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Matheus Heinz

“Descobri que o cinema ia muito além da experiência de assistir a um filme, mas um exercício de se colocar na pele do outro, ter empatia”

Postado em: 20/08/2018
Por: Luiza Soares

Matheus Heinzelmann Soares se formou pela Unisinos em Realização Audiovisual em 2015, e a partir dessa experiência adotou o nome artístico “Matheus Heinz”. Durante o curso, conquistou prêmios como melhor montagem da Assembleia Legislativa no Festival de Gramado de 2013, pelo documentário “Codinome Beija-Flor”, e melhor filme júri popular da Mostra Seis, pelo seu curta metragem “Um Estranho Ninho”. 

Ainda quando criança, Matheus expressava o sonho de se tornar um diretor de cinema. A vontade se mostrava quando brincava de teatro e fazia a direção de peças. Na época, suas primas eram as “atrizes”. Matheus explicava como deveria ser a cena, quando deviam chorar, rir, montava o cenário todo na cabeça. Na adolescência, quando ganhou a primeira câmera filmadora, realizava pequenos curtas metragens, como “O Espantalho”, filmado com toda a família atuando. 

Matheus entre seus primos na infância

Desde a infância já se relacionava com o mundo das artes e da Indústria Criativa. Com o pai na área da fotografia e a mãe no jornalismo cultural, Matheus sempre se sentiu conectado com as artes, filmes e as diversas formas de expressões artísticas. Essa influência o levou a se interessar por filmes e como eram produzidos, juntou dinheiro e comprou seu próprio chroma key para poder fazer os próprios filmes em casa. 

“Eu sempre quis trabalhar com algo relacionado com artes em geral, desde literatura a cinema por influência familiar. Um tio fez uma vez um teatro com caixa de geladeira, e uma das minhas brincadeiras favoritas era simular peças com fantoches. As diversões de final de semana era ir ao cinema com meus pais. Então acho que daí que nasceu a vontade de trabalhar com isso”, explica Matheus sobre o início da sua paixão pelo cinema. 

Ao ingressar na Unisinos, em 2011, no curso de Realização Audiovisual, o jovem universitário conheceu os diversos panoramas do cinema e nomes de cineastas consagrados. “O curso foi a minha porta de entrada para o cinema, descobri cineastas que nunca tinha ouvido falar e vertentes de filmes totalmente inesperadas. Descobri que o cinema ia muito além da experiência de assistir a um filme, mas um exercício de se colocar na pele do outro, ter empatia”.  

Foto: Mostra SeIS

Foi indicado em festivais como o 1º Prêmio Festival de Cinema Universitário de Porto Alegre, Festival do Audiovisual Luso Brasileiro, também na Semana da Imagem e do Som, além da Mostra da Diversidade Sexual de Campinas. Conquistou prêmios no Festival de Gramado de 2013, na categoria “Melhor Montagem” e na Mostra Seis, como “Melhor Filme”. “Em nenhum dos casos eu esperava ganhar”, recorda Matheus sobre quando levou para casa prêmios. O seu prêmio de Gramado foi o grande reconhecimento do jovem estudante que recém estava criando sua carreira no cinema.  

“No caso do Festival de Gramado a equipe inteira estava bem descrente que fossemos levar alguma coisa, por ser nosso primeiro trabalho e por estar concorrendo com gente conceituada que já atuava há bastante tempo no ramo. Só estar concorrendo ao lado deles já era super importante para nós. “Quem me entregou o Prêmio foi o Giba Assis Brasil, grande montador brasileiro e pessoa que eu admiro muito” 

Foto: Vinicius Reis/Agência ALRS

Além dos prêmios e de indicações em mostras, em 2015 Matheus foi selecionado para um curso de roteiro do Festival Varilux de Cinema Francês, no Rio de Janeiro. “Era uma oficina sobre elaboração de roteiros para série televisiva, os professores eram todos conceituados roteiristas franceses”, explica Matheus. 

No mesmo ano, recebeu nota máxima e distinção no seu Trabalho de Conclusão de Curso: “A Depressão do Coração de Ouro: a transição das mulheres altruístas para as egoístas na visão de mundo pessimista de Lars Von Trier”. Nele, Matheus fez uma análise comportamental das mulheres personagens em de seus filmes, de como nos primeiros filmes do diretor elas são personagens altruístas e com o passar dos filmes começam a adotar uma postura mais egoísta, e os motivos por trás dessas mudanças de hábitos. 

Matheus durante a formatura da graduação de Realização Audiovisual em 2015

Atualmente, Matheus administra uma cafeteria em Porto Alegre. Mas isso não o impediu de deixar de trabalhar com o cinema. Para movimentar as redes sociais do estabelecimento, o jovem criou animações feiras a partir de imagens retiradas de enciclopédias antigas, além de que as mesmas imagens decoram as paredes do local. “Como dediquei esse ano para a nossa cafeteria, não tem sobrado muito tempo para meus projetos pessoais. Mas o tempinho que sobra uso para fazer animações em cut out, estilo ‘Monty Phyton’. Parte delas uso para promover o café, as outras farão parte de um canal no YouTube que pretendo fazer”, explica Matheus sobre o seu projeto de animações. 

 

Montagem realizada por Matheus Heinz para a cafeteria em que trabalha

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