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Jornalismo guiado por dados em pauta
"Alunos de jornalismo receberam a visita do pesquisador em Comunicação da UFRGS que estuda o uso de dados em reportagens"
Estephani Richter

A conversa aconteceu nas atividades de Seminário do Projeto de Pesquisa e Temas Emergentes, do curso de jornalismo. O jornalista e professor de jornalismo da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Marcelo Träsel, 41 anos, esteve na Unisinos, São Leopoldo,  para falar sobre o tema de sua pesquisa de doutorado, o jornalismo guiado por dados. Marcelo buscou muito mais do que falar sobre como esse campo funciona, mas principalmente, quais as características, o perfil profissional dos que estão à frente deste trabalho.

O pesquisador define o método associado ao Jornalismo de Dados como o de  “entrevista de planilhas”, tendo começado na década de 50. Já entre os anos 80 e 90, eram classificadas como reportagens assistidas por computadores ou RAC Mas, segundo Träsel,  foi por meados de 2005 que o Jornalismo de Dados começou a surgir com mais força, graças aos avanços tecnológicos e as leis de acesso à informação. Marcelo no início pensava que isso não passaria de uma moda, mas percebe que vem se estabelecendo cada vez mais e afirma que hoje é tudo mais fácil. “Se você tiver um computador com internet, você tem acesso aos dados”, observa. 

Para a tese de doutorado que defendeu, Marcelo fez uma pesquisa etnográfica no Estadão Dados, a primeira equipe de dados formal dentro de uma redação brasileira. Ele pode observar que jornalistas de dados são geralmente conhecidos como os ‘nerds’ e costumam ser mais autodidatas, aprendendo de forma espontânea a lidar com novas tecnologias. Um dos principais pontos que chamaram a atenção dele sobre estes profissionais é que são muito mais colaborativos e não guardam uma informação ou dado consigo. “Sempre temos aquela ideia do jornalista competitivo, puxando o tapete do colega, mas com o jornalismo de dados, que tem uma comunidade pequena, acontece muita troca de informação, técnicas e dicas”, observa. 

Ele pode ver também que eles se aproximam muito da cultura hacker, pois estão mais acostumados a usar softwares livres,  e por consequência, terem especial apreço pela transparência dos procedimentos, explicando como a reportagem foi feita e quais dados foram usados. Träsel afirma ainda  que este esta modalidade é complementada pelo jornalismo pé no barro, ou seja, se inicia como uma análise estatística e a partir daí, parte para a produção da pauta. Mas, lembra contudo que os dados não podem ser confundidos como uma verdade absoluta. “Eles são construídos, eles não são idênticos com a realidade, nem são neutros, pois seguem uma agenda”, enfatiza. 

O professor Ronaldo Henn acredita que os alunos devem aproveitar estas oportunidades para tirar possíveis duvidas. (Foto: Estephani Richter)

O pesquisador trouxe diversos exemplos de jornais e sites que usam dados para tornar a informação mais acessível, e diz incentivar os alunos a construírem seus próprios dados, que pode ser feito sobre qualquer assunto, em qualquer editoria. Dentre os sites que oferecem cursos de jornalismo guiado por dados, citou: Abraji, Escola de Dados e Knight Center.

O professor da atividade de Seminário do Projeto de Pesquisa, Ronaldo Henn, explicou que é de extrema importância o compartilhamento de ações de pesquisa “Essa participação de pessoas, não só da área da pesquisa, mas também com uma trajetória consolidada na área do jornalismo é muito relevante, isso reforça o que é ensinado em sala de aula”, afirma.

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