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Lucas Couto

“É muito louco o fato de que a gente tem que escolher o que vai fazer para o resto da vida durante a escola”

Postado em: 17/09/2018
Por: Natan Cauduro

Lucas Couto tem 25 anos e nasceu em Manaus (AM). Mas o coração do amazonense pertence ao sudeste do país, em especial a Minas Gerais. A família é natural do estado e Lucas tem a cidade de Belo Horizonte como lar. O mineirinho de alma é formado em Design de Produto e trabalha na área. Hoje vive na Noruega, na cidade de Trondheim. 

O Aventureiro 

Lucas é um viajante nato. Na vida pessoal, morou em diferentes cidades. Passou por Belo Horizonte, Sete Lagoas, Divinópolis e Pitangui, todas pertencentes a Minas Gerais. Lucas também viveu em municípios do Espírito Santo, Ceará, São Paulo, Amazonas e Rio Grande do Sul. Fora do Brasil, residiu na Europa, em Portugal e na Noruega. Na carreira profissional, atuou em diversas empresas, como Bertussi Design, Grupo Criativo, IDEA Belo Horizonte (fundada pelo próprio Lucas quando ainda estava na faculdade) e EGGS Design, onde trabalha atualmente. 

Durante os anos de experiência profissional, o jovem conquistou prêmios e teve iniciativas de sucesso. Em 2013, trabalhava desenhando móveis compensáveis. Ele, junto de um amigo, foi finalista do Salão Design, maior premiação de Design de Produto da América Latina. Um trabalho de 2015 produzido na Bertussi, em que Lucas fazia parte da equipe, ganhou um German Design Award 

No final de 2016, junto do amigo Thiago, ele criou a comunidade no Instagram Weeklydesignchallenge. Com mais de 43 mil seguidores, a proposta é lançar desafios semanais que incentivam a comunidade interessada em desenhar produtos diferentes. Os melhores sketches são repostados na hashtag de mesmo nome. No final de 2017, enquanto procurava emprego, a proposta de trabalhar na Noruega surgiu e foi aceita com entusiasmo. 

Lucas durante um workshop de modelagem em 2015. / Foto: Facebook

A criança e a criatividade 

Lucas é libriano e filho único. O pai, Divino Couto, trabalhava com injeção plástica. Por conta disso, era constantemente chamado por empresas de diferentes municípios para exercer a função. O pai e a mãe, Ana Maria Nunes de Souza, acabavam gostando das cidades e decidiam fixar residência, o que explica as inúmeras mudanças pelas quais o menino passou. Lucas cresceu ouvindo sobre plásticos, visitando fábricas, era fascinado por Lego, gostava de desenhar e brincar com massas de modelar. Ele acredita que esse combo foi responsável por guiá-lo pelo mundo do design.   

“É muito louco o fato de que a gente tem que escolher o que vai fazer para o resto da vida durante a escola”, reflete Lucas. Ainda na adolescência, as ideias de curso superior vagavam entre Engenharia Civil e Arquitetura. Na época do vestibular, em 2011, Lucas foi aprovado na Universidade do Estado de Minas Gerais – UEMG, em Design de Produto, um curso que escolhera por acaso. “Na primeira semana de aula eu já estava apaixonado, e no final do primeiro semestre eu já sabia que era aquilo que eu queria fazer pro resto da minha vida”, conta. 

Lucas Arthur de Souza Couto / Foto: Facebook

Autonomia e sucesso 

Ainda cedo no curso, Lucas percebeu que precisava ir além para garantir as oportunidades de trabalho. Ele relembra que passou por momentos complicados durante o segundo ano de Design de Produto. Segundo ele, “se quisesse ser designer de fato, deveria correr atrás por conta própria. A faculdade não era a base pra tudo. Você precisa de portfólio e skills, e, durante a faculdade, o aluno tem pouco tempo para desenvolver um portfólio decente”, comenta. 

Como forma de se aprimorar, Lucas voltou-se para o Behance, uma ferramenta para criação e divulgação online de portfólio. Através dele, o mineiro passou a acompanhar o que os principais designers do mundo estavam fazendo. Ele procurava por influências, estilos, modos diferentes de produzir. Lucas decidiu fazer projetos pessoais em casa, participar de concursos e até fundou uma empresa, a já mencionada IDEA Belo Horizonte. Focado no trabalho, o mineiro construiu um bom portfólio e em 2015, todo o esforço foi compensado. A Bertussi Design, de Porto Alegre, o contratou. Lucas trancou o curso na UEMG e, sem pensar duas vezes, foi para a capital gaúcha. 

Em Porto Alegre, a chance de trabalhar no Grupo Criativo fez com que Lucas transferisse o currículo para a Unisinos. O mineiro disse ter gostado da infraestrutura da universidade e dos professores por serem prestativos.  Na avaliação dele, o currículo do curso é bom, porém ele acredita que a cobrança em sala de aula poderia ser maior, assim como o nível exigido dos trabalhos.  

Para Lucas, o professor e coordenador do curso, André Canal Marques é excelente e disposto a resolver qualquer problema, além de ser um professor muito paciente. “A disciplina de Propriedade Intelectual foi uma das que mais me marcou, pois aprendi coisas relevantes para o trabalho que eu desenvolvia no dia a dia” disse Lucas. 

 

Produto desenvolvido por Lucas. É um dos itens pertencente à marca Migo. / Foto: Reprodução

 

De BH à Europa 

Na visão do mineiro, o povo norueguês é muito educado e envergonhado. Pessoas tímidas, porém muito amigáveis. Os clientes que atende tendem a seguir o mesmo padrão. Mas quando comparados com os brasileiros, os noruegueses se saem melhor. Para ele, a Noruega é um país que valoriza o profissional. Diferenças salariais existem, porém são baixas. O país também está entre os mais caros do mundo. “Tudo é absurdamente caro. Uma lata de cerveja aqui custa cinco vezes o que custaria no Brasil, um pimentão custa cerca de 15 reais. Mas o salário paga esses custos”, expõe. 

Industrial Design é Industrial Design em qualquer lugar. O que muda mais é o tipo de cliente, as áreas em que a gente atua”, conta Lucas. Na Noruega, ele trabalha com o design de produtos tecnológicos e eletrônicos, áreas pouco desenvolvidas no Brasil. Segundo ele, a percepção do valor do design muda entre países porque “as pessoas aqui (Noruega) tem uma bagagem muito maior de cultura e design desde a escola. Arte e cultura nas escolas do Brasil são vistas como perda de tempo, disciplina para brincar com os amigos e pintar com os dedos”. 

Exemplo a ser seguido 

Já formado, Lucas tem no portfólio trabalhos criativos e interessantes, a maioria disponível online. Ficou interessado(a) em conhecer o trabalho dele? Clica para ver tudo. Esse aqui é o trabalho de graduação dele.

 

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