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Cinema e publicidade lado a lado

Lucas Reis, aluno de Publicidade e Propaganda da Unisinos, trouxe para casa um prêmio do Festival de Cinema de Gramado

Postado em: 31/08/2018
Por: Kellen Guaragni Dalbosco

No coração do mês conhecido como o mais longo do ano, o 46º Festival de Cinema de Gramado colocou nos holofotes do cinema nacional produções locais e independentes. Um dos filmes que integrou a seleta lista de curtas gaúchos exibidos no evento, foi “Abismo”, de Lucas Reis, estudante do curso de Publicidade e Propaganda da Unisinos.  Além de conquistar um espaço no Palácio dos Festivais, ele subiu o tapete vermelho para levar para casa o Troféu Assembleia Legislativa de Melhor Edição de Som.   

Para entender a relação entre Lucas, a publicidade e o cinema é preciso rebobinar a história para antes mesmo da sua graduação em Realização Audiovisual na Universidade Luterana do Brasil (ULBRA Canoas). Ele começou a cultivar a paixão por produções cinematográficas na infância, quando dedicava as férias escolares às fitas VHS locadas. Seu gênero favorito, o terror, seguiu com ele durante a graduação, inspirando seus dois primeiros filmes, de horror.   

 

Lucas Reis com o Troféu Assembleia Legislativa de Melhor Edição de Som, vencido por Guilherme Cássio | Fotos: arquivo pessoal

 

Mas antes se tornar um realizador audiovisual, com direito a prêmio em festival, Lucas passou pelo sonho de ser ator. “Quando eu fiz cursos de atuação para a TV, eu comecei a ver que eu não era tão bom quanto imaginava. Então eu comecei a me envolver com o cinema de maneira profissional. Comecei a comprar livros para entender mais como funcionam as funções e fui me convencendo cada vez mais de que era isso que eu queria fazer”, conta.  

Com o diploma em mãos, deparou-se com um mercado de trabalho não consolidado, e apostou em uma nova graduação. Desta vez, em Publicidade e Propaganda. “Quem trabalha no mercado audiovisual nacional, se desdobra em muitos para trabalhar em todas as sessões.  É difícil você viver somente de cinema, então você acaba fazendo publicidade, que é o que se produz no mercado brasileiro, e acaba tendo essa troca do cinema e da publicidade muito forte com a galera que trabalha com produção audiovisual no rio grande do sul. 

 

“A publicidade é um campo que eu não tinha conhecimento, de como funciona o texto, o atendimento, o processo de pensar uma estratégia. Então o bônus é isso. Eu gosto da publicidade, não é um curso que eu escolhi por acaso, era um curso que eu realmente tinha interesse, então eu acho bacana por isso, são novas visões que acabam me agregando muito. ”

 

“Muitos cineastas têm formação de publicidade, porque em muitos lugares não existem cursos de cinema, então isso é bem entrelaçado, uma acaba andando do lado do outro”, comenta Lucas.   Ele ainda acredita que, de um modo geral, principalmente do Brasil, as áreas de comunicação andam juntas, o que acaba formando multiprofissionais, com capacidades de realizar diversas funções.  

Um áudio e os pesadelos da noite passada 

Foi por ver a publicidade e o cinema lado a lado que o desejo de continuar a produzir seguiu movendo-o. E, se muitos pensam que ele deixaria o cinema na estante para dedicar-se a nova graduação, Lucas provou o contrário. Neste ano, a paixão pela sétima arte virou produção: “Abismo”. O curta abraça um desejo já antigo dele: trabalhar com um estilo inspirado em seus diretores favoritos e falar sobre um assunto realista e político. E conseguiu. “Abismo” trata de uma questão social muito presente no Brasil, a violência contra a mulher.  

 

 

Para tratar de um assunto delicado, Lucas contou com a ajuda e opiniões de colegas, além de ter 50% da equipe composta por mulheres. “Como sou homem, não me senti, no início, preparado para falar desse assunto, já que eu nunca sofri nenhuma violência. Mas quando eu escrevi meu argumento, conversei com algumas amigas sobre o que elas achavam. Elas gostaram muito e me incentivaram a fazer, falando ser um tema super relevante, o que me deu confiança para escrever o roteiro”, conta.  

Mas nem só com feedback positivos e câmeras nos sets de filmagens se faz um filme, pelo contrário. Com orçamento limitado, cerca de R$1500, a realidade de uma produção independente mostrou-se complicada para o realizador. Com uma equipe reduzida, formada principalmente por amigos e ex-colegas do curso de Cinema, Lucas teve que se desdobrar para cumprir as diversas funções acumuladas (direção, roteiro, montagem e edição e produção executiva), além de acompanhar todos os processos envolvidos nas filmagens.

 

 

“É difícil você gastar todo o seu salário em um filme que você não sabe o que vai receber, não sabe se vai ser um bom filme. É uma aposta no futuro. “Abismo” foi um filme que acabou compensando esse trabalho: foi selecionado para o Festival de Cinema de Gramado e ganhamos um prêmio. Ele ainda está no início da jornada, tem um ano inteiro pela frente para festivais, mas o esforço já valeu a pena”, conta.  

 

 

Além e acreditar na ideia, cultivar o desejo pela realização audiovisual e apostar tudo na produção de um novo filme – apostar, inclusive, o salário inteiro nisso – o realizador precisa de uma equipe que acredite, tanto quanto ele, no trabalho. E disso Lucas sabe bem. “Quando um realizador faz um filme independente, as pessoas não estão recebendo, elas ajudam porque elas têm um carinho por você porque é um projeto que elas apostam também”, conta.

 

“Não é uma coisa que muda a minha vida (o festival) radicalmente, mas que é uma alegria estar participando disso, você vê que está no caminho certo. Vamos continuar tendo todo esse estresse, nos preocupando com essas questões. A persistência acaba fazendo isso valer a pena.”

 

Subir no palco de um dos principais festivais de cinema do país, ainda mais para buscar uma premiação, foi um momento único. “É algo que é extremamente gratificante, mas é cansativo e estressante também. Eu torcia muito para que fosse para Gramado, mas não contava muito com isso, porque os filmes lá são muito bons, com dinheiro e grandes atores. E a gente chegou lá e conquistamos um prêmio”, lembra. 

 

 

Apesar do roteiro parecer, realmente, de cinema, a história não termina no Palácio dos Festivais e Gramado, cidade conhecida pelos encantamentos do Natal, foi mais uma cena na vida do realizador. “Cinema é minha vida, então o meu desejo é ser um realizador profissional. Já estou entrando nesse universo da produção audiovisual, concorrendo com grandes profissionais da área, meu desejo é continuar nesse universo crescendo cada vez mais. Eu espero que eu consiga seguir essa linha crescente trabalhando com o que eu realmente amo fazer”, conta Lucas.  

 

Lucas Reis e Guilherme Cassio, responsável pela edição de som

Equipe completa:  Wagner Costa, Laura Hickmann, Caroline Genro, Luiz Gonzalez, Jéssica da Silva Alves, Renata Rezende, Nicole Persé, Guilherme Cássio, Gabi Kopp, João Henrique Mattos, Augusto Cruz, Eduardo Reis, Diovany Coutt, Sérgio Albeche, Felipe Oliveira dos Santos, Mayra Silva 

 

“Eu gostaria de fazer um agradecimento especial a todas as pessoas que tornaram esse filme possível e dizer o meu mais sincero muito obrigado, mesmo, porque foi uma experiência maravilhosa para mim e que eu gosto muito de todos vocês.”

 

O filme ainda não está disponível por estar circulando por festivais, mas o trailer pode ser visto aqui: 

FICHA TÉCNICA
Direção e Roteiro: Lucas Reis
Elenco: Laura Hickmann, Caroline Genro e Luiz Gonzalez
Direção de Fotografia: Wagner Costa
Montagem e Edição: Lucas Reis
Produção Executiva: Lucas Reis e Wagner Costa
Produção: Nicole Persé
Assistente de Direção: Renata Rezende
Assistente de Camera: Eduardo Reis
Assistente de Set: Diovany Coutt, Sérgio Albeche e Felipe Oliveira dos Santos
Making Off: Mayra Silva
Direção de Arte e Figurino: Gabriela Kopp
Som Direto: Augusto Cruz e João Henrique Mattos
Edição de som e Mixagem: Guilherme Cássio

 

 

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