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Estudos que ultrapassam fronteiras
“Trocas entre línguas e culturas foram tema de evento da Unisinos envolvendo alunos e professores do Brasil e Alemanha”
Lisandra Steffen


Cerca de 30 pessoas  se reuniram no prédio central da Indústria Criativa, no Campus São Leopoldo, para escutar alunos da Unisinos e da Universidade de Kiel, cidade às margens do mar báltico, no norte da Alemanha. Dentre eles, o mestrando em Física alemão Marko Hullm, 23 anos. “Essa experiência é nova, normalmente, não fazemos isso antes de terminar o doutorado”, contou num português fluente.  O encontro foi na manhã da terça-feira, 10 de setembro.


A atividade integrava o evento Diálogos Internacionais, promovido pelo Programa de Pós-graduação em Linguística Aplicada (PPGLA). O tema desta edição foi “Contatos entre línguas e culturas no Sul do Brasil” A ideia era aproximar esses trabalhos e metodologias, além de discutir contatos linguísticos, documentações e estudos dos dialetos alemães falados no Brasil. O grupo, liderado pelo Diretor de Línguas Românicas da Universidade de Kiel, professor Elmar Eggert, está no Brasil para uma viagem de estudos.


E se você acha que a língua foi um problema, está enganado. Todas as apresentações foram na língua de Camões, já que os estudantes e professores da universidade aprendem o português durante a trajetória acadêmica. Por isso, português e alemão estiveram nas principais discussões da manhã. “As pessoas não falam uma língua por decreto, elas tem que querer”, explica o professor Eggert. Linguística, História, Sociologia e até Física foram as áreas tratadas pelos participantes, que apresentaram uma breve explicação das pesquisas que desenvolvem em nível de mestrado e doutorado dos dois países. Conversando com o Mescla, Marko disse ainda que um desafio do debate foi apresentar o trabalho em uma outra língua, que não a materna,  e na frente de pessoas desconhecidas e de culturas diferentes. Já a brasileira Sabrina Bastos, doutoranda em Linguística Aplicada na Unisinos, contou sobre como o evento agregou na sua formação. “Tem uma raiz social, porque o pessoal da Alemanha se ocupa de problemas de linguagem no uso e das línguas de contato, isso ajuda na formação enquanto doutorando”, explica a estudante. Para ela, a fala da professora Fernanda Von Mühlen foi o ponto alto da manhã. Fernanda completou o mestrado em Linguística Aplicada pela Unisinos e conversou sobre as políticas linguísticas relacionadas ao hunsriqueano, dialeto alemão falado no sul do estado. “É um trabalho muito bonito, porque ela faz um levantamento da percepção dos falantes, além de analisar o passado e o futuro da língua”, contou Sabrina. Ainda para a doutoranda, e também para grande parte dos participantes, eventos como esse são importantes, já que trazem para o público os bastidores da pesquisa. Como resumiu o estudante alemão de Sociologia, Leo Voigt, em bom português, “muito bom”.

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