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Nossa viagem pela Fábrica do Futuro
“Uma aventura sobre compartilhar conhecimento e interagir com arte e tecnologia ”
Guilherme Machado


A Fábrica do Futuro nasceu do desejo de colocar Porto Alegre no mapa da inovação mundial: um ecossistema que reúne e impulsiona iniciativas inovadoras. O que está dito no próprio site do espaço. Para lançar a Fábrica, os organizadores bolaram o Tech Art Festival, um evento cheio de cultura, tecnologia, arte e educação. Minha missão como repórter do Mescla foi cobrir a inauguração ao lado do  professor Daniel (Pedroso) e meu colega no Mescla Gabriel (Ost).


Foto: Guilherme Machado

O espaço fica no bairro Floresta, uma área que já foi uma verdadeira mata virgem, no século XIX (servindo de matéria-prima para as madeireiras da região). O prédio também já abrigou uma antiga fábrica de enfeites de Natal chamada Wanda Hauck, cuja  estrutura foi reaproveitada pelo herdeiro para construir um ambiente totalmente inovador. Na entrada, o som dos músicos dava ritmo às pessoas, alguns agitados e dançando, outros preferiam apenas apreciar a música sentados, bebendo algo.

Dentro da fábrica, na parede do lado direito, fotografias projetavam corpos nus e sem padrões: magros, gordos, negros, brancos, altos e baixos. Naquele momento senti que o ambiente também era de liberdade, havia uma democracia de ideias, corpos e pensamentos, tudo junto e misturado. A feira maker, por exemplo, era um espaço formado por mentes criativas (expositores) dispostas a instigar aqueles que transitavam pelos corredores. A galera do Design da Unisinos, marcava sua presença com a impressora 3D.

A ideia era interagir. Os simuladores de corrida transformavam seus jogadores em pilotos com os óculos 3D, e os movimentos da cadeira davam um tom de realidade ao jogo. A arte do grafite convidava crianças e adultos que passavam pela mesa colorida na entrada da fábrica a produzir suas próprias pinturas. No final do primeiro andar, em uma imensa parede, se projetava um formigueiro, uma analogia ao conceito da Fábrica do Futuro, que só fui capaz de compreender com a fala do fundador Francisco Hauck: muitas formigas vivendo juntas e colaborando umas com as outras para criar um ambiente de inovação.

Evelyn Mendes, programadora, mulher trans, usava um boné vermelho escrito “Deusa”. Era bem humorada e tinha uma fala eloquente. Perguntamos a ela sobre a importância do evento; silêncio: “Sabe que eu nunca havia pensado nisso” disse. Então, resolvemos dar um tempo, deixá-la pensar. Evelyn contou que a imersão proporcionada pela Tech Art trazia muito mais coesão às palestras e atividades que estavam acontecendo. Em sua palestra “A importância da diversidade no universo tech”, falou sobre como o respeito deve ser gradativo, se não respeitamos o gênero feminino como podemos respeitar transexuais, travestis e intersexuais, a intolerância nunca é uma só e sim um conjunto.


Confere o teaser do evento e clica aqui para assistir à matéria em vídeo!

Vídeo: Gabriel Ost

Seguimos; mais pessoas, vozes e agitação. Cada exposição carregava o desejo de mostrar algo inovador, experiências imersivas em 3D maravilhavam quem se arriscava a entrar em outras realidades. No segundo andar, o espaço Zen aliava meditação e tecnologia: enquanto corpos humanos permaneciam na terra, a mente viajava pelo universo digital. O pianista encantava ao som de comptine d’un autre été, a melodia suave do filme ˜O Fabuloso Destino de Amélie Poulain˜. Tentei registrar sua imagem, mas ele virou o rosto, queria ser apenas a trilha sonora.

No meio da multidão a voz que mais ecoava era a da mulher. Cynthia Zanoni, fundadora da WoMakersCode, uma comunidade técnica dedicada ao protagonismo feminino na tecnologia, estava lá para provar. Era gigante em sua objetividade e conhecimento, não à  toa foi reconhecida como uma das mulheres mais influentes da América Latina, na área digital. Sua palestra era um convite a todas aquelas que já sonharam em trabalhar com tecnologia: “Mulheres na tecnologia – a hora é agora!”.

Marina Bortoluzzi, co-fundadora do Instagrafite, a maior galeria de arte de rua do mundo, falou sobre “A arte de interagir”. Para ela, hoje, a arte deixa de ser contemplação e passa a ser conteúdo, conceito conhecido como Spect-Actor, que envolve o espectador com a arte. Seu sorriso transcendia em cores, assim como seu projeto que buscava mudar realidades e criar um mundo mais próximo da cultura.


Foto: Guilherme Machado

No terceiro andar, In Hsieh, sócio da China Innovation, empresa que fomenta a aproximação entre mercados do Brasil e China, falava sobre como criar unicórnios binacionais. Fiquei um pouco confuso até descobrir que se tratava de startups capazes de arrecadar valores muito altos antes mesmo de vender suas ações ao público.

O estúdio Audio Porto, com uma área de mais de 900m², destacava-se por sua acústica impecável. O músico Ian Ramil, filho de Vitor Ramil, encantava o público com sua melodia autêntica e provocadora. Ao som do violão, Ian, que já levou o Prêmio Açorianos de melhor compositor em 2016 e o Grammy Latino de melhor álbum de rock em língua portuguesa, quebrava o silêncio do público que o ouvia atentamente.

O ambiente era de compartilhamento, interação e principalmente de aprendizado. Apesar de ser um espaço descontraído o papo era sério! A ideia era falar do futuro, sobre ideias e expectativas a serem realizadas. Estava em um universo de possibilidades, onde a transformação começava a partir de si. Todos sabiam que aquele evento era apenas o início de uma série de mudanças em busca de um mundo cada vez melhor.

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