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Crítica musical sai do papel e domina a internet
“Podcasts, vídeos e textos online dão uma nova cara ao trabalho de quem opina sobre música”
Pedro Hameister


Com as recentes transformações na forma de se consumir música – especialmente graças à internet e às plataformas de streaming –, houve mudanças também nas profissões relacionadas. Uma delas é a do crítico musical. Profissionais com conhecimento aprofundado sobre música, composição e história de bandas e artistas, deixaram de povoar apenas as páginas impressas de jornais e se adaptaram à era digital.

Conhecidos por trabalharem expondo pontos de vista sobre músicas, álbuns, shows ou EPs (gravação que possui mais de uma faixa inédita, mas não o suficiente para ser considerada um álbum), os críticos musicais têm procurado desbravar novas formas de tecer suas opiniões. A internet levou profissionais experientes a mudarem a forma de como exercem seu trabalho, e deu espaço para novas pessoas exporem suas impressões sobre música, tudo isso somado ao amplo alcance de audiência.

Um tipo de conteúdo muito encontrado atualmente no YouTube é o chamado react, em que uma pessoa ouve uma música ou assiste a um clipe musical e diz o que achou. Muitos dos que produzem esse tipo de conteúdo audiovisual não possuem qualquer conhecimento teórico sobre música, opinando apenas tendo como base o seu gosto musical.

Porém, esse tipo de espaço encontrado na internet – de comentários sobre música com base nos próprios critérios – não deixa de dar vazão à crítica musical. Pelo menos essa é a visão de Rômulo Konzen, uma das mentes por trás do site Crazy Metal Mind, que publica conteúdos em forma de vídeos, textos e podcasts sobre música. Mais especificamente sobre rock e metal. O podcast Crazy Metal Mind conta com mais de 400 episódios, em que Rômulo conversa sobre bandas, cantores e álbuns ao lado do colega Daniel Iserhard e de outros membros da equipe.

Rômulo Konzen é fã de rock e opina sobre o assunto com base no próprio gosto pelo estilo musical

“Querendo ou não, nos textos, podcasts e vídeos do Crazy Metal Mind, a gente critica positiva ou negativamente músicas, discos e artistas. Então, na prática, sim, nosso conteúdo é de crítica musical. Porém, não nos apresentamos como críticos musicais”, explica Rômulo. Ele afirma também que o diferencial da equipe do Crazy Metal Mind é a paixão pelo rock, e que as opiniões expressas são apenas pontos de vista de fãs do gênero musical.

Quem concorda com Rômulo é o colunista Juarez Fonseca, que escreve crítica musical para jornais desde 1972. Atualmente, trabalha como colaborador na GaúchaZH, onde redige notícias e textos opinativos sobre artistas, shows e álbuns. “Assim como o mercado musical é aberto para todos, qualquer pessoa pode criticar e comentar. Não precisa ser tecnicamente formado em música para escrever sobre isso. Grande parte dos críticos musicais da minha geração entraram nisso por gostarem de música”, afirma o jornalista.

Juarez Fonseca possui uma longa trajetória na crítica musical e concorda que a profissão sofreu grandes mudanças com a internet

Juarez e Rômulo possuem trajetórias diferentes dentro da crítica musical: um está no mercado há décadas e faz suas críticas em colunas opinativas na grande imprensa, enquanto o outro trabalha há bem menos tempo e com conteúdo em diversos formatos multimídia independentes. Apesar disso, ambos concordam que a internet é o presente e o futuro não só da crítica, mas de tudo o que cerca a comunicação. O próprio Juarez passou a escrever suas colunas para o site da GaúchaZH.

Em meio a tantos textos, podcasts e vídeos postados na internet opinando sobre a cena musical, um elemento permanece o mesmo em todos eles: a paixão pela música. Seja vindo de alguém que possui larga experiência e entendimento de música ou de apenas mais um fã, a crítica musical, ao que parece, não vai deixar de existir. Apenas vai seguir passando por metamorfoses, conforme vão surgindo novas formas de consumi-la.

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