenas começando. Seu canal, Cultura Convergente, não vai parar quando ele tiver finalizado os vídeos de Ambovombe. A intenção do jornalista é partir em outras missões humanitárias e trazer cada vez mais visibilidade para vítimas de descaso que se encontram em situação de precariedade.

Para Brandão, é uma das melhores coisas que um jornalista pode fazer. “A gente tem um papel muito importante: o de contar histórias. Mostrar ao mundo essa realidade muito pouco conhecida, que essas pessoas existem, que elas precisam de ajuda e que todos podem dar auxílio faz toda a diferença”, afirma. “E é muito fácil ajudar, é só uma questão de querer fazer. Tem muita gente com potencial para isso, mas que acaba se limitando a uma zona de conforto e prefere observar do que agir”, finaliza.

Confira abaixo um dos vídeos feitos por Brandão em Madagascar que se encontram no seu canal do YouTube. Aproveite também para se inscrever nele e conhecer mais sobre o trabalho da Fraternidade Sem Fronteiras e de outras ações humanitárias. Quem sabe isso não te inspire a ser um voluntário também?

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