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Jornalismo Esportivo foi tema de debate na Semana da Comunicação
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Na última sexta-feira (20/10), ocorreu o último dia da Semana da Comunicação dos alunos da Unisinos Porto Alegre. A atividade foi um painel sobre Jornalismo Esportivo, que contou com as participações dos jornalistas Carlos Guimarães (Rádio Guaíba), Diogo Rossi (Rádio Grenal), Douglas Demoliner (Rádio Gaúcha), Jairo Kuba (Rádio Galera) e Rodrigo Morel (SBT). No bate-papo foram debatidos assuntos referentes ao mundo esportivo.

Um dos temas foi a importância de sempre verificar a veracidade das informações. Para Jairo Kuba, o principal no jornalismo não é ter determinada notícia, mas checá-la antes de repassar ao ouvinte. “Não basta ter uma informação importante, ou um furo, se a informação não for verdadeira, pois isso pode tomar uma dimensão muito grande, e não é tão simples consertar uma divulgação errada”, comentou Kuba.

Outro assunto debatido foi a visão que os estudantes costumam ter sobre o jornalismo esportivo. Diogo Rossi pensa que os alunos têm uma visão deturpada do que é o mercado. “É mais difícil do que muitos pensam, nosso dia-a-dia não é fácil. São muitas viagens onde muitas vezes mal temos tempo de ir no hotel descansar, é chegar, fazer a cobertura e voltar, é bastante desgastante”, disse.

Diogo Rossi (à esquerda), Douglas Demoliner (à direita). Foto: Liane Oliveira

Kuba concordou com o colega. Falou que vê muitas pessoas pensando que é glamourosa a vida de jornalista esportivo, pois podem conhecer muitas cidades diferentes pelo país e pelo mundo. “Mas essas pessoas se enganam, é tanta viagem que precisamos fazer para trabalhar que mal sobra tempo de conhecer as cidades”, afirmou.

Com a popularização das redes sociais, e o uso cada vez mais frequente, tanto por jornalistas, quanto pelas empresas, alguns profissionais têm se tornado subcelebridades. Para Demoliner, isso pode ser perigoso. “O jornalista jamais deve ser maior que a notícia, o foco principal deve ser sempre a informação e nunca o jornalista”, opinou.

As redes sociais também aproximaram o público dos jornalistas, e isso os deixou mais expostos do que nunca. Guimarães diz que os jornalistas então tendo que aprender a receber críticas. “Não se deve partir para o confronto, nem responder um ouvinte de forma ríspida, e nem se deixar esmorecer, pois o mundo não acaba com uma crítica”, completou.

Jairo Kuba (à esquerda), Carlos Guimarães (ao centro), Rodrigo Morel (à direita). Foto: Liane Oliveira

Carlos Guimarães falou sobre o deslumbramento com a profissão. Para ele, é importante que o profissional tome cuidado para não perder o foco. “Penso que não devemos ver o jornalismo com deslumbramento, e sim como uma emprego comum, onde somos funcionários, cumprimos nossos horários e somos pagos para isso”, explicou.

Ele ainda afirma que uma parte da nova geração de jornalistas tem entrado na profissão com esse pensamento, pensando que tudo é fácil, e que ser jornalista esportivo se resume a pegar um microfone e falar para a audiência. “Abrimos mão de muita coisa pela profissão, não passamos o dia de pernas pro ar vendo futebol em várias telas simultâneas, não temos tempo para isso”, enfatizou Guimarães.

Guimarães ainda falou da importância que tem uma opinião. Para ele, deve-se ter muito cuidado antes de emitir uma opinião sobre determinado assunto. “Já dei opiniões fortes e definitivas  que depois acabei me arrependendo, como quando na época na contratação do Elano pelo Grêmio, que eu chamei ele de ex-jogador, que é algo muito forte a se dizer”, falou.

Entender o que o público quer ver ou ouvir também foi discutido. Para Rodrigo Morel, é um grande desafio entender o que o público espera assistir. “Por exemplo, no programa que eu produzo, no SBT, grande parte do público é criança ou dona de casa, então é necessário sempre explicar o que está acontecendo, qual a posição do jogador que está sendo citado, pois o público não é adepto daquela linguagem”, comentou.

Carlos Guimarães e Rodrigo Morel. Foto: Liane Oliveira

Ao falar de sua emissora, a Rádio Galera, Kuba contou que eles precisaram se estruturar bastante para crescer e criar credibilidade. “Não é fácil se manter como rádio web, tendo audiência, retorno financeiro, e ainda mantendo uma equipe para coberturas de jogos e de treinos diários da dupla Grenal”, explicou

Disse também que, para conseguir crescer, a rádio precisou ir atrás de um público que não existia. Dessa forma, foram atrás das categorias de base, e hoje fazem a cobertura dos jogos, e dão informações sobre os guris da base do futebol gaúcho. “Isso fez com que conseguíssemos fidelizar nossa audiência, pois atendemos a um nicho único” afirma.

A Rádio Grenal também foi atrás de um mercado diferente, apesar de falar de futebol e da dupla Grenal, a empresa tem um diferencial: ela fala de futebol 24 horas por dia. Diogo Rossi contou que essa segmentação da rádio fez ela crescer muito nos últimos anos. “Ao invés de enfrentar as outras emissoras, a empresa decidiu ir por outro caminho, e hoje é a segunda colocada no Ibope”, exemplificou.

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