Literatura nigeriana em debate na Feira do Livro de Porto Alegre - Portal da Indústria Criativa


Literatura nigeriana em debate na Feira do Livro de Porto Alegre

Mesa redonda comentou as dificuldades da mulher negra na Nigéria

Postado em: 12/11/2018
Por: Lucas Alves

Mais de 20 mil pessoas lendo a mesma história simultaneamente. Isso aconteceu durante a curadoria de Chimamanda Adichie, organizada pela TAG Livros, em 2017. Na época, o clube de assinaturas literárias indicou a seus associados a obra “As alegrias da maternidade”, da escritora nigeriana Buchi Emcheta (1944-2017). A temática abordada no livro voltou a ser debatida na 64ª Feira do Livro de Porto Alegre, na última sexta-feira (9).

A mesa redonda “Buchi Emcheta: o que a literatura da Nigéria pode ensinar ao Brasil”, ocorreu no Auditório Barbosa Lessa, do Centro Cultural CEEE Erico Verissimo. A conversa foi conduzida pela poeta gaúcha Eliane Marques e cotou com participações do autor Rodrigo Rosp e da analista de conteúdo da TAG Nicolle Ortiz.

A poeta iniciou as atividades lendo trechos de “A imaginação africana: literatura na África e na diáspora negra”, de Francis Abiola e de “O mundo se despedaça”, de Chinua Achebe. O propósito de Eliane foi denunciar a imagem estereótipo em que os negros eram encaixados por autores brancos. Os agentes europeus, na verdade, aproveitavam suas influencias para desvalorizar os africanos e outras pessoas de pele escura.

“Unir 22 mil pessoas com um livro é algo muito forte. Muito grande. Todas essas pessoas poderão formar uma opinião a partir dessa leitura”, destaca Eliane Marques.

Buchi Emecheta, que faleceu em janeiro de 2017, conseguiu transmitir em sua obra a visão que os agentes tinham dos povos africanos. Além de “As alegrias da maternidade”, outro livro de Emecheta foi debatido na mesa redonda. “Cidadã de segunda classe” também traz temáticas de opressão cultural da mulher nigeriana. Essa história se passa nos anos 60. Adah, personagem principal, busca conquistar uma vida independente para si e seus filhos em outro país. Na Inglaterra. porém, ela volta a encontrar grandes desafios, como racismo e xenofobia.

Rodrigo Rosp foi um dos interlocutores da tradução realizara pela editora Dublinense para o Brasil. O autor falou sobre a negociação dos direitos autorais. Por conta do falecimento da romancista, o acordo foi realizado com Sylvester Onword, seu filho.

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