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Startup: criatividade e tecnologia para empreender
“A Indústria Criativa vem firmando presença no ramo do empreendedorismo. De startups a prestação de serviço para outras empresas, a criatividade é um nicho de mercado”
Bruna Lago


Para o Sebrae, as startups envolvem desde o ambiente de incertezas até a produção rápida de lucro, mas o que todas têm em comum é o processo inicial de uma ideia que se transforma em empresa. Para o Tecnosinos, o parque tecnológico sediado no campus da Unisinos há mais de 20 anos, a característica principal de uma startup é trabalhar  a partir de uma base tecnológica. O que pode parecer surpreendente é que a Indústria Criativa desponta como uma das áreas deste tipo de empreendimento. 


“A Indústria Criativa perpassa várias áreas, do design ao jornalismo, relações públicas, publicidade e propaganda. Várias startups contratam profissionais dessas áreas junto com profissionais da Escola Politécnica.”, explica a diretora do Tecnosinos, Susana Kakuta. A Escola Politécnica é formada por áreas como Biologia, Engenharia Civil, Geologia e Sistemas de Informação. Além de atuarem em um empreendimento próprio, os profissionais da Indústria Criativa costumam investir em uma razão social para Microempreendedor Individual, o MEI, e atender várias empresas em campanhas periódicas ou únicas. 

A universidade como celeiro de ideias


Os estudantes de universidades que sediam parques tecnológicos obviamente têm vantagens para pensar em empreender a partir de startups.  Uma das maneiras de ingressar no Tecnosinos é através do Prêmio Roser, que premia as melhores propostas de empreendimento com um período de incubação. Nesse período, o desenvolvimento do negócio é acompanhado por mentores que dão o suporte teórico e prático que as novas empresas precisam antes de enfrentar o mercado. “Nós temos vários casos de sucesso que são egressos do prêmio Roser”, explica Kakuta. “Porque o prêmio já pressupõem essa mescla de uma área mais soft e uma área da tecnologia. Mas também temos muitas áreas e muitos professores que trabalham a questão de planos de negócios na sala de aula. Trabalham uma experiência e, a partir disso, ela se transforma numa ideia de negócios.”


Pensando nesses processos de novas ideias, o Tecnosinos mantém uma banca de seleção que ocorre todos os meses. “Existe uma estatística  de que, a cada cem ideias, uma delas se torna um caso de empreendimento de sucesso.”, complementa Kakuta. 

Uma acelerada no processo


Uma das maneiras de dar um up inicial em uma ideia de negócio é passar por uma “aceleradora”. As aceleradoras são incubadoras de empresas que investem financeiramente e apostam no desenvolvimento de startups.  No Tecnosinos, este papel cabe a Ventiur, e foi com ela que os sócios Victor Dellorto e Lucas Braum, ambos de 23 anos anos, deram isso impulso para o Deskfy, uma ferramenta de marketing que ajuda os profissionais da área a evitar retrabalhos e agilizar resultados. Os sócios passaram em torno de seis meses pensando o conceito da marca e como mostrariam o valor do serviço. Após esse período, participaram de uma das bancas mensais do Tecnosinos e foram admitidos como empresa incubada.


“Foi muito interessante o processo. E o fato de termos passado pela aceleração proporcionou que estivéssemos mais maduros para a banca.”, comenta Dellorto, que é formado em Comércio Exterior. Lucas Braum estudou na Unisinos, onde se formou em Análise e Desenvolvimento de Sistemas, e a mescla de formações continua também na equipe. Hoje o Deskfy, como empresa incubada, tem sede dentro do parque e emprega 20 profissionais de áreas como Gestão Comercial, Administração, Engenharia de Processos e Relações Públicas. Dentro do parque, a empresa é caracterizada como uma startup de Comunicação e Convergência Digital. 

De uma startup para residente


Dentre as 96 empresas que estão instaladas no parque, 60 delas são residentes. Existem duas formas de ser uma empresa residente: passar pelo período de incubação e se consolidar como sustentável, ou se instalar no parque como uma empresa já estruturada. Das empresas residentes, a IMPUSO é um dos nomes que surgiram dentro do parque, da união de duas startups, e se firmou através da inovação criativa. A parceria começou em 2011, com os trabalhos em conjunto da startup Lung, fundada pelo professor Daniel Bittencourt,  e da startup Kyoodai, do seu orientando Shoichi Kakuta. Em 2017, um grupo investidor entrou na jogada e as duas empresas se uniram para formar a IMPULSO. Na época, constituíram uma sede em Porto Alegre, com cinco pessoas na equipe.


O conjunto de designers e idealizadores proporciona o caminho para pequenas e micro empresas crescerem e compreenderem como funciona o básico da vida de uma marca na internet. “Todo mundo que começa a trabalhar nesse mercado digital resolve adotar algum nicho específico, e como tem muitas empresas segmentadas, não tem quem assuma um papel estratégico de organizar todo o marketing. Nós trabalhamos priorizando o que é importante para a organização.”, conta Bittencourt, que também é coordenador do Curso de Comunicação Digital.


Ainda segundo ele, o diferencial da IMPULSO fica a cargo da personalização no produto que cada cliente demanda. “Se o que ele precisa é um conteúdo relevante no feed, ou aumentar o número de interessados no seu serviço, vamos criar a estratégia adequada àquele público. Diferente de alguns players do mercado, não adotamos a mesma estratégia de marketing para clientes de diferentes segmentos.”


No início de 2019, os sócios encerraram a parceria com os investidores e resolveram trazer a empresa de volta ao parque, onde ambos haviam iniciado a vida como empreendedores. Agora como uma empresa residente e um ano e meio de vida, a Impulso conta com 30 marcas que realizam trabalhos periódicos. A equipe atualmente é composta por 16 profissionais, 13 dos quais são egressos da Unisinos, a maioria jornalistas e publicitários, além de profissionais da comunicação digital, engenharia e design. 

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