Rafaela Cavion - Portal da Indústria Criativa


Rafaela Cavion

"A moda me trouxe experiências incríveis"

Postado em: 20/06/2017
Por: Carol Steques

A primeira turma de Moda da Unisinos POA contou com cinco integrantes, um deles é a Rafaela Cavion, de 27 anos. Nascida em Porto Alegre, ela é formada em Física pela UFRGS, em 2010, e em Moda pela Unisinos, em 2016. “A maior dificuldade enfrentada na minha carreira foi me inserir no mercado”, declarou. Atualmente ela é sócia da Yugen Store, e diz que a marca é a sua maior realização profissional.

Uma de suas maiores lembranças da infância é dançar. Rafa conta que dos quatro aos 19 anos fez ballet, e que isso  foi muito importante, pois a ajudou a desenvolver muitas de suas características de hoje. “A dança me trouxe muita disciplina, e questões de cuidado com o corpo e alimentação”, explicou.

Quando tinha 11 anos seu pai foi diagnosticado com câncer. Segundo ela, essa foi a parte mais difícil de sua infância. “Foi um período bastante delicado, mas que também me ajudou muito a ver quem eu era e o que eu queria para a minha vida, o tipo de pessoa que eu queria ser”, contou.

De acordo com Rafa, ela cresceu vendo duas opiniões: a de seu pai, com a questão da tranquilidade, de buscar o teu futuro de uma forma tranquila, e de saber que um dia as coisas vão dar certo; e de sua mãe com a questão de buscar uma coisa que se ama muito e se esforçar para ir atrás disso. Hoje em dia ela se inspira muito neles e busca em sua profissão fazer o que a motive muito e que sinta que está fazendo algo pelos outros.

Segundo Rafa, ela era uma criança muito tranquila e que prestava atenção em aula. Sempre gostou de disciplinas exatas, como matemática, química e física. “Eu gostava muito de estudar, com isso acabei virando a ‘nerd da turma’. Eu ajudava minhas colegas, principalmente antes das provas. Com isso eu decidi fazer licenciatura em Física, pois sendo professora eu poderia ajudar os outros nas matérias que eles tinham mais dificuldade”, declarou.

Quando começou na física, Rafaela teve a sensação de que tinha se encontrado ali, pois todos eram iguais a ela, gostavam das mesmas coisas e queriam as mesmas coisas. No 3º ano de faculdade chegou em um ponto que ela não gostava mais daquilo. “O preconceito com os professores começa dentro da faculdade”, contou. Mesmo não gostando mais do curso, com 21 anos se formou em licenciatura em Física, pois queria mostrar as pessoas que nem tudo é difícil, que as coisas podem ser feitas de outra forma.

Após a formatura, procurou novos cursos para fazer e, em 2011, navegando o site da Unisinos, onde estava a procura de cursos como engenharias, encontrou uma chamada do bacharel em Moda. “Eu gostava de moda, mas nunca foi algo que eu tinha pensando em trabalhar. Eu olhei o curso e o currículo, achei muito interessante. No currículo abordava não somente a parte de criação, como nas outras faculdades, mas sim englobava muitas coisas, como empreendedorismo, por exemplo.”, contou. “Eu não sei o que que aconteceu ali que eu resolvi me inscrever”, acrescentou rindo.

Ao contrário do curso de Física, Rafa achava que não faria amizade com ninguém na Moda, pois todo mundo era diferente. “Todo mundo ali era diferente, e tinha um background totalmente diferente. A Moda é um ambiente onde o preconceito é muito debatido. Tu te abre para todos os gêneros, cultura e possibilidades. É um local muito aberto a explorar conhecimentos e experiências. E isso me fazia respirar aliviada”, relembrou.

Formandas de 2016/1 do curso de Moda da Unisinos. (Rafaela é a segunda da direita para a esquerda)

“Durante o curso eu fui vendo que a moda não é somente aquilo que a TV passa, que não era só aquela futilidade. Percebi que existe muita coisa por trás daquilo, não tinha noção da profundidade de algumas coisas, mas vi que existia muito mais do que o fútil”, declarou.

De acordo com a Rafa, há uma concepção geral de que as pessoas da moda julgam as roupas que os outros usam. “Na verdade, a gente olha pra ver o que as pessoas estão usando, e não para ficar julgando-as. Chega um ponto em que tu já sabe que a vestimenta é tão uma expressão da pessoa, que tu nunca vai chegar pra alguém e dizer ‘isso tu não pode usar’. Por mais que seja uma coisa estranha para os outros, é uma coisa que é a cara dela. Não existe certo e errado, não existem regrinhas. Tu chega num ponto que fala ‘meu, usa o que tu quiser, seja feliz!’”, explicou.

No final do curso, os estudantes de Moda estudam o sistema e o capitalismo, e como a moda surgiu através dele. Segundo Rafa, os alunos têm que entender de questões políticas para ver como o sistema da moda se criou e se propagou, para entenderem também como podemos mudá-lo.

Em 2014, depois de sair de um emprego estressante, Rafa decidiu que deveria viajar, foi então que fez um intercâmbio na Itália, no Politécnico de Milão. Segundo ela, essa foi a melhor coisa que já fez na vida. “Foi uma experiência maravilhosa, eu indico para todo mundo. Fazer uma disciplina de projeto lá foi muito legal, abriu muito a minha cabeça”, declarou.

Atualmente ela é sócia da marca Yugen Store, que tem como lema “proporcionar a mesma estética em modelagens para o corpo masculino e feminino”. A marca busca por meio das peças a manifestação da personalidade de quem as usa. Para Rafa, a Yugen é a sua maior realização profissional.

Rafaela Cavion e suas sócias Carolina Geremia e Marina Zwetsch no lançamento da sua marca Yugen Store

(Fotos: Arquivo Pessoal)

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