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Marcus Von Groll

“Eu queria fazer jornalismo para fazer algo diferente, explorar o que não foi explorado”

Postado em: 08/12/2017
Por: Eduarda Bitencourt

O esporte sempre esteve presente na vida de Marcus Von Groll. Gremista fanático e ouvinte de jornadas esportivas desde criança, ele não esperava que o esporte fosse presente em uma parte tão grande da sua vida no futuro. Criador do site Travinha Esportes, Marcus tem a missão de representar e falar sobre os esportes esquecidos pela mídia tradicional por todo o Brasil.

Trabalhando com o pai em uma empresa de Engenharia Elétrica, Marcus tentou seguir na área e iniciou um tecnólogo na Ulbra. Não se entendendo com as Exatas, ele logo percebeu que não seria feliz naquele caminho e decidiu mudar para o Jornalismo. Em 2007 ele entrou no curso. “Foi minha realização, foi tirar um peso das costas quando eu ingressei no curso de Jornalismo”, relembra ele.

Com o exemplo do pai empreendedor, Marcus nunca imaginou trabalhar em algum veículo, mas empreender na Comunicação e principalmente na editoria de esportes. “Eu sempre quis ter o meu próprio negócio. Eu nunca pensei em ‘eu vou fazer Jornalismo para trabalhar em algum veículo’. Eu queria Jornalismo para fazer algo diferente, explorar o que não foi explorado. Queria trabalhar com aquilo que eu gosto, que é o esporte”, comenta ele ao relembrar do início da faculdade.

Travinha participando de programa de rádio. (Foto: Arquivo pessoal)

Apaixonado por rádio, ele começou a trabalhar em 2008 na área e em 2010 a oportunidade de inovar surgiu. “Eu comecei a trabalhar em uma rádio e só falava de futebol, nessa época eu fui do 8 para 80. Comecei a fazer um quadro de curiosidades olímpicas e comecei a pegar o gosto pelas outras modalidades. Foi quando eu vi que ninguém falava sobre isso ninguém explorava essas competências”, recordou Marcus.

Durante a produção desse programa que Marcus percebeu lacunas deixadas pelo Jornalismo esportivo do Rio Grande do Sul e decidiu preenchê-las. “Criei o site primeiro, trazendo a ideia de histórias e regras dos esportes e depois a coisa foi começando a acontecer”. Após a disciplina de Jornalismo Televisual, com o incentivo da professora Luiza Carravetta, Marcus comprou a câmera e começou a transmitir e filmar jogos das mais diversas modalidade. O nome “travinha” veio logo depois que um amigo relembrou o apelido de infância de Marcus, que parecia ter na trave o alvo dos seus chutes.

Hoje, o Travinha Esportes já se expandiu e virou marca para o jornalismo esportivo do RS, criando inclusive como ramificação o Travinha Comunicações. “A empresa vem do site. Eu não comecei o Travinha como um negócio, a coisa foi acontecendo. Quando eu o fiz, havia paixão por algo que eu gostava”, comenta Marcus. O começo, apesar de ter muita paixão, também trouxe dificuldades. “Para mim era um prazer estar pagando para trabalhar. A dificuldade foi na questão da cobrança de como ganhar dinheiro com isso, foi bem complicado o começo e está sendo até hoje. Você está prestando um serviço e nada disso é de graça, tanto que ninguém vive do amor”, conta ele.

Entrevista durante jogo de beisebol. (Foto: Arquivo pessoal)

A informação precisa também se tornou um obstáculo ao trabalhar com o esporte no meio amador. “A dificuldade que a gente tem quando vai transmitir o evento é justamente conseguir informações sobre a equipe, histórico e escalação, mas o lado bom é que esse pessoal é muito aberto, vai até o lugar que tu quer para fazer a entrevista e entende eventuais complicações”, explica.

Mesmo com as dificuldades, Marcus relembra da trajetória com amor. Sempre foi fácil encontrar pessoas que apoiassem e ajudassem o site, até mesmo sua noiva Nathália Ely ele conheceu através do Travinha. O reconhecimento das pessoas envolvidas com os clubes sempre é uma motivação segundo Marcus. “A galera reconhece o teu trabalho e isso é muito prazeroso. Eu já tive exemplos em que a torcida gritou o nome do site em competições de patinação. Dificuldades se tem, mas eu acho que tudo é aprendizado. Eu até sou agradecido por elas terem aparecido por me tornar melhor”, resume.

O Travinha vem se renovando e trazendo cada vez mais esportes para o seu grande leque. Patinação, hóquei, rugby, natação, atletismo, vôlei, beisebol fazem parte da rotina diária de notícias do site. Entre regras e modalidades diferentes Marcus recorda que o beisebol e o rugby foram os mais difíceis, mas hoje são os principais públicos do Travinha. “Passei a investir, a me especializar nas modalidades. Ainda tenho muito a aprender, mas aprendi bastante. Eles são os mais desafiadores mas também são os mais apaixonantes. No rugby gaúcho eu estou tendo um acolhimento muito grande, todos os clubes conhecem o Travinha, assim como o beisebol, mas daí é nacionalmente que eles conhecem pois somos os únicos que transmitimos no Brasil.”

Para o futuro, Marcus espera crescer cada vez mais. “Fincar raízes, ser o site referência nesse espaço. O próximo passo é profissionalizar o site e oferecer os serviços com excelência”, sintetiza ele.  Apesar de meta para o futuro, o reconhecimento já é algo concreto o  Travinha Esportes irá receber o troféu de Destaques Esportivos Afers 2017 como o Programa Esportivo do ano em dezembro, Marcus considera isso uma motivação para continuar.

Marcus e Nathália com o Prêmio de Destaque Esportivo (Foto: Arquivo pessoal)

Como dica para quem quer trabalhar no meio e fazer um conteúdo autoral Marcus afirma que o segredo é ser persistente e ousar. “Fazer o diferente, explorar o que não foi explorado. Tem muita coisa ainda para ser explorada, são várias as modalidades que você pode se tornar especializado nela”, sintetiza.

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