Influenciadores se reúnem para falar sobre negócios na comunicação - Portal da Indústria Criativa


Influenciadores se reúnem para falar sobre negócios na comunicação

A palestra fez parte da semana acadêmica do curso de Jornalismo da Unisinos

Postado em: 18/05/2018
Por: Giulia Godoy

Empreendedorismo e comunicação, duas palavras que parecem não ter nada em comum. Uma se relaciona a dados, planejamento e conhecimento de mercado. A outra, ligada ao relacionamento, informação e produção de conteúdo inovador. Já imaginou como estes dois extremos podem fazer parte de algo único? 

Em busca trabalhar as expectativas e mostrar a realidade do mercado de trabalho, um dos temas da semana acadêmica do curso de Jornalismo da Unisinos colocou em discussão o tema: negócios na comunicação, trazendo a experiência dos jornalistas Ricardo Lacerda, Andressa Griffante e Márcia Christofoli.  

O tema debatido é cada vez mais importante porque estudantes e recém-formados em áreas da indústria criativa enfrentam dificuldade para se encaixar no mercado de trabalho devido ao alto índice de desemprego no país. De acordo com o IBGE, os índices do primeiro trimestre de 2018 chegaram em 12,2%. 

foto: Giulia Godoy

 

Marketing, Assessoria e Digital Influencers 

Formada pela PUCRS, Andressa Griffante trabalhou na área de assessoria de imprensa por muitos anos, e percebeu que os clientes já não estavam mais tão interessados em divulgar seu serviços, produtos e marcas pelos veículos de rádio, tv e jornal impresso.  

A partir dessa perspectiva nasceu o RS Bloggers, em 2015. Ao ver a necessidade e procura por influenciadores digitais, Andressa criou a proposta da rede como uma ferramenta de marketing através da relação entre blogueiros e as empresas, criando uma conexão entre grupos regionais e nacionais. “Assessoria de comunicação ainda existe, mas esses clientes que chegam hoje vêem como diferencial eu estar ligada a uma rede de influenciadores e ter contato com blogueiros, youtubers, estar dentro desse universo”, comenta Andressa Griffante. 

Para fazer parte da rede é preciso fazer um cadastro e passar por alguns filtros, como possuir conteúdo inovador e produzir conteúdo com frequência. Os comunicadores pagam uma taxa de anuidade e recebem uma assessoria, podem participar de cursos e eventos profissionalizantes. “A gente precisa aprender a diversificar nossos formatos e nossa fonte de renda. Hoje não dá mais para fazer uma coisa só, tudo é comunicação e nós temos essa grande aliada que é a tecnologia” conclui Andressa.   

foto: Luiza Soares

De estagiária a Sócia-Diretora 

Durante a faculdade, Márcia Christofoli almejava atuar na rádio. Fez curso para produção, locução e tudo o que tem direito, mas a vida foi tomando um rumo diferente. Logo no início da graduação, a jornalista se interessou muito pelo ramo da comunicação empresarial e em 2009, resolveu iniciar a busca pelo conhecimento em outras áreas do jornalismo, foi onde iniciou como repórter estagiária no portal coletiva.net até o ano de 2013. 

O que era pra ser uma experiência de mercado se transformou em uma trajetória de quatro anos no portal, primeiro como estágio, depois na redação, sempre em busca de mudança e aprendizado, mesmo na hora de se despedir. Márcia resolveu que era hora de explorar o interesse que tinha em comunicação empresarial, mas ainda assim, o portal continuou presente na vida da jornalista. “Eu vivi aquilo com muita intensidade, mesmo.  Foi aí que eu disse ‘chega, eu realmente preciso experimentar o que eu me apaixonei na universidade’, que foi a comunicação empresarial, e o portal acabou virando meu cliente”, comenta Márcia. 

Foi então que, entre as idas e vindas no portal, a jornalista acabou se deparando com mais um desafio durante a trajetória. O coletiva.net passou por um processo de troca de gestão em 2016 e não havia opção melhor do que alguém que já conhecia a empresa.  

Márcia assumiu o comando do portal e trouxe novas propostas de editoriais, novas maneiras de enxergar como a matéria pode ser feita “Eu sou muito do feito é melhor que perfeito, então eu chego na redação e falo: vamos fazer tal coisa? E eles respondem que ‘sim, quando?’ E a resposta é agora! Depois a gente vê como fica, vamos aproveitar. E foi em uma dessas coisas que surgiu o top 5 e o top 10, que são os nossos vídeos de mais lidas da semana e do mês”, explica a publisher e sócia-diretora do portal, Márcia Christofoli.  

Foto: Luiza Soares

É possível ter um negócio dentro do jornalismo? 

Sócio-fundador da empresa República Conteúdo, Ricardo Lacerda enxergou a oportunidade de empreender quando trabalhava para uma revista e percebeu que os veículos de comunicação contratavam muitos freelancers para realizar um trabalho.  

Em 2012, nasceu a República, uma agência de criação e edição de conteúdo jornalístico, que acredita no potencial inovador da informação pensando no melhor a ser entregue para o consumidor final, utilizando publicações, roteiros, editoriais e matérias.  

Ricardo acredita que o principal fator é manter um bom relacionamento: tanto com equipe, quanto com fornecedores, mantendo sempre o prazo e a qualidade. “Isso parece tão óbvio, mas é quando a gente entrega um trabalho bem feito e dentro do prazo, e a excelência do texto, nós somos produtores de conteúdo e de texto, então se a gente não fizer isso bem feito, nós vamos ser apenas mais um”, conclui o sócio-diretor da empresa, Ricardo Lacerda.  

foto: Luiza Soares
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