Deu certo

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O dia em que as criações da Laiza foram parar na Vogue Itália
“Caipora é entidade da mitologia tupi-guarani que habita o mato aterrorizando os caçadores, uma figura mitológica que serviu de inspiração para a coleção de roupas de Laiza Barcellos, estudante de moda da Unisinos do sétimo semestre ”
Guilherme Machado


O trabalho foi inscrito no concurso da Casa de Criadores, o maior evento lançador de novos estilistas da moda brasileira, em conjunto com o movimento Sou de Algodão. Estes espaços unem os principais agentes da cadeia produtiva em torno de um bem comum: a sustentabilidade e o consumo consciente da moda. 

“A ideia era que estudantes de moda do mundo inteiro enviassem fotos com looks criados pela gente e a história desses looks”, conta Laiza. No caso da estudante gaúcha, a história falava sobre matas e a importância da preservação da natureza: “Diante do contexto em que a gente está vivendo de um desmatamento muito forte, por mais que existam ONG’s como Greenpeace e Avasc que se mobilizam para proteger áreas verdes, ainda não existe um apoio governamental forte. A ideia do tema veio por conta da caipora ser a protetora das matas”, falou Laiza.  

Segundo ela, a Casa de Criadores é o primeiro passo para a São Paulo Fashion Week, um dos maiores eventos de moda do Brasil. Mas no meio dessa loucura houve uma reviravolta: uma das fotos com a coleção da estudante que foram produzidas em um antiquário pelo olhar da fotógrafa Manuela Armborst, foi postada no site da revista Vogue Itália, uma das maiores publicações de moda do mundo. 

“Eu e minha amiga fizemos a direção de arte das fotos e combinamos de enviar o material para algumas revistas que pudessem publicar […] quando minha amiga mandou o link da postagem eu disse que não acreditava que ela tinha feito uma montagem”. Ela conta que ficou dois dias rindo sozinha. “A gente nunca tem uma noção do quanto o nosso trabalho é bom, até ver que uma das maiores revistas de moda divulgou o teu trabalho”. 

A Vogue Itália é considerada uma das melhores revistas de moda do mundo. Foto: Arquivo Pessoal

Nas fotos é a própria Laiza quem aparece vestindo os looks, a modelo acabou não comparecendo no dia das fotos e Laiza teve que assumir este papel.

Atualmente, Laiza não possui uma marca, mas está em uma fase projetual realizando trabalhos de modelagem específicos que estão servindo para testar seu grau de dificuldade, avaliar o valor a ser cobrado pelas peças, além de questöes de estamparia manual. A aluna pretende unir moda e arte como se suas peças fossem telas em branco, para futuramente inserir uma marca no mercado. 

Laiza tem 27 anos, chegou na Unisinos este ano, transferida de outra faculdade e está curtindo muito “Tem sido bem legal, tanto os professores quanto os alunos são muito receptivos e com uma preocupação em me integrar na universidade, apesar de eu estar mais avançada no curso. A estrutura da faculdade e o apoio que eles me deram para entrar no concurso foram muito bons”.

E o tempo passou…

Infelizmente, Laiza não ficou entre os finalistas do concurso, ainda assim, se sente realizada com a experiência: “Só de ter tido a oportunidade de sair no site da Vogue que é uma das maiores referências pra quem tá começando a estudar moda e, principalmente, por ser a Vogue Itália que é o berço da revista, foi mais legal do que ter o prêmio” conta.

Em compensação, a estudante de moda conquistou uma vaga no escritório da Renner, no setor de produto. “Tô amando muito toda a dinâmica e visão de negócio! Tirando isso, tenho me dedicado a projetos paralelos para enriquecer portfólio e me lapidar e isso é fruto do concurso que me fez ver o quanto eu consigo extrair de mim mesma quando me desafio a tentar coisas novas, e cada vez mais complexas” finaliza.

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