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O presente e o futuro da infografia
“O Mescla conversou com profissionais do Nexo e da Zero Hora para conhecer as possibilidades que os infográficos oferecem ao leitor”
Pedro Hameister


Elementos visuais sempre andaram lado a lado com o jornalismo. A ideia é tornar as informações mais atraentes ao público. Essa é uma das funções, por exemplo, da fotografia. Além de podermos visualizar os acontecimentos e, com isso, interpretá-los a partir de novos ângulos, a foto contribui também para que um jornal seja mais interessante graficamente do que ele seria se tivesse as páginas cobertas somente com textos. Quem ultimamente tem dividido esse papel com a imagem é o infográfico, recurso cada vez mais utilizado em jornais impressos e na mídia online.

Se a foto cria um registro ou oferece uma estética para a narrativa, o infográfico tem como uma das principais funções facilitar a compreensão de acontecimentos e de dados para o leitor, o que é útil se a matéria for cheia de números. Artigos acadêmicos apontam o infográfico como um recurso utilizado sobretudo quando somente o texto não é o bastante para explicar de forma clara o assunto abordado. E, assim como a foto, ele também pode ser usado para causar impacto visual e levar os leitores a se interessarem pelo conteúdo.

Embora a utilização de infográficos em matérias não seja algo novo, a crescente migração do jornalismo para o mundo online expandiu as possibilidades de se trabalhar com infografia. O principal exemplo disso é o gráfico interativo. Ao contrário do infográfico tradicional e estático, mais comum de ser encontrado no jornal impresso, o interativo permite que o usuário explore mais a fundo as informações e tenha um maior engajamento com elas.

Porém, o boom do infográfico interativo já passou. Pelo menos, essa é a visão de Rodolfo Almeida, jornalista que trabalhou por três anos como infografista do jornal Nexo.

“Isso se deve sobretudo ao menor tempo de engajamento do leitor com materiais jornalísticos, ao imediatismo das redes sociais e ao uso do celular como principal dispositivo de leitura, que, com frequência, exige a adoção de soluções de interatividade diferentes das do desktop”, explica Almeida. Ele afirma que essa visão é partilhada por diversos profissionais dessa área de atuação.

Parte de infográfico produzido por Rodolfo Almeida para o jornal Nexo. Confira o infográfico completo em https://www.nexojornal.com.br/grafico/2017/06/14/O-que-resta-da-mata-atl%C3%A2ntica-no-Brasil

Mesmo assim, Almeida afirma que a infografia no jornalismo online está longe de desaparecer, muito pelo contrário, ela tende a se tornar cada vez mais presente e explorada. Inclusive, ele defende que esse assunto precisa ser mais ensinado nas faculdades de jornalismo para que elas formem profissionais mais preparados para o mercado de trabalho atual. “Apenas pautar, apurar e escrever já não bastam como habilidades do jornalista. É necessário trazer conhecimentos de outras áreas e aliá-los à habilidade de reportagem para a produção de um novo jornalismo”, acredita.

Infografia também em vídeo

Além da interatividade, a internet permite um novo formato aos infográficos que não pode ser encontrado no impresso: o videográfico. A possibilidade de produzir um infográfico em formato audiovisual, com direito a narração e efeitos visuais, faz com que a compreensão da informação seja ainda mais simplificada e acessível para o público.

Naturalmente, um videográfico exige muito mais tempo e trabalho para ser produzido do que um infográfico. Para Jonatan Sarmento, formado em Comunicação Digital pela Unisinos e integrante da equipe de arte do jornal Zero Hora, de Porto Alegre, esse trabalho compensa quando há a necessidade de guiar a pessoa em uma história complexa. “Eu acho que o videográfico é mais fácil de ser consumido. O usuário dá play e assiste o que temos para contar. Alguns infográficos interativos demanda uma certa participação do usuário, já que eles navegam, clicam e exploram o conteúdo. Tudo depende do conteúdo”, explica Sarmento.

O videográfico também pode ser produzido a fim de oferecer uma outra alternativa de formato para compreender um assunto. Como exemplo disso, Sarmento produziu para o jornal Estadão, de São Paulo, o videográfico abaixo que fala sobre a reconstrução da Estação Antártica Comandante Ferraz, base brasileira no continente antártico, que foi destruída por um incêndio em fevereiro de 2012. Ele conta que esse material audiovisual, que levou cerca de dois meses para fazer, foi apenas para dar aos leitores uma outra forma de consumirem o assunto, uma vez que o jornal publicou sobre a estação também em formato impresso e online.

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