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#TEDxUnisinos: Rodrigo Lopes

Postado em: 01/08/2018
Por: Eduarda Bitencourt

Uma história permeada por zonas de guerra e de catástrofe, assim se pode explicar boa parte da vida jornalística de Rodrigo Lopes. Repórter especial da Zero Hora e com mais de 20 anos dedicados ao jornalismo, ele encontrou na cobertura internacional “uma maneira de contribuir com a sociedade e ajudar a mudar o mundo”, ambos motivos que o fizeram escolher pelo curso quando jovem. 

Na infância, Lopes colecionava as revistas Superinteressante e National Geographic e as camisetas com a palavra “imprensa” presenteadas pela prima jornalista Simone Lopes. O mundo fascinava Rodrigo, e o bairro Bom Fim, onde nasceu e foi criado, logo se tornou pequeno. Os sonhos profissionais, entretanto, passavam longe do jornalismo. Ele queria ser bioquímico, publicitário ou comissário de bordo. Ele brinca que, tirando a parte da química, deu quase tudo certo. “Eu acho que a infância e a adolescência da gente acabam moldando o ser humano que tu és, os interesses que tu tens. Essa curiosidade pelo mundo e pelas diferentes culturas te determinam. Não necessariamente um jornalista, mas um cidadão multicultural”, explica.

Foto: Arquivo pessoal

No primeiro semestre da faculdade foi contratado como auxiliar de redação da Zero Hora e o contato mais próximo com o mundo jornalístico mostrou que ele havia escolhido o caminho certo. Formado em 2001 pela UFRGS, Lopes embarcava em 2003 para a primeira cobertura internacional, na eleição da Argentina. O final da crise política e da era Menem deram a Rodrigo a chance de se desenvolver como profissional multimídia. Ele começou a passar boletins por rádio e texto. Mais tarde, o vídeo e a TV também se tornariam constantes na vida dele. A série de reportagens “Uma nova chance para a Argentina” rendeu o prêmio Rei da Espanha de Jornalismo. 

Após isso, as páginas do jornal começaram a se encher das visões e coberturas de grandes acontecimentos vistos por Rodrigo. “Eu vi que a minha área mesmo era internacional, é o que eu gosto de fazer. Gosto dessa coisa de testemunhar a história acontecendo na tua frente”, explica. E os acontecimentos históricos em que Rodrigo esteve presente foram muitos nos anos seguintes. Morte do Papa João Paulo II, furacão Katrina nos EUA, Guerra entre Israel e o Grupo Libanês Hezbollah (2006), Primavera Árabe, terremoto do Haiti (2010), resgate dos mineiros do Chile, eleições de Obama e Trump e a guerra no Iraque foram alguns dos momentos que o jornalista presenciou. 

Foto: Arquivo pessoal

Sobre os momentos dramáticos vividos em guerra, Rodrigo reforça o papel do repórter (DE) estar no centro dos acontecimentos e como nunca estamos preparados para as situações extremas. “Quando o editor me diz “Rodrigo, vamos para o Líbano”, eu não titubeio, é sonho de uma vida inteira cobrir uma guerra. Embora seja algo dramático, triste e ruim, o ser humano sempre esteve em guerra, então, de um ponto de vista antropológico, é um fenômeno muito interessante. É o auge da carreira de um repórter porque ela te coloca à prova todos os teus saberes e capacidades”, conta. 

A emoção também é tema que pauta a escrita de Rodrigo. Para ele, é impossível deixar de lado algo tão importante e impactante vivido durante a cobertura. “Eu não acredito em jornalismo frio, afastado das coisas humanas. Busco dar nome e sobrenome para o que muitas vezes vira números em relatórios frios da diplomacia”, enfatiza.  

Foi pensando em compartilhar as experiencias vividas nas coberturas internacionais que em 2012 lançou o livro Guerras e Tormentas: Diário de um correspondente internacional. Unindo 14 coberturas, o livro ficou entre os finalistas do prêmio Jabuti na categoria Reportagem. Foi com o lançamento da obra que Rodrigo recebeu convites para ser professor de Jornalismo. “Gosto muito de compartilhar experiências e com os alunos é uma troca constante. Já não me imagino mais só como repórter, ou só como professor, eu gosto dessa coisa de unir os dois”, resume. 

As fronteiras, tema do TEDxUnisinos deste ano, estão presentes em toda a cobertura de Rodrigo. Religiosas, étnicas e territoriais, elas permeiam a vida do correspondente internacional e representam uma mudança para Rodrigo. “Depois que eu volto de uma cobertura, sempre considero que volto melhor, se não for como profissional, ao menos como ser humano”, finaliza.

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