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José Lutzenberger, o prêmio que valoriza o jornalismo ambiental
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Natan Cauduro

Estreando a 5ª edição, o Prêmio José Lutzenberger deu início ao processo de inscrição dos trabalhos. Contemplando estudantes e profissionais do jornalismo, a premiação abrange seis categorias: jornalismo impresso, fotojornalismo, radiojornalismo, telejornalismo, webjornalismo e Prêmio Brasken de Jornalismo Universitário. 

O Lutzenberger incentiva a produção de textos, fotos, áudios e vídeos que abordam a temática da sustentabilidade, do meio ambiente, das novas tecnologias e da participação do poder público e do setor privado na construção de uma sociedade sustentável. As matérias apresentadas para análise deverão ter foco em assuntos da área ambiental, como tratamento de água e esgoto, reciclagem e fontes de energias limpas. 

Além de incentivar e premiar profissionais que atuem em solo gaúcho, qualquer estudante pode participar desde que curse Jornalismo em universidade localizada no Rio Grande do Sul. O Prêmio Brasken aceita trabalhos produzidos em foto, impresso, rádio, televisão e web.  No momento da inscrição, o aluno deve ter frequência regular e apresentar número de matrícula e comprovante. 

Rio Uruguai / Foto: Luigi da Campo

O jornalismo também é ambiental 

Aline Eberhardt, Alberi Neto e Ariadne Kramer são estudantes da Uniritter. Conseguiram o primeiro lugar no Prêmio José Lutzenberger, na categoria para universitários, com a reportagem “Os desafios do movimento ambientalista gaúcho”. Aline relata que a pauta veio do professor Roberto Villar Belmonte, na disciplina de Jornalismo Ambiental. A Triple A, apelido do trio de estudantes, entrevistou entidades e ONGs, e fez um trabalho de recuperação de imagens de bancos de dados. “Escrever é sempre a parte mais tranquila. O desafio mesmo é a edição, juntar os textos, fazer ter início, meio e fim, mas nos reunimos e conseguimos finalizar”, conta Aline. 

Estudante da Unipampa, Louise da Campo, tendo como mentor o professor Marco Bonito na disciplina de Jornalismo Digital II, conquistou o segundo lugar no Prêmio Lutzenberger com a reportagem “Um rio onde não se pode nadar”. Segundo Louise, uma reportagem que demandou muita criatividade. “Eu resolvi aplicar novas técnicas do que eu aprendia em aula, então optei por fazer uma matéria que tivesse acessibilidade comunicativa”, conta. A estudante utilizou de audiodescrição para montar a narrativa. 

José Lutzenberger / Foto: Apedema-RS/ Reprodução

As motivações de Aline para trabalhar com pautas ambientais vieram após a leitura da obra “Sinfonia Inacabada – a vida de José Lutzenberger”, de Lilian Dreyer, e do próprio entusiasmo do professor Belmonte com a temática.  “Eu me apaixonei muito pela história pessoal e pela luta do Lutz. Acredito que a paixão do nosso professor pelo jornalismo ambiental nos contagiou, porque todos nos esforçamos para fazer bons trabalhos”. 

Além do Prêmio Lutzenberger, a Triple A também venceu o Prêmio Jornalismo do Ministério Público do Rio Grande do Sul 2017 com a reportagem “Degradação e Descaso: a trajetória do Rio dos Sinos”. 

Para Louise, a vontade de trabalhar com jornalismo ambiental surgiu após produzir a reportagem vencedora. “Até então, eu não tinha refletido sobre jornalismo ambiental porque na minha universidade não temos no nosso currículo essa disciplina. Foi com o interesse em fazer matérias nesse estilo que eu aprofundei meus estudos no que era jornalismo ambiental e em como fazê-lo”. 

Cada candidato pode inscrever até três trabalhos acadêmicos. Todos devem ser entregues acompanhados de declaração do professor orientador, com a indicação da disciplina, laboratório ou agência experimental para qual foi produzido. Matérias assinadas por estudantes, mas feitas para veículos de comunicação com intuito comercial, não serão aceitas. 

Sobre datas e valores 

Serão aceitos trabalhos divulgados entre 1º de julho de 2017 e 30 de junho de 2018. As inscrições devem ser feitas aqui. O prazo final é 3 de setembro. Os resultados serão divulgados em novembro, em Porto Alegre. Ainda não há data ou local definidos. 

Segundo Aline, o trio descobriu e foi estimulado a participar do evento pelo professor.  “É bom ressaltar que o quadro de professores do Jornalismo na Uniritter sempre incentiva diversos prêmios e, inclusive, temos o Prêmio Inquieto de Jornalismo, na própria universidade”, comenta. Louise descobriu o prêmio através da internet. Decidiu se inscrever porque queria divulgar a reportagem produzida. “Foi um trabalho tão bom de realizar que eu acreditava que ele não podia ficar escondido na gaveta”, revela. 

Aline Eberhardt / Foto: Arquivo pessoal / Reprodução Facebook

As premiações variam. Para jornalistas formados, o 1º lugar, em todas as categorias, ganha R$ 5 mil, mais troféu. Para os universitários, o 1º lugar leva R$ 1 mil, o 2º R$ 500 e o 3º menção honrosa. Ainda no intuito de incentivar, na divulgação dos resultados haverá um sorteio para assistir à solenidade de entrega do Prêmio Octávio Brandão de Jornalismo Ambiental 2019, em Alagoas. 

Descobrir que estavam em primeiro lugar “foi um misto de sentimentos. Emoção, alegria, surpresa, sensação de dever cumprido. Foi um dos momentos mais marcantes da minha carreira, com certeza, e acredito que pros meus colegas também”, conta Aline. Ela também ressalta que ganhar um prêmio faz muito bem, porque ele traz consigo a sensação de estar no caminho certo. A quantia de R$ 1.000 foi dividida entre Aline, Alberi e Ariadne. “Não se tornou um valor tão significativo, mas ajudou bastante e foi bem gasto. Nós três pagamos contas!”, brinca.  

Louise não estava presente no dia da premiação. Ela apresentava trabalho em outro evento. Foi representada pela família no Lutzenberger. “Quando recebi o prêmio fiquei extremamente feliz, tive a sensação de dever cumprido, que eu estava contribuindo pro jornalismo e isso me trouxe muito orgulho”, revela. Os R$ 500 recebidos ainda não foram gastos. Louise tem planos de usá-los em uma viagem após a graduação.  

Louise da Campo / Foto: Arquivo pessoal / Reprodução Facebook

No mercado de trabalho 

Segundo Louise, participar do evento trouxe muita experiência, além de fornecer meios para conhecer o trabalho de outros estudantes e profissionais. “Hoje posso dizer que sei muitas coisas sobre jornalismo ambiental”. 

O trio foi reconhecido nos respectivos locais de trabalho. Aline, na época, estagiava na Assessoria de Comunicação do Detran/RS. O Correio do Povo parabenizou os vencedores, dando destaque para Ariadne, que é funcionária do jornal, em uma das edições. Alberi, assistente de conteúdo no Diário Gaúcho, recebeu reconhecimento dos superiores e uma homenagem do Grupo RBS. 

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