Por dentro

#Angela Davis #Aryane Cararo #Carta Capital #Chimamanda Ngozi Adichie #Djamila Ribeiro #Duda Porto de Souza #Estados Unidos #Extraordinárias: mulheres que revolucionaram o Brasil #feminismo #movimento feminista #mulheres raça e classe #Naomi Wolf #O mito da beleza #O que é lugar de fala? #O segundo sexo #Para educar crianças feministas #Quem tem medo do feminismo negro? #Sejamos todos feministas #Simone de Beauvoir #TEDTalks #TEDx #TEDxEuston
Leituras que revolucionam
“”

No dicionário, feminismo é definido como uma “doutrina que preconiza o aprimoramento e a ampliação do papel e dos direitos das mulheres na sociedade”. Na prática, a palavra vai além, trazendo significados e representações, que podem diferenciar-se de uma pessoa a outra. Muitas escritoras, militantes e pesquisadoras dedicaram a vida a estudos sobre o feminismo, e algumas reflexões transformaram-se em obras aclamadas da literaturaPara compreender o movimento, separamos uma lista de sete livros questionadores, escritos por mulheres que mudaram ou influenciaram os pensamentos feministas. 

Mulheres, raça e classe (Angela Davis)

Fotos: Reprodução

Para iniciar a lista, um clássico da literatura feminista. A autora Angela Davis é uma mulher negra, nascida na década de 40, no estado norte-americano do Alabama. Ela foi integrante do Partido Comunista Americano, militante feminista e perseguida política, chegando a ser presa duas vezes. Toda essa carga empírica fez dela uma das autoras mais lembradas quando o assunto é feminismo, e, principalmente, do viés negro.  

O livro foi lançado nos Estados Unidos em 1981, mas somente em 2016 foi traduzido e publicado no Brasil. “Mulheres, raça e classe” é uma obra reveladora, que desmistifica, ao longo dos 13 artigos que o compõe, diversos conceitos e práticas da época. Traz, logo no início, o legado deixado pela escravatura a comunidade negra nos Estados Unidos e passa por questões como o sistema carcerário e a regulamentação do trabalho das empregadas domésticas.  

Angela foi uma das pioneiras das discussões de gênero dentro do movimento negro e conseguiu aliar academia e militância de um modo a criar uma obra universal, de fácil leitura e entendimento.

Quem tem medo do feminismo negro? (Djamila Ribeiro)

Recém-saído do forno, o livro reúne um ensaio autobiográfico e uma seleção de artigos publicados da pesquisadora e filósofa Djamila Ribeiro, na revista Carta Capital, entre 2014 e 2017. A autora vem se firmando como um dos grandes nomes do feminismo negro no Brasil.  Djamila  também é autora da obra “O que é lugar de fala?”, outra excelente dica de leitura.  

“Quem tem medo do feminismo negro?” inicia com uma introdução pessoal da autora, que recupera suas memórias de infância para discutir aquilo que chama de “silenciamento” de sua cultura. Djamila conta como se descobriu negra e feminista.  Ao longo da leitura, os artigos tratam de questões de intolerância a religiões africanas, comoções nas redes sociais e casos racistas com figuras públicas.  

Sejamos todos feministas (Chimamanda Ngozi Adichie)

Chimamanda Nozi Adichie é um nome de peso quando o assunto é autoras de livros feministas. “Sejamos todos feministas” é a adaptação de um discurso feito pela autora no TEDxEuston, em 2012. Em 64 páginas, Chimamanda evoca suas memórias para falar sobre os estigmas de ser uma mulher feminista, desconstruindo diversos conceitos deturpados do movimento.  

A autora nigeriana fala sobre a primeira vez que teve contato com a palavra feminista e o quanto as pessoas a tentaram convencer de que feministas eram infelizes, não combinavam com a cultura africana, não gostavam de homens e nem de maquiagem. Chimamanda decide então denominar-se como uma feminista feliz, africana, que não odeia homens e que usa maquiagem por si mesma e não para os homens.

Para educar crianças feministas (Chimamanda Ngozi Adichie)

Mais uma obra fundamental de Chimamanda Nozi Adichie, o livro é, basicamente, uma carta que responde à pergunta feita por uma amiga sobre como criar uma criança feminista. A autora traz diversas situações que presenciou ou que lhe foram relatadas e discorre sobre a forma como os pais devem agir na formação de suas crianças. Um ponto importante da obra é que a autora discorre sobre a ideia de educar meninos e meninas de forma diferente e acaba quebrando diversos mitos.

Extraordinárias: mulheres que revolucionaram o Brasil (Duda Porto de Souza e Aryane Cararo)

Pelas mãos das autoras Duda Porto de Souza e Aryane Cararo, a obra compila a história de 44 mulheres inspiradoras, que fizeram a diferença em suas áreas no Brasil. Além dos relatos, a publicação reúne nove ilustradoras que criam, para cada personagem, um desenho próprio. “Extraordinárias: mulheres que revolucionaram o Brasil” é, além de tudo, uma aula de história e cultura brasileira.  

A história da primeira mulher a ser alfabetizada, a primeira maestra, a primeira romancista do Brasil, mulheres que foram para a guerra, algumas literalmente. O livro pode ser deixado na cabeceira, para ler uma mulher por dia e inspirar-se sempre.

O mito da beleza (Naomi Wolf)

Para quem busca compreender o movimento feminista, deixar esta obra na estante não é uma opção. “O mito da beleza” foi publicado em 1991 nos Estados Unidos, e um ano depois no Brasil. A autora Naomi Wolf, um nome de peso nas obras feministas, e por vezes polêmica, ostenta uma coleção de livros publicados, abordando o movimento.  

Nesta obra, ela analisa a exigência sofrida pelas mulheres para se adequarem a um padrão de beleza. Naomi traz dados e estatísticas, que, apesar de serem datados no ano da publicação da obra, são assustadoramente atuais. Desde a dificuldade para as mulheres encontrarem uma roupa adequada para o trabalho até os estigmas encontrados na hora do sexo. “O mito da beleza” afirma que o padrão imposto é a uma das últimas barreiras a ser derrubada pelas mulheres. 

O segundo sexo (Simone de Beauvoir)

O clássico dos clássicos da literatura feminista não poderia ficar fora de uma lista sobre o assunto. Publicado em 1949, o livro foi considerado revolucionário para a época e integrou a lista de obras proibidas pela Igreja Católica e pela União Soviética. Sua autora, a filósofa francesa Simone de Beauvoir, foi reconhecida como uma das maiores pensadoras do feminismo contemporâneo. 

“O segundo sexo” conta com dois volumes. No primeiro dele, a autora explora fatos e mitos sobre o sexo feminino sob perspectivas históricas, literárias, filosóficas, biológicas, entre outras, afirmando que nenhuma delas é suficiente para definir o que é se mulher. A famosa afirmação “não se nasce mulher, torna-se mulher” é fruto das reflexões do livro e é amplamente discutida no segundo volume da obra.   

Mais recentes