Deu certo

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Quando a fotografia vira moda
“O estudante Henrique Bittencourt uniu o interesse pelas duas áreas para criar sua marca de roupas, a GHOST. ”
Guilherme Machado


Henrique tem 22 anos e é aluno de Fotografia da Unisinos. Ele resolveu usar as suas fotos para imprimir na própria marca de roupas. Trata-se da GHOST, marca que, segundo ele, pode ser descrita em três palavras: fomos, somos e seremos. 

O jovem se propõe a falar do urbano, daquilo que está nas ruas e no cotidiano dos jovens, mas que também é impermanente. “É tipo o desejo das pessoas, saca? O cara tomar um trago, ter um tênis da hora. Mas que vai passar, porque vão surgir outros assuntos”, conta. 

Para além da questão comercial, seu trabalho tem uma motivação artística. A ideia surgiu do desejo de criar tags (assinaturas do pichador), mas, ao invés de paredes, ele preferiu usar roupas como uma tela em branco. “Algo que se locomove junto de quem compra. A obra te acompanha, diferentemente de um quadro, por exemplo”, explica Henrique. Para o fotógrafo, tanto a pichação como o grafite são formas de arte, a diferença é que o primeiro trabalha com a escrita, e o segundo, a imagem.

No Brasil, a pichação é considerada vandalismo e crime ambiental, nos termos do artigo 65 da Lei 9.605/98 (Lei dos Crimes Ambientais), mas muitos defendem o ato como um movimento cultural urbano que foi marginalizado pelas autoridades. 

A experiência no FestFoto

Uma das experiências que Henrique destaca como importante neste ano foi o Festival Internacional de Fotografia de Porto Alegre 2019, que abordou identidade, hibridismo e diferença. O estudante foi um dos quatro alunos do Curso de Fotografia da Unisinos selecionados para expor seus trabalhos, resultantes de uma residência artística do Festival (você pode conferir em matéria produzida pelo Mescla).

Ao longo de três meses, ele desenvolveu um trabalho autoral sobre o tema “diásporas”. “Era sobre o deslocamento das pessoas que vivem na região carbonífera, pois quando elas crescem, buscam outros lugares atrás de uma melhor qualidade de vida”, diz o jovem. 

Para Henrique, o melhor de tudo foi a troca de experiências, pois cada fotógrafo tinha um olhar diferente sobre o mundo. A troca gerou uma amizade entre os participantes, o que o estudante guarda com muito carinho. 

Confira o trabalho: 

A estreia 

Sua primeira coleção reuniu 20 unidades de camisetas com a mesma estampa em diferentes cores. Apesar de estar um pouco inseguro com o lançamento, teve uma grande receptividade do público das cidades gaúchas de Butiá e Santa Cruz do Sul, além de Florianópolis (SC). Henrique mora na cidade de Butiá e tem uma forte ligação com a cultura hip hop. Ele também trabalha desde os 16 anos em uma loja do ramo street/surf wear, onde aprendeu muito sobre moda e confecção.

O estudante também integra o coletivo de rap Saga, além do Areaz Crew, voltado ao break e as danças urbanas. Apesar de não dançar, ele conta: “São cidades muito pequenas. A gente se ajuda como pode para manter a cena viva”.

O estudante de Fotografia pretende se aprofundar na área para trazer novas coleções e seguir com trabalhos autorais. 

Confira um pouco da GHOST: 

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