Autoconhecimento e libertação: as lições de Monja Coen - Portal da Indústria Criativa


Autoconhecimento e libertação: as lições de Monja Coen

Na 64ª Feira do Livro de Porto Alegre, a religiosa ressaltou a importância da meditação no dia a dia

Postado em: 23/11/2018
Por: Luiza Soares

Por meio de práticas do budismo, de meditação e de técnicas zen, Cláudia Dias Baptista de Sousa, conhecida como monja Coen Rōshi, ensina a manter o foco, desenvolver tarefas com concentração, ser mais assertivo e atingir objetivos, tudo em seu novo livro: “Zen para Distraídos: Princípios para viver melhor no mundo moderno”.  

Com oito obras já lançados, Coen é uma monja zen budista e missionária oficial da tradição Soto Shu. Também é fundadora da Comunidade Zen Budista, criada em 2001, em Pacaembu, São Paulo. Estudou sobre religião nos Estados Unidos em 1983, e logo depois viajou ao Japão e converteu-se ao budismo no Convento Zen Budista de Nagoia – Aichi Senmon Nisodo e Tokubetsu Nisodo 

De volta à São Paulo, em 1995, liderou atividades no Templo Busshinji, tornando-se a primeira mulher e a primeira monja de ascendência não-japonesa a assumir a Presidência da Federação das Seitas Budistas do Brasil por um ano.

Este ano, a autora marcou presença na Feira do Livro para lançar seu trabalho. Coen explicou que a ideia do título veio de situações corriqueiras, da rotina. “Nós nos distraímos bastante, por isso tem a obra. É um zen para nós que nos distraímos com essas provocações do mundo, faz com que nos tire um pouco do foco. Como que a gente pode voltar pro foco?”, questiona. 

“Como que a gente, através de respiração consciente, de postura, livros que a gente lê, programas que a gente escolhe assistir, faz com que estimule suas sinapses neurais para que você encontre o estado de equilíbrio? Um estado de presença absoluta, pra você tomar decisões acertadas na sua vida, no que você fala, no que você pensa e como você age no mundo”. 

Sobre a busca de qualidade vida zen fora dos centros urbanos, Coen revelou a realidade de quem mora no campo: “Fizeram uma pesquisa recentemente e o resultado é que muitos estão tomando remédios nas áreas campestres. Então não é uma coisa dos centros urbanos em si, e sim uma coisa do ser humano”, explica a monja. Para ela, a procura do autoconhecimento é “uma libertação, tanto pessoal e individual, como social”, o qual resulta em uma melhor perspectiva de vida. 

 “Por isso eu recomendo muito, porque conhecer a si mesmo, é conhecer a vida da terra. Porque você é a vida da terra, e o seu cuidado que passa a ser com a diversidade da população da terra, não só humana, mas de todas as formas de vida que permitem você viver. Então essa mudança de olhar é muito importante, sair do meu “euzinho” pequeno, eu, meu grupo e meus amiguinhos, pra uma coisa muito maior, que somos essa vida de todo esse universo pulsando”. 

 

(Foto: Tomas Arthuzzi / Reprodução)

Em sua visita à Capital gaúcha, monja Coen salientou que Porto Alegre, e outras cidades do Estado, trabalham com centros budistas, como o “Via Zen” no bairro Petrópolis da Capital, e um na área rural de Viamão, o “Vila Zen”. Em São Leopoldo, a autora cita o “Zen Vale dos Sinos”. 

Para ela, as religiões que têm princípios e valores semelhantes e éticos podem se unir num projeto para criar uma sociedade mais justa e mais respeitosa. “O encontro inter-religioso que não é para convencer o outro da sua religião, é para apenas dizer ‘pertenço a essa ordem e estou aqui para fazermos juntos um mundo melhor’”, explica Coen. 

Sobre as expectativas para o futuro, monja relatou que o respeito e o amor são as respostas para as provocações do mundo. “O que virão, nós não podemos saber. O que está por vir, eu não sei, mas eu sei que cada um de nós pode preparar-se para ser um ser mais ético, mais bondoso, mais carinhoso e mais capaz de, não de reagir, mas de responder as provocações do mundo”. 

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